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Os 10 carros mais caros vendidos em leilão em 2025

Carro clássico Mercedes-Benz prateado em exposição, com janelas amplas e edifícios ao fundo ao pôr do sol.

Em 2025, os leilões automóveis voltaram a bater recordes à escala global. Entre monolugares históricos de Fórmula 1, protótipos de competição e superdesportivos de produção ultra-limitada, houve transacções que atingiram patamares raríssimos - e que mostram até onde pode ir a procura por exemplares com história, pedigree e escassez real.

A seguir reunimos os 10 carros mais caros vendidos em leilão em 2025, todos com narrativas próprias e números que ajudam a perceber porque despertaram tamanho interesse entre coleccionadores.

Nota: tal como é habitual nestes rankings, os valores em euros dependem da conversão cambial. As quantias em apresentadas correspondem à taxa em vigor à data de publicação deste artigo.

Também vale a pena sublinhar dois pontos: por um lado, surgem aqui dois carros novos e outros bastante recentes; por outro, a diferença entre o 10.º e o 1.º classificado é verdadeiramente enorme - mais de 41 milhões de euros (à taxa de câmbio considerada).

O que valoriza um clássico (ou futuro clássico) nos leilões automóveis em 2025?

Há factores que se repetem em praticamente todas as vendas recorde: proveniência (quem conduziu/possuiu), palmarés competitivo, originalidade mecânica, documentação, restauros feitos com critério e, claro, raridade (não apenas “edição limitada”, mas efectivamente poucos exemplares com a especificação certa).

Outro detalhe que tem pesado cada vez mais é a “comprabilidade” do carro: alguns compradores valorizam que o exemplar esteja operacional e pronto a ser usado em eventos, demonstrações ou competições históricas - algo que, em máquinas particularmente importantes, nem sempre acontece.


10. Ferrari F40 LM by Michelotto (1993): $11 005 000 (9 345 061 €)

O lendário Ferrari F40 ficou conhecido por ser o último modelo desenvolvido com supervisão directa de Enzo Ferrari. Ainda assim, o F40 LM by Michelotto eleva o conceito: esta versão foi pensada para competir em provas de resistência, incluindo as 24 Horas de Le Mans.

Este exemplar é o 14.º de 19 construídos e, em especificação GTC, é apontado como o mais musculado de todos: 770 cv - quase mais 300 cv do que o F40 de estrada. Este salto de performance resultou de uma intervenção profunda no V8 biturbo, com intercoolers de maiores dimensões e aumento da pressão dos turbos.

Arrematado por 11 milhões de dólares num leilão da RM Sotheby’s em Monterey (EUA), passou a ser o Ferrari F40 mais caro de sempre, praticamente duplicando o valor face à última vez que um F40 LM foi a leilão.

9. McLaren MCL40A: $11 480 000 (9 755 130 €)

O McLaren MCL40A surge como uma oportunidade fora do comum: adquirir, ainda antes da apresentação pública, um Fórmula 1 da McLaren já preparado para o Campeonato do Mundo de 2026.

A entrega será feita directamente pela equipa britânica, 10 vezes campeã de construtores, e o pacote já reflecte as novas regras: carros mais leves, aerodinâmica activa e componentes híbridos revistos.

O chassis integra uma unidade de potência híbrida V6 turbo de 1,6 litros desenvolvida pela Mercedes-AMG High Performance Powertrains (MHPP). O comprador receberá o chassis de Lando Norris ou de Oscar Piastri, com entrega apontada para o final do primeiro trimestre de 2028, e poderá contar, durante a espera, com um carro de exposição de 2025.

A venda contempla ainda experiências exclusivas, incluindo visita ao McLaren Technology Centre em Woking, hospitalidade em dois Grandes Prémios, e acesso às 24 Horas de Le Mans e às 500 Milhas de Indianápolis.

8. Ford GT40 Mk II (1966): $13 205 000 (11 213 224 €)

Este Ford GT40 Mk II pertence a um grupo muito restrito: foram construídos apenas oito exemplares. Além disso, tem um passado competitivo rastreável desde novo. Em 1966, terminou em 2.º lugar nas 12 Horas de Sebring, inscrito pela Holman-Moody, com Walt Hansgen e Mark Donohue ao volante, antes de ser usado pela Ford como carro de testes na preparação para Le Mans.

Foi também um dos três GT40 Mk II da Holman-Moody alinhados nas 24 Horas de Le Mans de 1966, identificado com o número 4. Terminada a prova, este chassis foi exibido em vários salões automóveis europeus entre 1966 e 1967, sublinhando o peso do programa GT40 nessa fase.

Doado ao Indianapolis Motor Speedway Museum em 1968, recebeu um restauro completo em 2011, regressando à configuração de Le Mans 1966. Desde então, raramente saiu da colecção do museu, tendo sido visto publicamente pela última vez no Concours d’Elegance of America.

7. Ferrari F2001 de Michael Schumacher (2001): $18 393 000 (15 980 000 €)

O Ferrari F2001, um dos símbolos máximos da era dourada de Michael Schumacher na Fórmula 1, voltou a estar no centro das atenções. O chassis n.º 211, vencedor de corridas marcantes no Mónaco e na Hungria e associado à conquista do Mundial de Fórmula 1 nesse ano, foi vendido em leilão pela RM Sotheby’s por 15 980 000 euros.

Projectado por Rory Byrne e Ross Brawn, integra a memorável era dos V10 na F1: o motor de três litros era capaz de ultrapassar as 17 000 rpm.

Antes da venda, este F2001 passou por uma revisão integral conduzida pela Ferrari Classiche. E há um pormenor decisivo: o carro está totalmente operacional e pronto a ser conduzido - algo invulgar em monolugares históricos, que muitas vezes não são mantidos em condições de funcionamento.

6. Gordon Murray Special Vehicles S1 LM: $20 630 000 (17 530 343 €)

O Gordon Murray S1 LM é o primeiro supercarro da divisão Special Vehicles da Gordon Murray Automotive (GMA) e nasceu para assinalar o 30.º aniversário do triunfo do F1 GTR em Le Mans, em 1995.

No centro do projecto está um V12 atmosférico de 4,3 litros, desenvolvido pela Cosworth, capaz de debitar mais de 700 cv às 12 100 rpm. O conjunto destaca-se por ser um dos V12 atmosféricos mais leves, com maior capacidade de rotação e maior densidade de potência alguma vez instalados num automóvel de estrada. Com apenas 957 kg, caixa manual de seis velocidades e posição de condução central, promete uma experiência declaradamente analógica.

Serão construídas apenas cinco unidades - e sim, o carro ainda não existe. Inicialmente, a produção estava reservada por um único cliente, que optou por libertar um exemplar para leilão. O resultado foi imediato: entrou directamente no Top 10 dos carros mais caros vendidos em leilão em 2025.

5. Ferrari 250 GT SWB California Spider Competizione (1961): $25 305 000 (21 488 120 €)

Para lá de pertencer à prestigiada família 250 GT SWB California Spider, este exemplar soma raridade sobre raridade: foram feitos apenas nove com especificação Competizione, e este é um de dois com configuração de competição completa.

Comparados com o 250 GT SWB California Spider “normal”, os Competizione são mais leves e mais potentes, além de representarem uma época em que um carro de competição podia, em muitos casos, circular legalmente na estrada.

Este exemplar pertenceu ao piloto alemão Ernst Lautenschlager, venceu provas de montanha e conseguiu pódios em corridas de carros desportivos, antes de transitar para o universo da competição histórica.

4. McLaren F1 (1994): $25 317 500 (21 498 736 €)

Ver um McLaren F1 em leilão é raro; vê-lo bater recordes é ainda mais. Este exemplar, vendido pela RM Sotheby’s, tornou-se no McLaren F1 mais caro de sempre transaccionado em leilão.

O preço explica-se tanto pelo modelo em si como pela história particular deste carro, o chassis #014: chegou a integrar a colecção automóvel da família real do Brunei, frequentemente apontada como uma das mais extravagantes do mundo.

De origem, vinha em Titanium Yellow (amarelo) e com interior em pele e Alcantara preta - uma combinação pouco comum. A acompanhar, seguiam as ferramentas originais Facom e um historial singular, com 22 966 km registados.

3. Ferrari Daytona SP3 (2025): $26 000 000 (22 078 290 €)

No degrau mais baixo do pódio aparece um Ferrari - o que não espanta -, mas o facto de ser um Daytona SP3 praticamente acabado de sair do forno já é mais inesperado. Este exemplar foi o mais caro vendido em leilão durante a Monterey Car Week 2025.

Apesar de novo, há razões para o chamar de “clássico instantâneo”. E também há um motivo claro para ter atingido os “absurdos” 26 milhões de dólares - quase 10 vezes o valor de novo.

A produção do SP3 ficou limitada a 599 unidades, mas a Ferrari optou por construir mais um exemplar adicional, o 599+1, com o objectivo de doar a totalidade do montante arrecadado a causas solidárias. Este carro foi personalizado pelo departamento Tailor Made, reforçando o carácter absolutamente único da unidade leiloada.

2. Ferrari 250 LM (1964): $41 075 644 (34 880 000 €)

Subindo mais um lugar, surge outro Ferrari com credenciais históricas irrepetíveis. Vencedor absoluto das 24 Horas de Le Mans de 1965, este Ferrari 250 LM foi conduzido por Masten Gregory e Jochen Rindt ao serviço da North American Racing Team (NART), assegurando à Ferrari a sexta vitória consecutiva na prova francesa. Até hoje, continua a ser o único Ferrari inscrito por uma equipa privada a vencer Le Mans à geral.

Há mais: é igualmente o único Ferrari da era de Enzo Ferrari a alinhar em seis corridas de 24 horas, incluindo Le Mans e Daytona, e é o sexto de apenas 32 exemplares produzidos.

Num estado de preservação notável, conserva motor e caixa de velocidades originais e esteve durante 54 anos na colecção do Indianapolis Motor Speedway Museum, com historial extensamente documentado.

1. Mercedes-Benz W 196 R Stromlinienwagen (1954): $60 241 531 (51 155 000 €)

No topo da lista, o “ouro” não é vermelho - é prateado. Este Mercedes-Benz W 196 R Stromlinienwagen não foi apenas o carro mais caro vendido em leilão em 2025: com mais de 51 milhões de euros, tornou-se automaticamente no segundo mais caro de sempre vendido em leilão. (E o primeiro? Fica a pista: não é um Ferrari.)

Este exemplar, com o chassis 00009/54, venceu o Grande Prémio de Buenos Aires com Juan Manuel Fangio e registou a volta mais rápida no circuito de Monza (Itália), pilotado por Sir Stirling Moss.

A carroçaria do W 196 R Stromlinienwagen recorre a uma liga de magnésio (mais leve do que o alumínio) e o motor é um oito em linha de 2,5 l. Começou por anunciar 257 cv, mas, ao fim de duas temporadas, já declarava 290 cv. Potência suficiente para chegar aos 300 km/h… em 1955.

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