A par do fabrico em grande escala de veículos blindados e aeronaves de combate, a indústria de defesa russa tem conseguido colocar no terreno volumes significativos de munições de artilharia para equipar as Forças Terrestres da Rússia desde o início da guerra na Ucrânia. Dentro desse esforço, ganham particular relevo os projécteis guiados de longo alcance da família Krasnopol, que estarão a ser fornecidos numa das suas variantes mais avançadas. Essa leitura é reforçada pela confirmação recente da entrega de novos lotes de munições Krasnopol‑M2, noticiada há poucos dias.
Krasnopol: origem soviética e evolução do projéctil guiado
Nas primeiras versões, concebidas ainda no período da União Soviética, o Krasnopol correspondia a um projéctil de artilharia guiado de 152 mm, pensado para ser compatível com obuses rebocados e autopropulsados então em serviço no Exército Vermelho e entre aliados do antigo Bloco de Leste. Entre as plataformas típicas contam-se, por exemplo, os D‑20, 2A65 e 2S3 Akatsiya, entre outros sistemas.
Com o passar das décadas, foram surgindo iterações melhoradas do Krasnopol, incluindo variantes de 155 mm, alinhadas com o calibre utilizado em numerosos países ocidentais, numa abordagem que visava aumentar o potencial de exportação do sistema.
Krasnopol‑M2 (projécteis guiados de longo alcance): emprego e alcance
Entre as versões mais recentes - e que têm sido referidas no contexto do conflito na Ucrânia - destaca-se o Krasnopol‑M2, cuja entrega em novos lotes às Forças Terrestres da Rússia foi recentemente confirmada para utilização com obuses de artilharia, tanto autopropulsados como rebocados.
Com guiamento semi-activo e disponível em 152 mm (bem como em 155 mm), este projéctil pode ser disparado a partir de obuses autopropulsados russos mais modernos, como o 2S19 Msta e o 2S35 Koalitsiya‑SV, apresentando um alcance aproximado de 25 quilómetros.
Alvos referidos e avaliação de desempenho segundo a Rostec
De acordo com a Rostec, o consórcio indica que o projéctil tem sido utilizado para atacar alvos como:
- posições de tiro;
- fortificações;
- postos de comando;
- pontos temporários de destacamento;
- estações de controlo de veículos aéreos não tripulados;
- pontes;
- travessias;
- e outros objectivos.
A mesma fonte acrescenta que o sistema se diferencia pela elevada eficácia e por uma precisão excepcional mesmo no alcance máximo. Com um impacto exacto, é descrito como capaz de neutralizar alvos inimigos importantes. É ainda sublinhado que o projéctil guiado Krasnopol‑M2 pode ser disparado tanto por obuses autopropulsados como por obuses rebocados, a partir de posições de tiro fechadas.
Condições de emprego, designação e limitações operacionais
Como acontece com outras munições de guiamento semi-activo, o desempenho do Krasnopol‑M2 depende, em regra, da existência de um processo de designação do alvo compatível com este tipo de guiamento, bem como de coordenação entre observadores avançados, meios de reconhecimento e a bateria de artilharia. Em cenários de combate dinâmicos, isso pode implicar um esforço adicional de integração e de transmissão de dados para assegurar que o projéctil recebe a referência necessária na fase terminal.
Também importa considerar que o emprego de munições guiadas pode ser influenciado por factores como condições meteorológicas, fumos e outras formas de degradação da visibilidade na área do alvo, bem como pela necessidade de manter uma cadeia de apoio que assegure disponibilidade regular de lotes e compatibilidade com as plataformas de tiro existentes.
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