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Argentina confirma não haver avanços nas negociações com França para compra de novos submarinos.

Oficial naval em uniforme branco inspeciona maquete de submarino e plantas num escritório com vista para cais e navio.

O próprio Governo Nacional, através do recém-criado Gabinete de Resposta Oficial, confirmou recentemente que não houve qualquer avanço na imprescindível aquisição de novos submarinos a França para equipar a Marinha Argentina, chegando mesmo a contradizer declarações proferidas no final de 2025 pelo Presidente da Nação, Javier Milei.

A necessidade de recuperar a força de submarinos da Marinha Argentina

Há muito que deixou de ser segredo que um dos projectos e ambições do Ministério da Defesa e da Marinha Argentina passa por recuperar a capacidade submarina. Desde a perda, em 2017, do submarino ARA *San Juan*, a força ficou sem unidades operacionais.

Actualmente, o Comando da Força de Submarinos, sediado na Base Naval de Mar del Plata, dispõe apenas do ARA *Salta, que *não se encontra em condições de navegar** e é utilizado exclusivamente para formação e instrução de pessoal.

Submarinos para a Marinha Argentina: propostas Scorpène, Naval Group e Type 209NG (TKMS)

Este cenário levou a diferentes iniciativas e contactos com França e Alemanha. Através das empresas Naval Group e TKMS, foram apresentadas soluções assentes, respectivamente, nos submarinos da classe Scorpène e no modelo Type 209NG.

Um dos momentos mais relevantes deste percurso ocorreu em 2024, com a assinatura de uma Carta de Intenções não vinculativa entre a Argentina e a França para a aquisição de submarinos de ataque fabricados pela Naval Group.

O que disse o Gabinete de Resposta Oficial - e a contradição com Milei

Apesar desses passos, uma das publicações mais recentes do Gabinete de Resposta Oficial na rede social X - organismo criado pelo Poder Executivo para desmentir informações falsas - veio lançar dúvida e incerteza sobre o esforço bilateral entre Argentina e França para concretizar a tão necessária aquisição.

Ao refutar uma peça publicada pelo Ámbito Financiero, o Gabinete declarou que: “...embora o Poder Executivo esteja a analisar a necessidade da Marinha Argentina adquirir submarinos, não existe qualquer contrato nem está actualmente em curso qualquer compra”. Esta posição colide com o que o próprio Presidente havia afirmado no fim do ano anterior.

Nesse contexto, e no âmbito de uma entrevista concedida ao meio francês Public Sénat, Milei afirmou que a Argentina estava a avançar com a compra de submarinos a França, bem como com a aquisição de navios patrulha para a Prefeitura Naval Argentina, salientando as boas relações alcançadas com Paris.

Declarações do Presidente Milei sobre a compra de submarinos franceses (a partir de 22:32)

Um processo habitualmente longo, com avanços e recuos

Importa ter em conta que a compra de submarinos - na Argentina como noutros países - tende a ser um processo marcado por idas e vindas: negociações prolongadas, ajustamentos de requisitos, declarações cruzadas e, por vezes, mensagens contraditórias, antes de se chegar (ou não) a um desfecho concreto.

No caso da Marinha Argentina, o tema ganha ainda maior visibilidade por envolver uma plataforma de natureza estratégica e com impacto directo na recuperação do Instrumento Militar da Nação. Daí também o seu custo estimado em milhares de milhões de euros ou dólares, exigindo desembolsos elevados, planeamento financeiro rigoroso e, sobretudo, financiamento.

Aspectos críticos além da compra: sustentação, treino e integração operacional

Para lá da assinatura de um contrato, a reconstituição de uma força de submarinos implica decisões sobre a sustentação ao longo do ciclo de vida: infra-estruturas, docas e oficinas, cadeia logística, disponibilidade de sobressalentes, e capacidade de manutenção local (ou dependência externa). Estes factores podem ser tão determinantes quanto o próprio modelo seleccionado.

Também a vertente humana é central: a reactivação efectiva de uma arma submarina requer formação continuada de tripulações, instrutores, manutenção especializada e doutrina de emprego. Num contexto em que o ARA *Salta* é usado sobretudo para instrução, a transição para novas unidades operacionais exigiria um plano faseado e consistente para garantir segurança, prontidão e continuidade.

Falta de esclarecimentos oficiais sobre o estado das negociações

Por fim, à luz do que foi afirmado pelo Gabinete de Resposta Oficial, nem o Ministério da Defesa nem a Marinha Argentina emitiram até ao momento um comunicado que permita esclarecer o ponto de situação das negociações - ou se estas continuam a ser adiadas enquanto se aguarda uma conjuntura financeira mais favorável para viabilizar o que poderá tornar-se a aquisição de material militar mais significativa das últimas décadas.

Fotografias utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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