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Com apoio dos EUA, o Japão testou o radar SPY-7 que será instalado nos novos destruidores ASEV da Força Marítima de Autodefesa.

Dois oficiais da marinha chinesa em uniforme branco no convés de um navio de guerra no mar.

O Ministério da Defesa do Japão comunicou que, no âmbito do programa dos novos contratorpedeiros ASEV (Aegis System Equipped Vessel), foi concluída recentemente uma série de testes de detecção de alvos com o radar AN/SPY-7 - o sensor que irá equipar estas futuras unidades destinadas a entrar ao serviço na Força Marítima de Autodefesa. As actividades decorreram em território dos Estados Unidos, com recurso a meios e infra-estruturas norte-americanas, constituindo mais um passo relevante no desenvolvimento e na integração de um dos elementos mais críticos do programa.

De acordo com a nota oficial, os ensaios tiveram lugar nos dias 17 e 19 de Maio do mês em curso, inseridos num programa de integração em terra (land-based testing) que está em execução desde Setembro de 2025. Ao longo destas provas foram verificadas capacidades essenciais do sistema, nomeadamente pesquisa, detecção, identificação, seguimento e gestão de alvos, recorrendo a alvos lançados a partir de instalações de teste dos Estados Unidos.

Os dados recolhidos serão agora objecto de análise para dar continuidade ao processo de validação do sistema, uma fase determinante antes da sua instalação e integração definitiva a bordo dos novos navios.

Radar AN/SPY-7 e contratorpedeiros ASEV: um pilar da defesa antimíssil do Japão

O AN/SPY-7(V)1, desenvolvido pela Lockheed Martin, foi seleccionado para funcionar como o núcleo do sistema AEGIS que os contratorpedeiros ASEV irão integrar, concebidos sobretudo para missões de defesa aérea e interceptação de mísseis balísticos.

Assente numa arquitectura de radar de matriz activa (AESA), o AN/SPY-7 oferece melhorias claras face a gerações anteriores em alcance, sensibilidade e capacidade de processamento, permitindo detectar e acompanhar várias ameaças em simultâneo, incluindo mísseis balísticos em diferentes fases do seu trajecto. Esta escolha está estreitamente ligada à necessidade japonesa de reforçar a sua arquitectura de defesa perante a evolução e o aumento das capacidades de mísseis por parte da China e da Coreia do Norte.

Para além do desempenho puro do sensor, a validação em ambiente controlado contribui para reduzir incertezas na integração com o ecossistema AEGIS, incluindo os processos de filtragem de pistas, atribuição de prioridades e gestão de engajamentos, que dependem tanto do radar como do conjunto de software e interfaces do sistema de combate.

Evolução do programa dos contratorpedeiros ASEV

Os futuros contratorpedeiros ASEV foram delineados como substitutos do cancelado sistema AEGIS Ashore (baseado em terra), transferindo essas capacidades para plataformas navais e aumentando a flexibilidade de emprego. Segundo o que tem sido indicado por Tóquio, a construção das unidades iniciou-se em 2024, com a meta de o primeiro navio entrar em serviço no final de 2027 e o segundo seguir-se em 2028.

Em linha com esse calendário, o Japão recebeu em Janeiro de 2025 a primeira antena do radar SPY-7, um marco inicial na integração dos sistemas que irão compor estas novas unidades. Além disso, em Setembro de 2024 foi formalizada a encomenda para a construção do segundo contratorpedeiro, consolidando o programa como um dos eixos centrais da defesa antimíssil japonesa no médio prazo.

No que toca ao armamento, prevê-se que os novos contratorpedeiros sejam dotados de um canhão principal Mk-45 (Mod.4) de 127 mm, bem como de mísseis SM-3 Block IIA, SM-6, Tomahawk e Tipo 12 (SSM).

Uma dimensão frequentemente associada a programas desta natureza é a preparação do ciclo de vida: formação de guarnições, criação de capacidades de manutenção e gestão de sobressalentes, e actualizações de software ao longo do tempo. A realização de ensaios estruturados em terra também ajuda a antecipar requisitos de suporte e a estabilizar procedimentos técnicos antes da operação continuada no mar.

Integração progressiva com apoio dos Estados Unidos

Num plano mais amplo, o facto de parte das provas ter sido realizada em território norte-americano evidencia a cooperação entre o Japão e os Estados Unidos em matéria de defesa, em particular no desenvolvimento e na integração do sistema AEGIS. Ao mesmo tempo, os testes em terra permitem validar os sistemas num ambiente mais controlado antes da instalação final, reduzindo riscos técnicos e contribuindo para assegurar a interoperabilidade com outros sistemas norte-americanos já destacados na região.

Do ponto de vista estratégico, esta abordagem também facilita a verificação de compatibilidades com arquitecturas aliadas de alerta e defesa, reforçando a capacidade de resposta a ameaças de mísseis e a coordenação em operações de vigilância e defesa aérea em cenários de elevada exigência.

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