Dados provisórios recentemente disponibilizados indicam que o número de nascimentos nos Estados Unidos diminuiu um pouco em 2025.
Até ao momento, foram registados através de certidões de nascimento pouco mais de 3,6 milhões de nascimentos, o que representa cerca de menos 24 000 do que em 2024. Esta descida parece alinhar-se com as previsões de alguns especialistas, que já questionavam se o pequeno aumento observado em 2024 seria, de facto, o início de uma tendência sustentada de subida.
Actualização do CDC e o que ainda falta apurar
O CDC (Centros de Controlo e Prevenção de Doenças) actualizou no final da semana passada a sua base de dados provisórios de nascimentos, colmatando dois meses que estavam em falta e permitindo uma primeira avaliação mais sólida do total de 2025.
De acordo com o CDC, os números agora publicados abrangem praticamente todos os bebés nascidos em 2025. A informação continua a ser compilada e analisada, mas o valor final deverá acrescentar apenas “mais alguns milhares de nascimentos”, segundo Robert Anderson, responsável pela monitorização de nascimentos e óbitos no Centro Nacional de Estatísticas de Saúde do CDC.
Uma nota importante é que estes totais provisórios, embora úteis para perceber a direcção geral, tendem a ser afinados com o fecho das validações administrativas. Por isso, pequenas correcções são esperadas, mas não se antecipa uma alteração substancial da tendência de ligeira queda.
Porque é que as famílias adiam a parentalidade?
Especialistas apontam que as pessoas estão a casar mais tarde e, além disso, demonstram preocupação quanto à capacidade de garantir condições estáveis para criar filhos - nomeadamente rendimento suficiente, seguro de saúde e outros recursos essenciais.
Por agora, está disponível apenas o número absoluto de nascimentos, não estando ainda publicadas as taxas de natalidade, a taxa de fertilidade e outros indicadores que ajudam a perceber com mais detalhe quem está a ter filhos e em que circunstâncias.
Taxa de fertilidade: o indicador que pode contar uma história diferente
Um exemplo dessa diferença entre totais e taxas foi sublinhado por Karen Guzzo, demógrafa da família na Universidade da Carolina do Norte: apesar de os nascimentos terem aumentado em 2024 face ao ano anterior, a taxa de fertilidade caiu.
A taxa de fertilidade é um indicador que avalia se cada geração tem filhos suficientes para se substituir - cerca de 2,1 filhos por mulher. Nos Estados Unidos, este valor tem vindo a descer há quase duas décadas, à medida que mais mulheres adiam a maternidade ou optam por não ter filhos.
Para 2025, Guzzo afirma que não esperaria uma subida das taxas: “Não esperaria que as taxas de natalidade ou de fertilidade tivessem aumentado; esperaria que descessem, porque a decisão de ter filhos está muito relacionada com as condições económicas e com a incerteza”, escreveu num e-mail.
Acrescentou ainda que a maioria dos nascimentos de 2025 corresponde a crianças concebidas em 2024, um período em que muitas pessoas estavam preocupadas com a acessibilidade financeira e com a polarização política.
Tendência de fundo: descida prolongada, com oscilações recentes
Como tendência geral, os nascimentos e as taxas associadas têm vindo a cair há anos nos Estados Unidos. Houve uma descida em 2020, seguida de aumentos durante dois anos consecutivos, subida que os especialistas atribuíram, em parte, a gravidezes adiadas durante a pandemia de COVID-19.
Em 2023, uma queda de 2% colocou os nascimentos nos Estados Unidos abaixo de 3,6 milhões, o valor anual mais baixo desde 1979.
Impactos sociais e económicos de um menor número de nascimentos
Uma redução persistente nos nascimentos pode ter efeitos em cadeia: menos crianças hoje pode significar, mais à frente, mudanças na procura por creches e escolas, e posteriormente uma entrada mais pequena de jovens no mercado de trabalho. Em paralelo, um envelhecimento mais rápido da população pode aumentar a pressão sobre sistemas de saúde e de apoio social.
Ao mesmo tempo, é comum que países com menor natalidade procurem equilibrar parte destes efeitos com outras dinâmicas demográficas, como a migração. Ainda assim, os especialistas tendem a olhar para a taxa de fertilidade e para as condições económicas como peças centrais para compreender se a descida observada é temporária ou se vai consolidar-se nos próximos anos.
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