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Porsche Cayenne Elétrico: um monstro de 1.156 cv que até a Tesla terá dificuldade em igualar.

Carro elétrico Porsche Cayenne EV preto com portas abertas em ambiente interior moderno.

Há elétricos rápidos, e depois há aqueles que parecem ter sido construídos para reescrever o que um SUV consegue fazer. O primeiro Cayenne 100% elétrico entra precisamente nessa segunda categoria: um “salão” high-tech sobre quatro rodas, com uma dose de potência difícil de levar a sério… até se verem os números.

Na Porsche, certas tradições não mudam: motores que marcaram gerações, SUVs que andam como coupés, linhas intemporais (a 911 é o exemplo óbvio) e, sobretudo, chassis capazes de aguentar tudo. O novo Porsche Cayenne Electric é o herdeiro direto dessa família - só que sem cheiro a gasolina.

Um autêntico “panzer” de luxo, totalmente elétrico, que passa a ser o Porsche de produção mais potente de sempre. Sim, à frente de 911 Turbo S, GT2 RS e até de algumas máquinas saídas de Weissach. Com até 1.156 cv no pico, faz 0-100 km/h em 2,5 s e atinge 260 km/h: basicamente, uma supercar disfarçada de SUV.

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Um SUV elétrico que faz falar a pólvora

Em condução normal, o Cayenne Turbo Electric (a versão de topo) já entrega 857 cv, o que o coloca no topo dos SUV elétricos mais potentes do mercado. É com o modo Launch Control que aparecem os 1.156 cv, acompanhados por 1.500 Nm de binário.

Há ainda um botão “Push-to-Pass”, herdado do mundo da competição: um toque e o sistema acrescenta 176 cv durante 10 segundos. Perfeito para ultrapassar rapidamente na autoestrada… ou para testar a paciência de quem decide sobre a sua carta de condução.

E se isto parece exclusivo da versão mais cara, a verdade é que até o modelo “de entrada” supera muitos V8 biturbo de há uma década. O Cayenne Electric base tem 408 cv (ou 442 cv com Launch Control), potência suficiente para meter pressão a um Tesla Model Y ou Model X nos respetivos segmentos.

Para sustentar esta avalanche de desempenho, era obrigatória uma bateria à altura - e a Porsche não facilitou. O Cayenne vem com 113 kWh, compatível com carregamento 800 V e capaz de receber até 400 kW, permitindo ir de 10% a 80% em menos de 16 minutos. Em cerca de dez minutos, recupera aproximadamente 325 km de autonomia: o tempo de um café e já dá para voltar à estrada e fazer um Lisboa–Porto.

Junte-se uma autonomia WLTP até 642 km, a suspensão Porsche Active Ride (que quase anula os movimentos da carroçaria), direção traseira e um ePTM (gestão eletrónica do binário) que o mantém colado à trajetória: há margem para atacar forte, tanto em estrada como fora dela. Mesmo que seja difícil imaginar um SUV destes a raspar a barriga num trilho, pelo menos terá capacidade para engolir qualquer lomba e fazer curvas como se não pesasse o que pesa - bem acima das 2,5 toneladas.

Um habitáculo futurista

Por dentro, é tecnologia a rodos: um tablier dominado por um ecrã central curvo (Flow Display), instrumentação OLED de 14,25 polegadas, um ecrã para o passageiro e um Voice Pilot que, segundo a Porsche, graças à IA, consegue compreender “pedidos complexos e interdependentes, reconhece o contexto e responde como um verdadeiro interlocutor”.

Bancos com ajustes em todas as direções, aquecidos, ventilados e com massagem - o habitáculo é um verdadeiro SPA em movimento. Os Mood Modes permitem mudar toda a ambiência luminosa e sonora conforme o estado de espírito. Um pouco “gadget”? Talvez. Mas num interior tão high-tech, até faria falta não ter este tipo de extravagância.

Claro que este luxo tem um preço, e o Cayenne Electric não é para todas as carteiras: estamos a falar de Porsche. O modelo base começa nos 107.600 euros em França, e a versão Turbo sobe para 167.200 euros… sem opções. Se começar a folhear o catálogo para o equipar melhor, a fatura pode ultrapassar facilmente os 200.000 euros, sobretudo com jantes de assinatura, pintura especial, pack interior e duas ou três “guloseimas” digitais de que não precisa - mas que a Porsche torna difíceis de resistir. Um monstro elétrico que custa um rim, e que pode levar alguns a procurar um segundo para o conseguir comprar.

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