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Próximos Lexus RC de estrada e competição estão a ser desenvolvidos ao mesmo tempo

Dois carros desportivos Lexus RC GT3 DNA, um branco e outro preto, estacionados em oficina com esboços no vidro.

Nem só de SUV vive a estratégia futura da Lexus: tudo indica que o seu coupé RC, rival direto de propostas como o BMW Série 4 e o Audi A5, está a caminho de uma nova geração.

O mais relevante é que o plano para esta renovação já prevê, à partida, um novo RC GT3 destinado aos circuitos - assumindo o lugar do atual RC F GT3 -, sendo que os dois projetos (o modelo de estrada e o de competição) estão a ser trabalhados em paralelo.

Lexus RC e RC GT3: desenvolvimento conjunto para melhor dinâmica e desempenho

Esta abordagem é particularmente promissora para quem espera um RC mais competente em termos de comportamento e de prestações. Ao definir desde cedo opções de arquitetura, chassis e aerodinâmica com o foco na pista, a Lexus pode assegurar, logo na génese do projeto, uma base mais competitiva em ambiente de competição.

Na prática, quando o automóvel de competição influencia o de produção desde o início, tendem a surgir melhorias mais consistentes em áreas como a gestão de massas, a rigidez estrutural, a refrigeração e até o controlo aerodinâmico - aspetos que, depois, também se refletem na condução em estrada, sobretudo em utilização mais exigente.

É precisamente aqui que, segundo David Wilson, presidente da TRD (Toyota Racing Development), a geração atual do RC ficou a dever. Em declarações à revista norte-americana Carro e Condutor (título original: Car and Driver), à margem da Daytona 500 (disputada a 20 de fevereiro de 2022), Wilson explicou que o Lexus RC atualmente à venda não foi pensado com a competição como objetivo desde o primeiro dia.

De acordo com o responsável, o RC F GT3 acabou por ser desenvolvido mais tarde, a partir de uma base que não nasceu para correr, o que terá prejudicado o rendimento em pista. Entre os pontos desfavoráveis, Wilson destacou que o RC F GT3 é mais pesado do que os seus concorrentes e apresenta uma área frontal maior, o que aumenta a resistência aerodinâmica e penaliza a velocidade máxima.

Nessa linha, Wilson defendeu que a decisão de levar um modelo a competir deve ser tomada antes mesmo de começar a desenhá-lo: é essa opção inicial que condiciona (pela positiva) os parâmetros de conceção e as metas de desempenho do automóvel de produção.

Influência do protótipo Toyota GR GT3 no futuro Lexus RC GT3

Outra parte especialmente interessante das declarações de David Wilson prende-se com a ligação provável entre o futuro Lexus RC e o protótipo Toyota GR GT3, mostrado no início do ano no Salão Automóvel de Tóquio. Segundo Wilson, é “bastante seguro ligar os pontos” e concluir que o GR GT3 pode ser o precursor do próximo GT3 mundial da Lexus.

Até agora, o protótipo Toyota GR GT3 serviu para antecipar um novo carro de competição - e espera-se que ainda este ano surja um protótipo funcional -, mas deixou muitas dúvidas no ar.

Trata-se de um coupé equipado com motor de combustão, sem uma ligação direta a qualquer modelo de produção atual da Toyota ou da Lexus. Essa ausência de “parentesco” claro alimentou rumores de que poderia, também, estar a apontar para um futuro modelo de estrada na família de desportivos da Gazoo Competição (Gazoo Racing) - até porque, por regra, os automóveis que alinham nos campeonatos GT3 têm de derivar obrigatoriamente de um modelo de produção (processo de homologação).

Com Wilson a acrescentar que o novo Lexus RC GT3 deverá aparecer “daqui a um par de anos”, o protótipo GR GT3 ganha novo peso: poderá ser a base não apenas de um carro de corridas, mas de mais do que um modelo nos próximos anos - embora continue por esclarecer quando, exatamente, tudo se materializa.

Fonte: Carro e Condutor (título original: Car and Driver)

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