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Mini-elétrico da Honda tem vícios de carro a combustão

Carro elétrico branco Honda Super-One exposto em salão automóvel moderno, vista frontal lateral direita.

A Honda marcou o Salão de Tóquio (Salão da Mobilidade do Japão 2025) com a apresentação do Super-ONE - por agora, um protótipo de um pequeno citadino 100% elétrico que, de forma assumida, preserva alguns hábitos típicos dos automóveis com motor de combustão.

Em vez de apostar apenas numa condução silenciosa e “linear”, o Super-ONE inclui um modo Impulso que permite simular uma caixa de sete velocidades - à semelhança do que acontece no novo Prelude, que já conduzimos. A acompanhar esta função, surge também um sistema de áudio, o Controlo Ativo do Som, que recria no habitáculo o som característico de um motor térmico.

A marca explica, em comunicado, que o Super-ONE foi “desenhado para transformar a mobilidade diária numa experiência emocionante e inspiradora”. Segundo a Honda, ao ativar o modo Impulso, o protótipo pretende estimular os sentidos do condutor - incluindo visão, audição e a perceção tátil de aceleração e vibração - para oferecer uma experiência de condução em veículo elétrico mais envolvente.

Honda Super-ONE: o que já sabemos?

O Honda Super-ONE é, na prática, a versão sem camuflagem do conceito Super EV, revelado no verão. E se o conjunto dá a sensação de estar muito próximo de um modelo pronto a produzir, há uma razão concreta: este protótipo assenta no N-One, um modelo do segmento kei da marca que está à venda no Japão há vários anos.

Nas dimensões, o Super-ONE mantém o comprimento de 3,4 m, o limite máximo imposto para os veículos kei. Ainda assim, os alargamentos na carroçaria sugerem que a largura poderá ultrapassar os 1,475 m definidos pelos regulamentos japoneses para esta categoria.

Do ponto de vista técnico, a Honda ainda não divulgou especificações. No entanto, por partilhar a base do N-One, é plausível que o Super-ONE venha a utilizar o mesmo motor elétrico de 47 kW (64 cv) já disponível na versão elétrica do N-One.

Vale a pena notar que esta abordagem - combinar eletrificação com elementos sensoriais “familiares” - procura responder a um tema recorrente na adoção de elétricos: nem todos os condutores valorizam apenas eficiência e silêncio. Para alguns, a interação (mesmo que simulada) com mudanças e som continua a ser parte importante do prazer de condução, sobretudo em percursos urbanos curtos e repetitivos.

Em paralelo, num citadino elétrico deste tamanho, aspetos como facilidade de manobra, aproveitamento do espaço interior e conforto em cidade tendem a ser determinantes. Mesmo sem dados de autonomia ou carregamento, o posicionamento do Super-ONE aponta para um uso diário, com foco na simplicidade e na conveniência - exatamente o tipo de proposta onde a Honda poderá querer diferenciar-se através desta componente emocional.

Quando chega?

A versão de produção do Honda Super-ONE deverá estrear-se no mercado japonês já em 2026, antes de avançar para alguns mercados asiáticos e também para o Reino Unido.

A designação comercial não será igual em todas as regiões. No Reino Unido, está previsto que seja vendido como “Super N”. Ainda assim, permanece por esclarecer se este pequeno elétrico da marca japonesa chegará ao restante mercado europeu.

A incerteza explica-se por um detalhe prático: até ao momento, os mercados anunciados para o Super-ONE são países onde se conduz pela esquerda. O N-One foi concebido originalmente para o Japão e, por isso, nunca teve desenvolvimento para uma versão com volante à esquerda. Tudo indica, aliás, que o Super-ONE também se mantenha, numa fase inicial, exclusivamente com volante à direita.

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