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Honda NSX-R é o 911 GT3 RS japonês que nasceu antes do tempo

Carro desportivo branco Honda NSX-R GT3RS estacionado em interior moderno com luz natural.

Menos peso, mais tudo

Há desportivos que impressionam pelo cronómetro e outros que conquistam pela forma como fazem o condutor sentir-se parte da máquina. E depois há os que nascem de uma teimosia quase obsessiva de uma equipa de engenheiros. O Honda NSX-R é claramente desse grupo.

Muito antes de a Porsche elevar o 911 GT3 RS a referência máxima de precisão em pista, a Honda já estava a perseguir exatamente a mesma ideia. Só que fê-lo à sua maneira: com menos espetáculo e mais trabalho de detalhe.

O resultado? Um dos melhores carros desportivos de sempre. E sim, sem rodeios: o Honda NSX-R é o verdadeiro «911 GT3 RS japonês».

À primeira vista, a receita do NSX-R parece simples - mas não é. Partindo do já brilhante Honda NSX, os engenheiros da Honda fizeram aquilo que hoje é quase um cliché, mas que na época estava longe de ser óbvio: cortar peso. Muito peso.

Falamos de eliminar isolamento acústico, sistema de som, ar condicionado (opcional, porque também há limites para o sofrimento…), e trocar praticamente tudo o que fosse possível por soluções e materiais mais leves.

Até os bancos “normais” deram lugar a verdadeiras «conchas» Recaro em fibra de carbono, dignas de um carro de competição. O resultado desta dieta rigorosa? Apenas 1230 kg, menos cerca de 120 kg face ao NSX original.

Pode não parecer uma diferença enorme, mas transforma tudo. Até porque, por baixo do vidro traseiro, continuava o mesmo V6 atmosférico VTEC de 3,0 litros (mais tarde passou para 3,2 litros na versão NA2), com uma sonoridade que merece ser preservada e com 280 cv - o máximo permitido na altura pelo «acordo de cavalheiros» entre os construtores japoneses.

Eu sei: 280 cv não impressionam pelos padrões atuais. Mas o Honda NSX-R nunca foi sobre números. Foi sempre sobre ligação homem/máquina e pureza ao volante.

Afinado por quem sabe

Era (e é) um verdadeiro driver’s car, capaz de agradar até ao mais exigente dos condutores: Ayrton Senna da Silva. Sabe-se que o piloto brasileiro teve três exemplares do NSX e foi peça-chave no seu desenvolvimento. Não há registos de que tenha tido um NSX-R, mas a sua marca sente-se em praticamente tudo.

Tanto que Senna esteve na apresentação do NSX-R, no Circuito de Suzuka, no Japão, e brindou-nos com um dos melhores vídeos de sempre. Vejam e ouçam:

Sem fato de piloto, de mocassins clássicos e com um jogo de pés quase hipnótico, Senna brilhou. Sempre acompanhado por uma banda sonora V6 VTEC que raramente desceu das 6000 rpm.

Este casamento não podia ser mais perfeito. A mesma obsessão quase doentia que todos associavam a Senna estava também presente no Honda NSX-R: um chassis afinado à exaustão, uma direção sem filtros, uma caixa manual que era um tratado de precisão e sem rede de segurança digital.

Não havia modos de condução, botões “Sport Plus” ou eletrónica intrusiva para nos amparar. Havia apenas talento. Ou a falta dele.

Anti-supercarro

O Honda NSX-R nunca tentou ser o mais rápido em linha reta, apesar de ter ficado conhecido como «mata-Ferrari». Nunca quis impressionar com números absurdos ou com um design extravagante. E, sejamos honestos: nunca precisou.

Tal como o Porsche 911 GT3 RS, o Honda NSX-R é feito para quem coloca a experiência de condução pura e analógica no topo de um pedestal. Para quem se perde nos detalhes. Para aquele instante em que tudo encaixa depois de uma sequência de curvas bem feita.

A diferença é que o fez anos antes de (quase) todos os outros, sem aparato e com discrição, «à japonesa». E durante muito tempo essa discrição fez com que muitos não lhe dessem o devido valor.

Mas o facto de unidades recentes terem sido vendidas em leilão por valores a roçar o milhão de euros prova que a justiça está, finalmente, a ser feita. Já não era sem tempo.

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