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BYD ultrapassa Tesla e torna-se marca que mais vende elétricos no mundo

Carro elétrico branco BYD sedan moderno em showroom com janelas grandes e reflexos no chão.

É mesmo oficial: em 2025, a Tesla deixou de ser a líder do mercado de veículos elétricos e foi ultrapassada pela BYD. Depois de um 2024 praticamente empatado - com ligeira vantagem para a marca norte-americana (1,79 milhões contra 1,76 milhões) -, o panorama mudou de forma clara ao longo deste ano.

Os números resumem a viragem: a Tesla terminou 2025 com cerca de 1,64 milhões de veículos entregues, o que representa uma descida de 8,5% face a 2024. Já a BYD acelerou no segmento dos elétricos, com um aumento de 27,9% em relação ao ano anterior, chegando a 2,26 milhões de unidades. Aliás, desde outubro que a marca chinesa passou a vender mais elétricos do que a Tesla.

Ano negro para a Tesla no mercado de veículos elétricos

O ano agora fechado foi especialmente exigente para a Tesla, que assistiu a uma retração das vendas nos seus mercados mais relevantes. Entre as razões apontadas está a forte exposição política de Elon Musk, diretor-executivo da empresa, uma presença que ganhou expressão em 2024 e se manteve até ao primeiro semestre de 2025.

A segunda metade do ano também não trouxe alívio. No último trimestre (setembro–dezembro), as vendas da Tesla caíram 15% quando comparadas com o mesmo período de 2024, fixando-se em 418 227 unidades. A interrupção dos incentivos fiscais para carros elétricos nos EUA, no final de setembro, é apontada como um dos fatores que poderá ter agravado esta descida. Como reação, a Tesla introduziu variantes mais acessíveis do Model 3 e do Model Y, nas versões de entrada (Standard).

A pressão sentiu-se igualmente nas contas. Até ao terceiro trimestre de 2025, os lucros já tinham recuado 37%, para 1,39 mil milhões de dólares (cerca de 1,2 mil milhões de euros). Com a inclusão do desempenho do último trimestre, é expectável que a quebra acumulada ao longo do ano seja ainda mais expressiva. Os resultados finais serão anunciados no final deste mês.

Para lá das decisões de produto, 2025 evidenciou também um ambiente mais competitivo no setor: a intensificação da concorrência (sobretudo na Ásia e na Europa), a maior sensibilidade ao preço e a rapidez com que novas propostas chegam ao mercado têm tornado a liderança menos estável e mais dependente de ciclos curtos de atualização.

BYD aquém das expectativas, apesar de ultrapassar a Tesla

Mesmo tendo conquistado o primeiro lugar nas vendas globais de elétricos, o desempenho da BYD em 2025 não ficou totalmente alinhado com aquilo que a própria marca ambicionava.

No total (considerando toda a gama), a fabricante chinesa vendeu aproximadamente 4,5 milhões de veículos, o que representa um crescimento de 7,1% em comparação com 2024. Ainda assim, o objetivo interno apontava para 5,5 milhões de unidades - ou seja, ficou a um milhão do alvo definido (fonte: CarNewsChina).

Apesar de não ter atingido a meta total, há um marco particularmente relevante para a BYD: pela primeira vez, as vendas fora da China ultrapassaram um milhão de unidades, chegando a 1 046 083 veículos. Este resultado traduz um salto de 150,7% face ao período homólogo e reforça o peso crescente da expansão internacional na estratégia da marca.

Este crescimento no exterior tende, ainda, a aumentar a pressão competitiva nos mercados onde a Tesla era tradicionalmente mais forte, ao mesmo tempo que traz novos desafios para a BYD - desde a adaptação a diferentes regulamentações e preferências dos consumidores até à necessidade de consolidar redes comerciais e pós-venda à escala global.

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