O Exército Argentino mantém para 2026 um projecto destinado a incorporar camiões tratores para apoiar a sua artilharia antiaérea. A iniciativa, que já tinha um precedente em 2025, voltou a constar do Plano de Investimentos 2026–2028, acompanhado do valor previsto para aplicação no ano em causa.
O projecto surge identificado pelo código BAPIN 151302 e recebe a designação “Incorporação de camiões tratores para material de artilharia antiaérea do Exército Argentino”. No anexo do Plano de Investimentos Públicos, é indicado que, para 2026, está prevista uma dotação de 750 milhões de pesos, sem que sejam divulgados pormenores adicionais sobre quantidades, calendário de entrega ou configuração dos veículos.
Antecedente (2025) e a execução do investimento
Em 2025, o investimento já tinha contemplado uma proposta muito semelhante, sob o código BAPIN 148104. Nesse caso, o objectivo era a aquisição de 24 camiões de carga 6×6 com engates Oshkosh (conforme referido na documentação). Contudo, a 31 de Janeiro de 2026, o montante registado como executado era de 0 pesos, indicando que não houve progressos na concretização dessa compra.
Frota actual e impactos do programa VCBR 8×8 no Exército Argentino
O Exército Argentino dispõe hoje de uma frota relevante de camiões da família MTV, com destaque para os M1083A1P2 e os M1083 LHS (porta-contentores). Uma parte significativa destes veículos encontra-se em serviço em unidades integradas na X.ª Brigada Mecanizada.
Um ponto importante é que estes camiões poderão vir a ser substituídos na sua função actual (transporte de tropas) quando avançar o projecto central de incorporação de VCBR 8×8 (Veículos de Combate Blindados sobre Rodas), iniciativa que prevê a compra de 209 viaturas.
A par disso, a introdução de novos meios de manobra e combate tende a aumentar a exigência sobre o apoio logístico: camiões tratores dedicados podem libertar viaturas de transporte geral para missões próprias e, ao mesmo tempo, assegurar que peças, radares e sistemas de comando se movimentam com maior rapidez e segurança, sobretudo em deslocações longas e em terreno difícil.
Também merece atenção o tema do suporte ao ciclo de vida. A adopção de uma plataforma de camião mais homogénea (quando possível) simplifica formação de condutores e mecânicos, reduz a diversidade de sobressalentes e facilita contratos de manutenção - factores que, em programas prolongados, podem ser tão determinantes quanto o custo de aquisição.
Artilharia Antiaérea do Exército Argentino: camiões tratores e modernização
A Artilharia Antiaérea do Exército Argentino continua a aguardar uma ampliação do processo de actualização impulsionado pelo projecto “Modernização do Sistema de Defesa Antiaérea do Exército Argentino”. Trata-se de uma iniciativa em execução que visa incorporar sistemas de defesa aérea de média, curta e muito curta cobertura, além de viaturas e radares, entre outros meios de apoio.
Um dos registos mais recentes da Zona Militar com a Artilharia Antiaérea do Exército em operações no terreno ocorreu durante o exercício Aonikenk, um treino conjunto realizado em 2024 na Base de Infantaria de Fuzileiros Navais “Baterias”. Nessa altura, a Secção de Peças com canhões Oerlikon Contraves GDF de 35 mm e o director de tiro Skyguard deslocavam-se com camiões VW Constellation, tal como o restante material empregue no exercício.
Possíveis razões para optar por Oshkosh e expandir a frota tractora
A hipótese de aquisição de camiões Oshkosh pode estar ligada a uma tentativa de padronização dos meios do Agrupamento de Artilharia Antiaérea do Exército 601 com o material habitualmente empregue pela Força de Desdobramento Rápido, que conta com unidades mecanizadas equipadas com M1083A1P2.
Em paralelo, a expansão da frota de veículos tratores pode reflectir um eventual avanço do programa de modernização da própria artilharia antiaérea. Embora não esteja prevista a incorporação de novos sistemas GDF/Skyguard, o projecto inclui a aquisição de:
- “Sistemas lançadores de mísseis de média cobertura”;
- “Sistemas de lançamento de mísseis portáteis de baixa e muito baixa cobertura RBS 70 Refurbished”.
A introdução de novos lançadores e sensores tende a aumentar a necessidade de plataformas de reboque e transporte dedicadas, capazes de garantir mobilidade táctica e sustentação contínua, sobretudo quando se pretende operar em destacamentos dispersos e com elevada cadência de reposicionamento.
Radares AESA RMF-200V da INVAP e integração em viaturas
O Exército Argentino prevê igualmente incorporar os radares tácticos AESA RMF-200V, desenvolvidos e fabricados pela INVAP. Em 2023, a empresa de Río Negro e a força acordaram o desenvolvimento e a compra de três destes radares, que seriam instalados em viaturas, admitindo-se a possibilidade de serem montados em camiões Oshkosh FMTV.
Imagem de capa meramente ilustrativa. Créditos: Zona Militar
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