O Exército do Ar e do Espaço de Espanha terminou, por fim, o seu destacamento no âmbito da missão de polícia aérea da OTAN no Báltico, depois de completar duas rotações consecutivas a partir da Base Aérea de Šiauliai, na Lituânia. A partir desta localização, os seus caças EF-18M Hornet integraram o dispositivo de defesa do flanco oriental, assegurando a vigilância e a resposta imediata a aproximações suspeitas ao espaço aéreo aliado.
De acordo com a informação divulgada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) durante o período do destacamento, o contingente espanhol manteve ininterruptamente a Alerta de Reação Rápida (QRA - Quick Reaction Alert). No total, somou mais de 900 horas de voo e realizou mais de 25 “Scrambles Alfa”, isto é, descolagens de interceção ordenadas quando aeronaves não identificadas se aproximavam do espaço aéreo da OTAN.
EF-18M Hornet na missão de polícia aérea do Báltico: interceções e prontidão QRA
Neste enquadramento, os EF-18M espanhóis estiveram envolvidos em várias interceções de aeronaves, incluindo caças Su-30SM2 da Marinha da Federação Russa no Báltico no final de janeiro deste ano, bem como aviões de ataque Su-24M russos detetados há poucas semanas. Nestes últimos casos, as aeronaves foram identificadas a operar em espaço aéreo internacional sem planos de voo ou sem identificação adequada.
Este tipo de ação constitui o núcleo da Polícia Aérea do Báltico, uma operação desenhada para garantir a segurança do espaço aéreo de Lituânia, Letónia e Estónia - países que dependem da cobertura aérea proporcionada pelos aliados da OTAN.
Para além da componente operacional imediata (vigilância e interceção), a presença constante de destacamentos rotativos no Báltico funciona como uma medida de dissuasão e de tranquilização, assegurando que existe capacidade de resposta rápida mesmo em cenários de elevada incerteza e com tráfego aéreo militar próximo das fronteiras da Aliança.
Exercícios multinacionais e Emprego Ágil em Combate (ACE)
A par das missões de alerta e interceção, o contingente espanhol participou em exercícios multinacionais, incluindo Agile Lynx, Tiger Hunter e Furious Wolf. Em complemento, realizou 10 atividades de Emprego Ágil em Combate (ACE - Agile Combat Employment), orientadas para reforçar a aptidão de operar a partir de locais dispersos e em condições variáveis e dinâmicas.
Estas atividades incluíram treino de interoperabilidade com a Força Aérea da Lituânia, contribuindo para aumentar a flexibilidade operacional do destacamento e a capacidade de integrar procedimentos, comunicações e coordenação com a nação anfitriã.
A dimensão logística e de apoio em terra é igualmente determinante neste tipo de missão: operar em regime QRA implica pessoal e meios prontos a atuar a qualquer hora, com manutenção acelerada, abastecimentos contínuos e coordenação estreita com a base anfitriã para assegurar que as aeronaves e tripulações mantêm níveis elevados de disponibilidade.
Proteção contra drones (C-UAS CROW) e reabastecimento em voo com A400M
O destacamento integrou também capacidades adicionais, incluindo defesa contra drones através do sistema C-UAS CROW, direcionado para proteger tanto o efetivo destacado como as infraestruturas da base.
Em paralelo, aeronaves de transporte A400M espanholas participaram em missões de reabastecimento em voo, aumentando o raio de ação e a permanência operacional não só dos EF-18M, como também de outras aeronaves aliadas presentes na região.
Atividades com as nações anfitriãs e transição para novos destacamentos
Em articulação com as nações anfitriãs, o contingente desenvolveu iniciativas de presença e garantia, incluindo sobrevoos na Lituânia e na Estónia assinalando os respetivos dias de independência, enquadrados nas medidas de visibilidade e compromisso no seio da OTAN.
Com o encerramento desta rotação, Espanha transferiu as suas responsabilidades para novos destacamentos da Roménia e de França, assegurando a continuidade, sem interrupções, da missão de polícia aérea no Báltico.
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