Muitos tutores esperam, depois do inverno, poder voltar a fazer passeios mais longos com o seu cão em zonas verdes. No entanto, é precisamente nesta altura que aumenta o risco de os cães entrarem em contacto com lagartas processionárias. Com as alterações climáticas, o período em que estes insectos circulam está a mudar - e, com isso, prolonga-se a fase em que um simples farejar no sítio errado pode transformar-se numa emergência.
Perigo prolongado: as lagartas processionárias estão agora activas até ao fim da primavera
Durante muito tempo, a ideia era simples: quem passasse Fevereiro e Março sem incidentes podia começar a relaxar nos passeios pelo pinhal. Hoje, esse “calendário” já quase não serve de referência. Invernos mais amenos e a ausência de geadas fortes alteram de forma duradoura o ritmo de vida destes insectos.
Especialistas florestais têm verificado que o desenvolvimento das lagartas se estende por um intervalo mais longo. Como consequência, também se atrasa o momento em que abandonam os ninhos e atravessam o solo nas típicas “procissões”. Em vez de surgirem apenas durante algumas semanas, em muitos locais as lagartas mantêm-se em movimento até ao final de Abril - e, nalguns casos, ainda por mais tempo, sobretudo quando a primavera é particularmente quente.
A fase em que os tutores precisam de estar especialmente atentos às lagartas processionárias prolonga-se hoje muito mais pela primavera dentro do que acontecia há poucos anos.
Para os cães, isto significa um risco acrescido precisamente quando os trilhos de terra e os caminhos de floresta estão mais convidativos e a vegetação está mais verde. A probabilidade de se cruzarem com uma “fila” de lagartas aumenta, e muitos animais ficam fascinados com estas “fitas” em movimento no chão: aproximam-se, enfiam o focinho, ou até tentam apanhar uma - e é nesse instante que começa o problema.
Um ponto importante é que a exposição não acontece apenas por contacto directo. Como os pêlos urticantes se soltam com facilidade, podem ficar no solo, em folhas, na relva e até ser transportados pelo vento em redor de zonas com ninhos, o que torna a prevenção ainda mais exigente durante esta época.
A arma invisível: o que explica o efeito extremamente tóxico
À primeira vista, as lagartas processionárias podem parecer inofensivas: pequenas, peludas, quase “fofas”. O perigo, porém, está nos pêlos. Neles encontra-se um mecanismo de defesa altamente agressivo. A substância-chave chama-se Thaumetopoein, uma proteína que pode desencadear reacções intensas no organismo.
Estes tóxicos não estão “soltos”: estão contidos em incontáveis pêlos urticantes microscópicos. Os pêlos funcionam como minúsculos arpões, são extremamente leves e destacam-se ao mínimo toque. Conseguem penetrar em mucosas, na pele e até nos olhos, sem que seja possível detectá-los a olho nu.
Como medida prática, faz sentido planear percursos com atenção acrescida nesta fase: evitar áreas conhecidas por terem ninhos, não deixar o cão farejar filas de insectos no chão e manter o animal mais perto do tutor em zonas de pinhal pode reduzir de forma significativa a probabilidade de contacto.
Quão depressa surgem os sintomas no cão após contacto com lagartas processionárias
Assim que um cão fareja ou lambe uma lagarta processionária, inúmeros pêlos urticantes ficam presos na boca, na língua e na garganta. Poucos minutos depois, o animal costuma já evidenciar sinais claros de desconforto:
- salivação intensa e de início súbito
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