Uma greve ferroviária nacional está marcada para meados de janeiro e pode provocar perturbações significativas nas deslocações em França, precisamente na altura em que muitas pessoas regressam ao trabalho após as férias. Apesar de as negociações continuarem em curso, a dimensão das reivindicações sindicais aponta para uma posição firme - e os passageiros são aconselhados a preparar-se com antecedência.
O que vai acontecer a 13 de janeiro de 2026 na greve ferroviária da SNCF?
O sindicato ferroviário SUD-Rail apresentou um pré-aviso de greve à escala nacional para terça‑feira, 13 de janeiro de 2026. A convocatória dirige-se sobretudo a maquinistas e chefes de bordo, duas funções essenciais para a circulação dos comboios.
A paralisação deverá repercutir-se em toda a rede francesa explorada pela SNCF, incluindo as ligações de alta velocidade TGV, os comboios de longo curso Intercités, os serviços regionais TER e as linhas Transilien na região de Paris. Mesmo que a adesão entre maquinistas seja apenas parcial, isso pode ser suficiente para reduzir fortemente a oferta.
O pré-aviso de greve de 13 de janeiro abrange todo o sistema ferroviário francês e incide nos maquinistas e nos chefes de bordo, a espinha dorsal da operação dos comboios.
Esta greve está diretamente ligada às conversações salariais anuais da empresa, conhecidas em França como NAO (negociações anuais obrigatórias). Estas negociações são, frequentemente, um ponto de fricção entre administração e sindicatos, porque definem o enquadramento dos aumentos salariais e de várias condições de trabalho para o ano seguinte.
Porque é que os ferroviários ameaçam parar os comboios?
Para o SUD-Rail, o conflito centra-se sobretudo em salários e poder de compra. O sindicato exige um aumento geral de 400 € por mês para todos os trabalhadores ferroviários. Segundo os seus dirigentes, anos de aumentos modestos, somados ao impacto da inflação, reduziram o salário real de muitos funcionários.
O sindicato sustenta que este aumento uniforme de 400 € é financeiramente suportável para a SNCF, embora estimativas internas apontem para um custo na ordem dos 1,2 mil milhões de euros por ano. Na leitura do SUD-Rail, a operadora ferroviária nacional - apoiada pelo Estado - teria margem para dar prioridade a uma política salarial, após vários anos de recuperação forte da procura.
Além disso, o SUD-Rail defende a criação de um décimo terceiro mês para todos os trabalhadores. Na prática, significaria acrescentar um mês completo de salário por ano, uma medida que existe nalguns setores em França e que, por vezes, é atribuída por via de acordos ao nível da empresa.
O sindicato quer um aumento mensal de 400 € para cada ferroviário e um décimo terceiro mês para recuperar o poder de compra.
Outro ponto central da plataforma sindical é o método de cálculo dos aumentos. O SUD-Rail prefere aumentos fixos (valor igual para todos) em vez de subidas em percentagem associadas à inflação. O argumento é que um montante fixo beneficia mais quem ganha menos, ao passo que aumentos exclusivamente percentuais tendem a ampliar as diferenças entre os níveis mais baixos e mais altos da grelha salarial.
Qual é a posição da SNCF?
A administração da SNCF, liderada pelo antigo primeiro‑ministro Jean Castex, tem procurado sinalizar abertura nos últimos meses. Os trabalhadores receberam um bónus único de 400 € no final do ano, e alguns acordos sociais já existentes foram prolongados.
Internamente, estas medidas são apresentadas como um reconhecimento da pressão sentida pelos colaboradores. No entanto, o SUD-Rail e outros sindicatos encaram-nas como respostas de curto prazo, e não como uma política salarial estruturada. Defendem que um bónus não conta para futuros direitos de reforma e não aumenta de forma permanente o salário base.
Para já, a gestão não assumiu publicamente o nível de aumentos exigido pelos sindicatos. É esperado que as negociações se intensifiquem à medida que o dia 13 de janeiro se aproxima, o que mantém em aberto a hipótese de acordos de última hora ou de suspensões parciais do pré-aviso de greve.
Até que ponto haverá perturbações na circulação?
O detalhe das perturbações só deverá ser conhecido muito perto da data. Por lei, a SNCF costuma divulgar previsões de circulação na véspera, muitas vezes durante a tarde, quando já tem uma noção mais clara do número de trabalhadores que tenciona aderir.
Ainda assim, alguns cenários são considerados prováveis:
- TGV e Intercités: as principais ligações de longo curso deverão registar muitas supressões e/ou redução de frequências.
- TER (comboios regionais): é expectável que haja perturbações, com supressões e oferta mais espaçada em várias linhas, dependendo da adesão local.
Para quem precisa de viajar nesses dias, pode ser prudente confirmar horários o mais tarde possível e prever alternativas. Em caso de alterações, é igualmente sensato acompanhar os canais oficiais da SNCF e verificar as condições de reencaminhamento e reembolso aplicáveis ao seu bilhete.
Nalgumas situações, ajustar a hora de partida, escolher um itinerário diferente ou antecipar/adiar a viagem pode reduzir o impacto. Quando a deslocação não for indispensável, também pode fazer sentido ponderar o teletrabalho ou remarcar compromissos, sobretudo em percursos que dependam de ligações com vários transbordos.
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