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A Austrália vai comprar componentes essenciais de propulsão nuclear ao Reino Unido por 310 milhões de dólares australianos para os futuros submarinos AUKUS.

Dois homens em uniforme técnico analisam planta junto a equipamento e tablet numa doca com submarino ao fundo.

O Governo australiano, no âmbito do Programa AUKUS, anunciou a compra ao Reino Unido de componentes críticos de propulsão nuclear no valor de 310 milhões de dólares australianos (cerca de 205 milhões de dólares norte-americanos), destinados à construção dos futuros submarinos de ataque que irão equipar a Royal Australian Navy.

Segundo a nota divulgada pelo Department of Defence da Austrália, o investimento diz respeito à aquisição de itens de longa antecedência (long lead items): peças e subconjuntos de elevada complexidade, com prazos de fabrico alargados, que têm de ser encomendados com vários anos de antecedência. Neste caso, tratam-se de componentes associados ao sistema de propulsão nuclear dos futuros SSN-AUKUS.

Um passo concreto no calendário do Programa AUKUS

De forma resumida, o Programa AUKUS está organizado em fases sucessivas. Na primeira etapa (conhecida como Pilar I), a Austrália irá acolher destacamentos rotativos de submarinos de ataque de propulsão nuclear da U.S. Navy e da Royal Navy nas suas bases. O objectivo é permitir que o pessoal da Royal Australian Navy ganhe experiência operacional e logística na sustentação deste tipo de plataforma.

Em paralelo, decorre uma transferência gradual de capacidades industriais, a formação de quadros técnicos e a adaptação de infra-estruturas estratégicas em território australiano. No horizonte, durante a década de 2030, está prevista a construção local dos futuros SSN-AUKUS no estaleiro de Osborne, consolidando a capacidade australiana para produzir e manter submarinos de propulsão nuclear.

A aquisição antecipada destes itens é relevante porque reduz o risco de atrasos numa cadeia de fornecimento exigente e altamente especializada. Em programas desta dimensão, garantir cedo componentes de fabrico demorado é, muitas vezes, o que permite manter o ritmo de planeamento industrial e evitar estrangulamentos quando o projecto entra em fases mais intensivas.

O que inclui a compra para os submarinos SSN-AUKUS?

Os sistemas de propulsão nuclear dos submarinos AUKUS assentarão em tecnologia britânica, com base num desenho que evolui da experiência da classe Astute da Royal Navy. Nesse enquadramento, o reactor será fornecido pelo Reino Unido, enquanto os Estados Unidos contribuirão com tecnologia complementar e cooperação industrial ao abrigo do acordo trilateral.

Nesta linha, a compra precoce destes componentes confirma que o calendário industrial está a avançar para uma fase prévia à produção inicial, prevista para o final desta década. Importa esclarecer que, nesta fase, a Austrália não irá fabricar o reactor nuclear; em vez disso, irá integrar módulos produzidos no Reino Unido no seu próprio programa de construção naval em Osborne, na Austrália. O vice-primeiro-ministro, Richard Marles, sublinhou: «A Austrália continua a trabalhar com o Reino Unido e os Estados Unidos para desenvolver as capacidades, competências e especialização que apoiarão a nossa capacidade de construir, operar e sustentar submarinos de propulsão nuclear.»

Além do impacto industrial directo, esta evolução obriga também a reforçar rotinas de engenharia, planeamento de manutenção e cultura de segurança. A operação de plataformas de propulsão nuclear implica padrões particularmente exigentes de qualificação técnica, procedimentos, auditorias e coordenação entre entidades civis e militares, factores que passam a influenciar toda a arquitectura do programa - desde o estaleiro até às bases navais.

A classe Astute em solo australiano e a transição operacional

Este anúncio surge poucos dias após a chegada à Austrália do submarino de ataque de propulsão nuclear HMS Anson, da classe Astute da Royal Navy, a HMAS Stirling. A deslocação enquadra-se no objectivo de realizar o primeiro período de manutenção de um submarino nuclear britânico em território australiano.

Esta iniciativa integra um quadro mais amplo de cooperação e transição para a futura capacidade australiana e, simultaneamente, representa a primeira actividade de manutenção efectuada na Austrália a um submarino de propulsão nuclear do Reino Unido no âmbito do UK Submarine Maintenance Period (UK SMP). De acordo com comunicações oficiais, o navio deverá integrar a Submarine Rotational Force–West (SRF-West) em 2026, operando a partir de HMAS Stirling, nas proximidades de Perth.

Para lá do simbolismo, a presença desta unidade - a par de anteriores destacamentos da U.S. Navy para a Austrália - transmite uma mensagem dupla: reforça a interoperabilidade no Indo-Pacífico e acelera a curva de aprendizagem das equipas australianas (tripulações e engenheiros) na sustentação de plataformas de propulsão nuclear.

Fotografias utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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