Saltar para o conteúdo

Após os ataques iranianos em Chipre, o Reino Unido destacará um destroier Tipo 45 no Mediterrâneo Oriental.

Navio de guerra a navegar com dois jatos de combate e um helicóptero em voo sobre o mar.

No contexto da Operação Epic Fury e da resposta militar do Irão, a ilha de Chipre, no Mediterrâneo Oriental, foi alvo de ataques iranianos. Perante este cenário, o Reino Unido anunciou o reforço da sua postura defensiva na região com o destacamento de um contratorpedeiro Tipo 45. O navio escolhido é o HMS Dragon, que irá operar em conjunto com helicópteros Wildcat armados, num ambiente de tensão crescente no Médio Oriente e de acções dirigidas contra interesses britânicos.

HMS Dragon (Tipo 45) no Mediterrâneo Oriental: reforço da defesa aérea do Reino Unido

O HMS Dragon é um contratorpedeiro Tipo 45 orientado para defesa aérea e considerado um dos navios mais avançados da sua classe. O objectivo do seu envio é ampliar a capacidade britânica de detectar, acompanhar e interceptar ameaças aéreas, incluindo drones, num teatro onde se têm multiplicado ataques com mísseis e sistemas não tripulados. Segundo as autoridades britânicas, a decisão pretende ajustar o dispositivo militar a um ambiente operacional em permanente mudança.

O navio está equipado com o sistema de mísseis Sea Viper, com capacidade para disparar oito mísseis em menos de 10 segundos e para orientar até 16 projécteis em simultâneo. Os contratorpedeiros Tipo 45 já foram testados em operações reais, incluindo um episódio em 2024 em que um destes navios interceptou com sucesso um míssil lançado pelos hutis. Com este destacamento, Londres procura expandir a sua cobertura de defesa antiaérea no Mediterrâneo Oriental.

Intercepções recentes de drones e operações com F-35B, Typhoon e Voyager

O reforço naval surge após as Forças Armadas britânicas terem abatido múltiplos drones nas últimas 24 horas em diferentes pontos da região. Caças F-35B da Real Força Aérea britânica (RAF) destruíram drones sobre a Jordânia, assinalando a primeira vez que um F-35 da RAF elimina um alvo em operações, com apoio de aeronaves Typhoon e de um avião cisterna Voyager.

Em paralelo, uma unidade britânica especializada em combate a drones neutralizou aparelhos no espaço aéreo do Iraque que se dirigiam para forças da Coligação. Além disso, um Typhoon da 12.ª Esquadra conjunta Reino Unido–Qatar abateu, na segunda-feira, um drone iraniano de ataque unidireccional que tinha como alvo o Qatar, recorrendo a um míssil ar-ar.

Declarações do secretário da Defesa e papel dos Wildcat com mísseis Martlet

O secretário da Defesa britânico, John Healey, declarou: “Estamos a actuar rapidamente para reforçar ainda mais a nossa presença defensiva no Mediterrâneo Oriental.” Sobre o navio destacado, acrescentou: “O HMS Dragon traz uma capacidade de defesa aérea de primeira linha, e os nossos helicópteros Wildcat estão armados com mísseis Martlet para contrariar a ameaça crescente de drones.” Referiu ainda sentir-se “profundamente orgulhoso do profissionalismo e da coragem do nosso pessoal das Forças Armadas, que nos últimos dias actuou com sucesso em toda a região para proteger os nossos aliados e defender os interesses britânicos.”

Como parte do pacote de reforço, serão igualmente enviados dois helicópteros Wildcat da Marinha Real, equipados com mísseis Martlet, concebidos para interceptar e destruir drones. Estas aeronaves poderão patrulhar e envolver ameaças aéreas, acrescentando uma camada adicional de protecção contra sistemas não tripulados num contexto em que este tipo de ataque tem aumentado de forma sustentada.

Integração com Akrotiri (Chipre) e reforços já implementados

O envio do Tipo 45 e dos Wildcat soma-se a medidas adoptadas nas últimas semanas, incluindo o destacamento de sistemas de radar, defesas antiaéreas e caças F-35B na Base Aérea de Akrotiri, em Chipre. Em Fevereiro, o Reino Unido já tinha reforçado a sua presença nessa infra-estrutura estratégica com aeronaves de quinta geração da RAF, num quadro marcado pelo agravamento das tensões em torno do Irão e dos seus aliados regionais, bem como pela necessidade de preservar capacidades de resposta rápida em áreas críticas para os interesses britânicos.

Para além da defesa de bases e forças destacadas, a presença de um contratorpedeiro Tipo 45 no Mediterrâneo Oriental contribui também para a protecção de rotas marítimas e para a dissuasão, ao oferecer uma plataforma móvel capaz de reagir rapidamente a ameaças aéreas emergentes. Numa região onde a actividade de drones e mísseis pode alterar-se em poucas horas, a flexibilidade de um navio de defesa aérea torna-se um elemento central do dispositivo.

Este tipo de reforço implica ainda coordenação estreita com parceiros e aliados no terreno, sobretudo na gestão do espaço aéreo, partilha de informação e definição de regras de actuação. Num ambiente de alta densidade operacional, a integração entre navios, aeronaves e sistemas terrestres é determinante para reduzir tempos de resposta e diminuir o risco para populações, infra-estruturas e forças destacadas.

Imagem de capa obtida da Marinha Real Britânica.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário