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Operação Orión: a fragata marroquina *Mohammed VI* junta-se ao Grupo Aeronaval francês no Atlântico Norte e com projeção para o Ártico

Dois navios de guerra a navegar no mar, um com helicópteros no convés e outro com bandeira vermelha.

Nas últimas semanas, no âmbito da Operação Orión, as Forças Armadas francesas têm vindo a demonstrar a capacidade expedicionária de França através do envio do porta-aviões de propulsão nuclear Charles de Gaulle, acompanhado por um numeroso conjunto multinacional de escoltas e navios de apoio, rumo ao Atlântico Norte, com uma clara projeção de operações para o Ártico.

Entre os desenvolvimentos mais recentes - inseridos no que se pode designar por fase de concentração e “aquecimento” - destacou-se a integração da fragata Mohammed VI, da Marinha Real do Reino de Marrocos, no Grupo Aeronaval francês, reforçando um contingente de escoltas multinacionais em crescimento.

Integração da Mohammed VI no Grupo Aeronaval Charles de Gaulle

A Mohammed VI é o navio-capitânia da marinha marroquina e pertence à variante de guerra antissubmarina das fragatas FREMM. Entrou ao serviço a 30 de junho de 2014. A sua presença na Operação Orión sublinha o peso que esta atividade multinacional assume para as Forças Armadas do país do Norte de África - tanto pela demonstração de capacidades como pelo nível de prontidão, preparação e treino em contexto de coligação que a guarnição poderá consolidar.

Esta relevância fica bem patente nas ações realizadas antes da incorporação formal no grupo liderado pelo Charles de Gaulle: a fragata conduziu treinos e manobras com um dos navios da Marinha Nacional francesa que integra a escolta do porta-aviões.

Cooperação naval França–Marrocos e interoperabilidade

Do lado francês, através da conta oficial do Grupo de Ataque de Porta-Aviões, foi salientado que a participação da Mohammed VI constitui um passo importante para aprofundar as relações entre os dois países, alargando a cooperação e, sobretudo, a interoperabilidade entre as respetivas marinhas.

Num exercício desta natureza, interoperabilidade significa operar com procedimentos comuns e comunicações compatíveis, permitindo que navios de diferentes bandeiras integrem a mesma arquitetura tática: partilha de imagem operacional, coordenação de escolta, gestão do espaço aéreo e sincronização de tarefas, sem perda de eficácia.

Reforço do grupo multinacional de escoltas

Nos últimos dias, o Grupo Aeronaval do Charles de Gaulle tem também crescido com a chegada de meios de outras nações. Entre as integrações mais destacadas encontram-se:

  • a fragata F-101 Álvaro de Bazán, da Marinha Espanhola;
  • a fragata HNLMS Evertsen (F805), da Marinha Real dos Países Baixos.

Este alargamento do dispositivo aumenta a densidade de capacidades disponíveis para proteção do porta-aviões e para a condução de operações combinadas no Atlântico Norte e em ambientes exigentes como o Ártico, onde fatores meteorológicos e limitações de comunicações testam o planeamento e a execução.

Dimensão da Operação Orión

Para perceber a escala do exercício, basta referir os números envolvidos:

  • 12 000 militares
  • 25 navios
  • 140 aeronaves e aeronaves não tripuladas
  • unidades terrestres destacadas em diferentes regiões de França

Além de França, Marrocos e Espanha, participam ainda Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, Estónia, Croácia, Itália, Grécia, Japão, Noruega, Luxemburgo, Países Baixos, Polónia, Catar, Roménia, Reino Unido, Singapura e Suíça.

Próxima fase: comando e controlo segundo padrões da OTAN

À medida que a fase de planeamento e concentração se aproxima do fim, a Operação Orión avançará para a etapa seguinte com a integração de todos os meios e ativos militares sob uma estrutura de comando e controlo alinhada com os padrões da OTAN.

Esta transição para um quadro de C2 (Command and Control) normalizado é, muitas vezes, o momento em que se avalia com maior rigor a capacidade de uma força multinacional funcionar como um todo: regras de empenhamento, cadeias de reporte, processos de decisão e coordenação entre domínios (marítimo, aéreo e terrestre) passam a ser testados de forma mais integrada.


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