Uma especialista em bem-estar revela seis truques surpreendentemente simples para aplicar no dia a dia.
Muita gente sente-se, nesta fase, emocionalmente drenada: dias curtos e escuros, listas de tarefas intermináveis e noites mal dormidas. Em vez de propor uma mudança de vida radical, a especialista britânica Anna Tomkins sugere seis pequenas rotinas fáceis de encaixar na agenda - e que, de acordo com a evidência disponível, podem funcionar como um verdadeiro impulsionador de humor.
Porque as pequenas mudanças costumam resultar melhor do que os grandes propósitos
O problema raramente é falta de força de vontade; é, quase sempre, excesso de ambição. Um “novo estilo de vida” completo, uma dieta rígida ou um treino intenso todos os dias acabam por ser difíceis de sustentar. Micro-passos tendem a ser mais eficazes: exigem pouca resistência inicial, dão um sinal rápido de progresso e abrem caminho para o passo seguinte.
Quem cultiva hábitos pequenos e realistas com regularidade cria uma espécie de almofada emocional, que ajuda a manter estabilidade no quotidiano.
É precisamente aqui que entram as seis rotinas descritas por Tomkins. Elas atacam fontes comuns de stress: tarefas por fechar, sensação de isolamento, alimentação desequilibrada, sedentarismo, falta de leveza no dia a dia e sono insuficiente.
Antes de começar, ajuda escolher um momento “âncora” (por exemplo, depois do pequeno-almoço ou ao final da tarde). Assim, a nova rotina fica associada a algo que já acontece todos os dias - e torna-se mais fácil manter consistência, sobretudo em semanas mais exigentes.
1) Riscar uma tarefa irritante - e libertar a cabeça
Quase toda a gente tem “aquela” pendência que se arrasta há semanas: um formulário, um telefonema, um e-mail, uma marcação que já devia estar feita. Estes “finais em aberto” continuam a consumir energia em segundo plano e alimentam stress silencioso.
A recomendação de Tomkins é clara: escolha deliberadamente uma tarefa pequena e controlável e feche-a hoje. Não precisa ficar perfeita - precisa é ficar concluída.
- Reserve no máximo 20–30 minutos
- Telemóvel em silêncio e sem distrações
- No fim, risque fisicamente (ou assinale como concluído)
Isto liga-se ao Efeito Zeigarnik: tarefas inacabadas ficam mais “presas” na mente do que as concluídas. Ao eliminar nem que seja um item, muitas pessoas sentem um alívio imediato - e recuperam energia mental para outras áreas.
2) Falar por instantes com alguém desconhecido
Há quem se sinta socialmente “em baixo”, apesar de estar constantemente online. O que muitas vezes falta são contactos reais e espontâneos: duas frases na caixa do supermercado, uma troca rápida com o barista, um “bom dia” no prédio ou um comentário no comboio.
Tomkins sublinha que a maioria das pessoas está mais disponível para pequenos contactos do que imaginamos. Uma frase simpática, uma pergunta simples ou um sorriso genuíno podem ser suficientes para reduzir a sensação de isolamento.
Como iniciar conversa sem cair em silêncio constrangedor
- Comentar o tempo ou o contexto (“Hoje está tudo cheio…”)
- Fazer um elogio simples e natural (“Gosto dessa mochila - onde a comprou?”)
- Pedir uma opinião rápida (“Recomenda estes pães?”)
Este tipo de micro-interações melhora comprovadamente o humor, mesmo que nunca volte a ver a pessoa. Com o tempo, a solidão tende a diminuir e ganha-se mais confiança para se aproximar de outros.
3) Verde no prato: legumes como impulsionador de humor
A alimentação não mexe apenas com o peso; também influencia o bem-estar psicológico. Tomkins não defende dietas restritivas - prefere uma regra-base simples: todos os dias, aumentar o consumo de verde e cores no prato.
Mais legumes significam mais fibra, vitaminas e compostos bioactivos - o que ajuda a estabilizar energia, microbiota intestinal e humor.
Ideias práticas para incluir mais “verde” sem complicar: - Juntar um punhado de espinafres ou rúcula a cada refeição quente - Ter legumes congelados no congelador para acompanhamentos rápidos - Trocar doces frequentes por snacks crus (pepino, pimento, cenoura) - Fazer uma salada colorida como base e acrescentar o que apetecer: queijo, ovos, leguminosas
Quando “melhora” os snacks - por exemplo, iogurte com fruta em vez de bolachas simples - alimenta o cérebro com nutrientes de forma mais contínua. Isso pode reduzir quebras de rendimento e episódios de fome intensa.
4) Sair da armadilha da cadeira: tornar a movimentação viável no quotidiano
Muitas pessoas passam oito ou nove horas sentadas. O corpo abranda, a musculatura fica tensa e a mente torna-se mais lenta. Tomkins não aponta para um ginásio; sugere ilhas mínimas de movimento.
Bastam poucos minutos de actividade para “acordar” a circulação e ajudar a baixar hormonas de stress.
Ideias pequenas para mexer o corpo sem “programa de treino”
- Fazer uma volta de 10 minutos ao quarteirão ao fim do dia
- Subir escadas em vez de elevador, quando der
- Pôr música enquanto arruma ou cozinha e dançar de propósito
- Fazer telefonemas de pé ou a andar pela casa
- A cada 60 minutos, levantar-se e soltar braços e ombros
A chave, diz Tomkins, é reduzir a barreira de entrada ao mínimo: se for preciso, faça só três minutos. Objectivos muito baixos tornam o início quase inevitável - e muitas vezes acaba por fazer mais do que planeou.
5) Levar-se menos a sério - e ser deliberadamente parvo
Em muitos quotidianos instala-se uma seriedade constante: trabalho, contas, notícias, família. O humor e a brincadeira vão ficando para trás, apesar de corpo e cérebro reagirem fortemente à leveza.
Tomkins propõe dar-se, com regularidade, “autorização para ser parvo”. Pode ser algo totalmente banal: - Inventar uma frase absurda de uma canção e cantá-la em voz alta - Fazer imitações exageradas ao espelho da casa de banho - Fazer disparates com filhos ou com o/a parceiro/a - Rir com a melhor amiga de velhas piadas internas
O riso liberta endorfinas, alivia tensão e faz os problemas parecerem menores - pelo menos por uns momentos.
Ajuda também lembrar: a maioria das pessoas está demasiado ocupada consigo própria para reparar (e avaliar) cada pequena excentricidade dos outros. Essa consciência facilita largar o controlo.
6) Deitar mais cedo: o sono como factor de felicidade subestimado
Muita gente não percebe até que ponto a falta de descanso afecta o humor. Irritabilidade, ruminação mental e hipersensibilidade ao stress aumentam quando o corpo não recupera.
Tomkins sugere uma alavanca simples: quando possível, deitar-se 20–30 minutos mais cedo do que o habitual. Ao longo de uma semana, essa meia hora transforma-se em várias horas extra de sono.
Ritual de noite em vez de maratona de ecrãs (Anna Tomkins e o bem-estar)
- Reduzir claramente os ecrãs na última hora antes de dormir
- Ler um livro em papel ou escrever pensamentos num caderno
- Respiração curta: inspirar 4 segundos, expirar 6 segundos
- Definir uma hora fixa para “luz apagada” e cumprir
Um ritual repetido envia ao cérebro o sinal de que é hora de abrandar. Dormir melhor ajuda a processar stress com mais estabilidade emocional e a começar o dia seguinte com mais calma.
Como as seis rotinas se reforçam entre si
A parte mais interessante surge quando vários micro-passos coincidem. Quem dorme melhor tem mais energia para se mexer. Quem se mexe, muitas vezes, escolhe comida mais equilibrada quase sem dar por isso. E quem tem pequenos contactos sociais sente-se mais motivado para fechar pendências e riscar tarefas.
| Hábito | Efeito directo | Benefício a longo prazo |
|---|---|---|
| Riscar uma tarefa | Menos stress, sensação clara de “feito” | Menos procrastinação, mais autoconfiança |
| Conversa com desconhecidos | Melhor humor, menos solidão | Maior sensação de pertença |
| Mais legumes | Energia mais estável | Saúde melhor e psique mais robusta |
| Mais movimento | Subida perceptível do humor | Menos tensão muscular, sono melhor |
| Ser parvo | Endorfinas e riso | Relações mais leves, mais criatividade |
| Dormir mais cedo | Recuperação, cabeça mais clara | Nervos mais resistentes no dia a dia |
Como começar, na prática - sem pressão nem perfeccionismo
Não é obrigatório aplicar os seis pontos de uma vez. Costuma resultar melhor fazer um teste de sete dias com dois ou três favoritos. Por exemplo: “todos os dias, uma conversa curta, algo verde no prato e dez minutos de movimento” - isto dá resultados rápidos e motivadores.
Deslizes fazem parte. Um dia caótico em que não consegue cumprir nada não apaga os benefícios dos restantes. O essencial é retomar no dia seguinte, em vez de deitar o plano todo fora.
Se, apesar destas mudanças, o cansaço emocional for persistente, intenso ou acompanhado de ansiedade/depressão marcadas, vale a pena procurar apoio profissional (médico/a de família ou psicólogo/a). As rotinas ajudam, mas não substituem acompanhamento quando o sofrimento é significativo.
Psicólogas e psicólogos observam que quem pratica este tipo de micro-hábitos passa a sentir que tem mais controlo sobre a própria vida. Esse sentido de auto-eficácia é um dos factores mais consistentes para aumentar a satisfação no quotidiano - e é exactamente esse o alvo das propostas de Anna Tomkins.
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