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Starship da SpaceX conclui mais um teste, enquanto a NASA acelera o programa Artemis

Funcionário da NASA com tablet observa foguetão na plataforma de lançamento ao pôr do sol.

O gigantesco foguetão Starship, da SpaceX, atravessou na segunda-feira os céus do Texas ao fim da tarde e terminou a missão com um amerissagem bem-sucedida, numa altura em que a empresa norte-americana procura contrariar as dúvidas de críticos sobre a capacidade do projecto de Elon Musk cumprir, dentro dos prazos, as ambições lunares da NASA.

11.º voo de teste da SpaceX: lançamento ao entardecer e validação de procedimentos

No 11.º voo experimental, o veículo colossal descolou das instalações de lançamento da SpaceX no sul do Texas pouco depois das 18h25 (hora local), 23h25 GMT, segundo a transmissão em directo, que captou também aplausos entusiásticos das equipas de engenharia.

Tal como previsto, o propulsor Super Heavy terminou a sua fase e pousou nas águas do Golfo do México. Já o estágio superior - frequentemente referido, por si só, como Starship - prosseguiu para o espaço, executou uma sequência de ensaios e seguiu uma trajectória semelhante à da última missão bem-sucedida, em Agosto.

Pouco mais de uma hora após a descolagem, a Starship reentrou e impactou no Oceano Índico, depois de ter libertado satélites simulados, tal como fizera no voo anterior. Não estava prevista qualquer operação de recuperação do veículo.

NASA, Lua e Marte: por que a Starship é central no programa Artemis

A NASA pretende usar a imponente Starship - o maior e mais potente foguetão alguma vez desenvolvido - nos seus esforços para levar novamente astronautas à Lua. O sistema é igualmente peça-chave na visão ambiciosa de Musk de, a prazo, transportar seres humanos até Marte.

Antes do lançamento, Musk afirmou na transmissão que planeava assistir ao teste no exterior, e não no interior das instalações como fizera noutras ocasiões, por ser “muito mais visceral”, nas suas palavras.

A missão de segunda-feira deverá ser a última deste conjunto específico de protótipos. De acordo com a SpaceX, o próximo voo servirá para apresentar um novo modelo, a Versão 3.

Os dois testes mais recentes permitem à empresa reivindicar resultados positivos. Ainda assim, estes sucessos surgem após uma sequência de explosões impressionantes, que reacenderam receios de que a Starship possa não corresponder às promessas - pelo menos no calendário que decisores políticos e parte da comunidade científica gostariam de ver cumprido.

“Segunda corrida ao espaço”: Artemis III, China e pressão política

O programa Artemis procura devolver humanos à Lua numa fase em que a China avança com uma iniciativa concorrente, apontando 2030, no limite, como meta para a sua primeira missão tripulada.

No segundo mandato do Presidente norte-americano Donald Trump na Casa Branca, a administração intensificou a pressão sobre a NASA para acelerar o progresso - e a Starship é um dos elementos essenciais nessa estratégia.

A SpaceX tem, além disso, um contrato federal de vários milhares de milhões de dólares para desenvolver uma versão modificada da Starship como módulo de alunagem.

Artemis III e a “segunda corrida ao espaço”, segundo a NASA

A missão tripulada Artemis III está pensada para meados de 2027 - mas um painel consultivo de segurança da NASA alertou que o calendário pode derrapar “anos”, segundo o site Política Espacial Online.

O antigo administrador da NASA Jim Bridenstine afirmou recentemente, numa audição no Senado, que “a menos que algo mude, é altamente improvável que os Estados Unidos ultrapassem o calendário projectado pela China”.

Já o administrador interino da NASA, Sean Duffy, tem insistido que os EUA continuarão a vencer a “segunda corrida ao espaço”. No mês passado, disse a jornalistas que “a América liderou o espaço no passado e vai continuar a liderar no futuro”, rejeitando a ideia de que a China possa chegar primeiro.

Explosões anteriores, escudo térmico e reabastecimento em órbita: os principais desafios

Em testes anteriores, o enorme foguetão Starship registou explosões do estágio superior - incluindo duas vezes sobre as Caraíbas e uma vez após atingir o espaço. Em Junho, o estágio superior explodiu também durante um ensaio no solo.

Musk tem apontado o desenvolvimento de um escudo térmico orbital totalmente reutilizável como o desafio mais exigente, lembrando que a renovação do escudo térmico do vaivém espacial chegava a demorar nove meses entre voos.

Outro obstáculo passa por demonstrar que a Starship pode ser reabastecida em órbita com propelente super-arrefecido - um passo indispensável, mas ainda não demonstrado em operação, para permitir missões de grande alcance no espaço profundo.

O Painel Consultivo de Segurança Aeroespacial da NASA tem sublinhado a existência de “ameaças” associadas a garantir que essa transferência crítica pode ser realizada, com o membro Paul Hill a considerar que o calendário está “significativamente comprometido”.

O que está em jogo para além do teste

Além do valor técnico de cada voo, a cadência de testes e a capacidade de converter protótipos em hardware operacional são determinantes para alinhar o desenvolvimento da Starship com necessidades reais de missão. Para a NASA, isso significa assegurar margens de segurança, procedimentos verificáveis e um modelo de operação repetível, especialmente quando o objectivo envolve transporte humano e operações na órbita lunar.

Para a SpaceX, provar reutilização consistente e rotinas de abastecimento no espaço não é apenas uma questão de engenharia: é também a base para reduzir custos e aumentar a disponibilidade do sistema, condições frequentemente apontadas como essenciais para sustentar, no médio prazo, uma arquitectura de exploração que inclua a Lua e, mais tarde, Marte.

© Agence France-Presse

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