A atenção pública tem-se concentrado sobretudo na entrada ao serviço dos primeiros caças F-16 da Força Aérea Argentina e nos veículos blindados de combate 8×8 Stryker do Exército Argentino. Ainda assim, a Marinha Argentina tem vindo, em paralelo, a impulsionar vários programas orientados para recuperar e reintegrar capacidades essenciais. Em concreto, parte do trabalho conduzido pelo Ministério da Defesa e pelo Estado-Maior-General da Marinha procura travar a degradação e a perda de meios no Comando da Aviação Naval, através da aquisição de plataformas como o P-3C Orion e os helicópteros ligeiros Leonardo AW109M, destinados a operar a partir dos navios patrulha oceânicos da Divisão de Patrulha.
Leonardo AW109M na Marinha Argentina: reforço do Comando da Aviação Naval nos navios patrulha oceânicos
No caso específico dos helicópteros, o processo arrasta-se há vários anos e, além disso, acabou por ficar aquém do plano inicial, que previa a compra de um total de oito (8) helicópteros ligeiros. No desfecho, o quantitativo foi reduzido para quatro (4) aeronaves, tendo sido escolhido o AW109M da Leonardo como modelo de helicóptero embarcado.
A entrada destes meios -antecedida por acontecimentos recentes como a assinatura de uma Carta de Intenções durante a anterior tutela ministerial, declarações oficiais da atual e decisões administrativas adotadas no final do ano passado- tem como objetivo substituir os helicópteros AS-555 Fennec. Estas aeronaves, que hoje operam a partir dos navios patrulha oceânicos adquiridos há alguns anos a França, apresentam disponibilidade operacional limitada.
Porque é que a substituição do AS-555 Fennec é crítica
Esta limitação não é um detalhe menor. O AS-555 Fennec não foi concebido para executar missões de vigilância, patrulhamento, transporte de pessoal, evacuação, nem operações de busca e salvamento. A sua função principal, que justificou a aquisição original, era atuar como plataforma de designação de alvos para além do horizonte (over-the-horizon) para os contratorpedeiros MEKO 360 da Marinha Argentina.
Ao introduzir o Leonardo AW109M, a Marinha procura alinhar os helicópteros embarcados com o perfil de missões típico dos navios patrulha oceânicos, onde a flexibilidade e a prontidão para tarefas de fiscalização, apoio e resposta a emergências são determinantes.
Estado do processo de aquisição e financiamento
Quanto aos desenvolvimentos no processo de compra, o passo mais recente ocorreu no final do ano passado, quando o governo nacional -por via da publicação no Diário Oficial da República Argentina- autorizou a assinatura de um Contrato de Financiamento com cobertura de Agência de Crédito à Exportação (Export Credit Agency) entre a República Argentina e o Crédit Agricole Corporate & Investment Bank (CACIB), no montante total de 71.676.175,26 €.
Antes disso, em outubro do ano passado, o então Secretário de Estratégia e Assuntos Militares do Ministério da Defesa, Marcelo Rozas Garay, indicou que o Ministério contava avançar com a aquisição de quatro aeronaves, afirmando: “...podemos dizer que vamos ter os quatro helicópteros Leonardo...”, esclarecendo simultaneamente que “...isto não significa que cheguem antes do fim do ano...”.
Reuniões de alto nível e confirmação oficial do contrato
Após a mudança de liderança no Ministério, com a nomeação do novo Ministro da Defesa, Tenente-General Carlos Presti -antigo Chefe do Estado-Maior-General do Exército Argentino- realizou-se uma série de reuniões de alto nível com representantes e embaixadores de diversos países, com destaque para contactos com a Alemanha e a Itália.
No caso italiano, o Ministério da Defesa confirmou o encontro do ministro com o Embaixador da República Italiana, Fabrizio Nicoletti, no qual “...foram destacadas novas oportunidades de cooperação entre as Forças Armadas, com ênfase no intercâmbio de formação e instrução, bem como em iniciativas de produção de defesa e industriais, incluindo a recente assinatura do contrato para a aquisição de quatro helicópteros Leonardo AW109 para a Marinha Argentina”.
A menção à “recente assinatura do contrato” constitui a primeira confirmação oficial de que o acordo já foi efetivamente concluído entre as partes, permitindo à Marinha Argentina e ao seu Comando da Aviação Naval avançarem, por fim, com a incorporação dos novos AW109M. Até ao momento, contudo, não foram divulgados mais detalhes nem um calendário específico para a chegada das primeiras aeronaves.
Integração operacional, formação e sustentação: o passo seguinte
Com a contratação confirmada, uma etapa decisiva será a preparação para a operação embarcada: qualificação de tripulações, treino de equipas de convés e adaptação de procedimentos (manuseamento, abastecimento, hangaragem e segurança) aos navios patrulha oceânicos da Divisão de Patrulha. A disponibilidade real destes helicópteros dependerá tanto das aeronaves como do pacote de apoio logístico, sobressalentes, ferramentas e ciclos de manutenção.
Em termos de capacidades, a combinação entre meios de asa fixa como o P-3C Orion e helicópteros embarcados como o Leonardo AW109M tende a ampliar a cobertura marítima: o primeiro com maior raio e permanência, os segundos com resposta mais imediata a partir dos navios, aumentando a eficácia em ações de vigilância, interceção, apoio a equipas e resposta a incidentes no mar.
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