O Paris Digital Park é um campus que reúne os quatro maiores data centers de França. Equipas de televisão conseguiram entrar no local para perceber, por dentro, como funciona toda esta infraestrutura.
Sempre que faz algo online - seja ver um jogo de futebol, interagir com uma IA ou utilizar a dupla autenticação do seu banco - os seus dados têm de passar por algum lado. Um desses pontos pode ser precisamente o Paris Digital Park, considerado o maior campus de data centers em território francês.
Concluído este verão, o edifício impressiona pelo formato que lembra um “disco voador”. Fica a cerca de 3 km de Paris, mais concretamente em La Courneuve. As câmaras da TF1 tiveram acesso às instalações para mostrar os bastidores, numa reportagem emitida a 2 de novembro no jornal das 20 horas.
Paris Digital Park: quatro data centers gigantes e altamente protegidos
Neste campus de dimensão colossal existem quatro data centers distribuídos por 40 000 m². Trata-se de um verdadeiro mastodonte de betão e aço, que alberga 630 000 servidores e mais de 5 000 km de cabos.
Entrar no recinto não é simples. Segundo a reportagem, o local é vigiado por 1 600 câmaras e cada área mais crítica conta com proteção biométrica. Faz sentido: muitas empresas confiam aqui os seus dados, pelo que a segurança é tratada como prioridade.
Para garantir operação contínua, 42 funcionários revezam-se 24 horas por dia, tanto de dia como de noite.
Meet-me-room: o nó central dos cabos (e do tráfego)
A zona mais sensível é a meet-me-room, o espaço onde todos os cabos convergem. É, na prática, o centro nevrálgico do edifício e, numa perspetiva mais ampla, uma peça importante do funcionamento da Internet em França - e, por arrasto, da própria economia. Por isso, ver esta sala “por dentro” chama particularmente a atenção.
Quem utiliza este campus e para quê
Os clientes deste enorme data center são, naturalmente, anónimos. Ainda assim, de acordo com a TF1, há empresas que recorrem ao Paris Digital Park para armazenar dados simplesmente por falta de espaço nas suas próprias instalações.
Outras optam por alugar servidores redundantes - ou seja, servidores de reserva. Assim, se os sistemas principais do cliente tiverem algum problema, o serviço consegue manter-se operacional e os utilizadores não são afetados.
Um investimento de 1,15 mil milhões de euros - e um custo operacional à escala de uma cidade
O Paris Digital Park resulta de um investimento de 1,15 mil milhões de euros por parte da Digital Realty. E a construção é apenas uma parte da equação: a manutenção e operação de uma infraestrutura desta dimensão implicam recursos muito significativos.
Segundo os dados divulgados, o campus utiliza cerca de 50 milhões de litros de água por ano e consome eletricidade ao nível de uma cidade de média dimensão, aproximadamente 80 MW.
Eficiência, arrefecimento e o desafio da sustentabilidade
Num data center, uma parte relevante do consumo está ligada ao arrefecimento: manter servidores a temperaturas estáveis é essencial para evitar falhas e prolongar a vida útil do hardware. Por isso, além do fornecimento elétrico, a gestão térmica e o uso racional de água tornam-se temas centrais - tanto por razões ambientais como de continuidade de serviço.
Também ganha importância a monitorização e otimização permanentes (por exemplo, ajustando fluxos de ar, setpoints de temperatura e redundâncias), porque qualquer melhoria marginal pode representar poupanças significativas quando se opera a esta escala.
Por que razão estes data centers estão a multiplicar-se
Este é apenas o primeiro de uma série maior. Estão previstos 35 data centers gigantes a serem construídos em França num futuro próximo.
Num contexto em que a IA acelera a procura por computação e em que a guerra económica aumenta a pressão sobre infraestruturas estratégicas, a soberania dos dados torna-se um tema cada vez mais relevante. Afinal, estes edifícios alojam um volume enorme de informação sensível, e a forma como e onde essa informação é guardada passou a ser um fator crítico para empresas e para países.
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