A unidade X, o laboratório de ideias da Alphabet - a empresa-mãe da Google - passou a funcionar de forma diferente. Em vez de se limitar a criar novas empresas dentro do grupo, também começa a transformar alguns projetos em sociedades verdadeiramente independentes. O índice de sucesso dentro deste laboratório é, ainda assim, muito baixo: apenas 2%.
X, a fábrica de ideias da Alphabet, aposta em empresas autónomas
Durante muito tempo, o objetivo da X foi desenvolver projetos inovadores para os converter em novas participações do grupo. Entre os casos mais conhecidos estão a Waymo, hoje líder no mercado dos robotáxis, e a Wing, especializada em entregas por drone. Agora, porém, a divisão X da Alphabet prefere que certos projetos sigam o seu próprio caminho e deixem de fazer parte da estrutura do grupo.
A razão desta mudança é simples: há iniciativas que são demasiado diferentes do negócio principal e que, segundo a própria Alphabet, podem ter mais hipóteses de vingar fora da empresa-mãe. Ao ganhar autonomia, estes projetos podem adaptar-se com mais rapidez, procurar outras fontes de financiamento e ganhar liberdade para definir a sua própria estratégia.
Esta nova orientação foi apresentada por Astro Teller, responsável pela unidade X da Alphabet, numa intervenção na conferência TechCrunch Disrupt. Para pôr esta abordagem em prática, a Alphabet recorre agora a um novo fundo, baptizado de Series X Capital, cuja missão é investir exclusivamente em projetos da X, mantendo-se, porém, como investidor minoritário. Desta forma, a empresa criada não passa a ser uma subsidiária da Alphabet.
Um índice de sucesso muito reduzido
Astro Teller também explicou o funcionamento pouco convencional da estrutura que lidera. Na prática, as ideias são testadas sem qualquer complacência e faz-se tudo para levar os projetos ao limite, incluindo a possibilidade de serem abandonados. Como resumiu o responsável da X, segundo a TechCrunch: “Se alguém propõe um projeto ambicioso e esse projeto parece razoável, a empresa não está interessada, porque, por definição, isso significaria que não seria um projeto ambicioso.”
O resultado desta filosofia é um índice de sucesso de apenas 2% dentro desta unidade da Alphabet. Entre os projetos que acabaram por dar origem a entidades independentes em 2025 contam-se a Taara, que desenvolve uma solução óptica para redes de telecomunicações, e a Heritable Agriculture, que aplica inteligência artificial à agricultura.
Durante a fase de desenvolvimento, as pessoas que trabalham nos projetos da X recebem uma remuneração idêntica à dos funcionários da Google. No entanto, se o projeto se transformar numa nova empresa, esses trabalhadores passam a ter uma participação no capital da nova sociedade. Segundo Astro Teller, isso corresponde, aproximadamente, ao que teriam obtido se tivessem iniciado a empresa a partir da sua própria garagem naquela fase de financiamento, mas sem terem assumido qualquer risco entretanto.
Este modelo também mostra como a Alphabet tenta equilibrar inovação e disciplina financeira. Ao separar alguns projetos da sua estrutura principal, a empresa consegue apoiar apostas de longo prazo sem bloquear o crescimento dessas iniciativas com as limitações típicas de uma grande organização. Ao mesmo tempo, a autonomia pode facilitar parcerias, contratação de talento e decisões mais rápidas.
A estratégia da X confirma, assim, que nem todas as ideias precisam de terminar dentro da Alphabet para terem valor. Em alguns casos, a melhor forma de proteger o potencial de uma tecnologia pode ser precisamente deixá-la crescer por conta própria.
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