As marcas chinesas continuam a ganhar expressão por toda a Europa e Portugal acompanha essa tendência. Em 2025, o mercado automóvel nacional avançou 7,3% nos ligeiros de passageiros face a 2024, mas as marcas chinesas aceleraram muito mais: +113%.
De acordo com dados da ACAP, foram matriculados em Portugal 11 901 automóveis de marcas chinesas em 2025. No ano anterior, esse número tinha ficado pelas 5590 unidades.
Vendas de marcas chinesas em Portugal (2025): números e crescimento
| Marca | Unidades (2025) | Variação vs. 2024 |
|---|---|---|
| BYD | 6059 | +94,1% |
| MG (Grupo SAIC) | 4074 | +73,2% |
| XPENG | 900 | +946,5% |
| Leapmotor | 340 | Estreia em 2025 |
| Dongfeng | 147 | +1236,6% |
| Forthing | 100 | +1150% |
| Voyah | 29 | +262,5% |
| Aiways | 1 | -90% |
| Aion | 78 | Entrada em 2025 |
| Changan | 54 | Entrada em 2025 |
| Deepal | 41 | Entrada em 2025 |
| Omoda | 34 | Entrada em 2025 (novembro) |
| Jaecoo | 28 | Entrada em 2025 (novembro) |
BYD lidera as marcas chinesas em Portugal
A BYD foi a grande protagonista deste crescimento, ao somar 6059 unidades vendidas em 2025. Em termos homólogos, a marca quase duplicou o desempenho, com uma subida de 94,1%.
No segundo lugar ficou a MG (Grupo SAIC), com 4074 automóveis comercializados. Apesar de não ter acompanhado a BYD em volume, registou ainda assim um avanço muito relevante: +73,2% face a 2024.
Em conjunto, BYD e MG concentraram aproximadamente 85% de todas as vendas de marcas chinesas em Portugal durante 2025.
XPENG no pódio; Dongfeng e Forthing com saltos percentuais
A fechar o pódio surge a XPENG, que surpreendeu com 900 unidades matriculadas e um crescimento de 946,5%. Mesmo com esta subida expressiva, não foi a marca com a maior taxa de crescimento - e aqui há um contexto importante.
Nos últimos meses de 2024, chegaram ao mercado português várias marcas, incluindo Dongfeng e Forthing, o que ajuda a explicar as variações muito elevadas em 2025. A Dongfeng avançou 1236,6% e a Forthing cresceu 1150%, mas a partir de uma base reduzida. Em termos absolutos, os números continuaram contidos: 147 unidades para a Dongfeng e 100 unidades para a Forthing.
Leapmotor e Stellantis: a quarta força chinesa e um olhar para 2026
A Leapmotor, que se estreou em Portugal apenas durante 2025, conseguiu desde logo posicionar-se como a quarta marca chinesa mais vendida, com 340 matrículas. O facto de contar com o suporte e a capacidade operacional da Stellantis terá sido um factor determinante para este arranque e pode torná-la numa das marcas a acompanhar com mais atenção entre as marcas chinesas em 2026.
Também houve movimentos contrastantes no segmento. A Voyah, que em 2024 tinha vendido apenas oito veículos, passou para 29 em 2025, o que corresponde a um crescimento de 262,5%. Já a Aiways - uma das primeiras marcas chinesas a entrar no mercado nacional - caiu para apenas uma unidade, uma descida de 90%, sendo a única marca chinesa em queda.
Novas marcas chinesas no mercado português (Changan, Deepal, Omoda, Jaecoo, NIO e Aion)
Para além da Leapmotor, 2025 ficou igualmente marcado pela entrada de várias novas marcas chinesas em Portugal, com destaque para Changan e Deepal (ambas do Grupo Changan Automobile), Omoda e Jaecoo (do Grupo Chery), bem como NIO e Aion.
Entre estas novidades, a Aion foi a que acumulou mais matrículas no ano, com 78 veículos. Seguiu-se a Changan, com 54 unidades, e a Deepal, com 41. No caso da Omoda e da Jaecoo, a entrada foi feita em simultâneo e apenas em novembro: a Omoda somou 34 unidades e a Jaecoo ficou nas 28.
O que está a puxar pela procura: posicionamento, produto e rede
A dinâmica das marcas chinesas tende a ser explicada por uma combinação de factores: posicionamento agressivo, boa relação equipamento/preço e uma ofensiva de produto mais rápida do que a de muitos concorrentes tradicionais. Em paralelo, o reforço de rede comercial, a disponibilidade de stock e condições de financiamento mais competitivas têm ajudado a acelerar a adopção, sobretudo em segmentos onde o comprador valoriza tecnologia e equipamento de série.
Ao mesmo tempo, a consolidação destas marcas em Portugal dependerá cada vez mais de variáveis menos visíveis no momento da compra, como a capacidade de pós-venda, tempos de entrega de peças, abrangência de assistência e a evolução do valor residual. Estes pontos poderão influenciar directamente a confiança do consumidor e o ritmo de crescimento no ciclo seguinte.
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