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O porta-aviões Fujian da Marinha chinesa continua os exercícios operacionais no Mar de Bohai.

Porta-aviões no mar com caça a jato na pista e tripulação de segurança a observar durante operações.

O porta-aviões Fujian (CV-18) da Marinha do Exército Popular de Libertação da China continua a avançar no seu processo de qualificação operacional, depois de ter sido novamente identificado em exercícios no Mar de Bohai, ao largo da cidade de Qinhuangdao, de acordo com imagens de satélite recentes obtidas através de informação de fontes abertas (OSINT).

Ensaios no Mar de Bohai do porta-aviões Fujian (CV-18)

Os registos mais recentes, captados a 5 de Abril pelo satélite Sentinel-2, mostram o navio mais moderno da Marinha chinesa destacado naquela área, acompanhado por pelo menos uma unidade de escolta - possivelmente uma fragata com cerca de 130 metros de comprimento - a navegar aproximadamente 6,7 quilómetros para sudeste. Esta actividade soma-se a relatos de finais de Março, que já apontavam a presença do porta-aviões na mesma região após a sua saída de Qingdao.

A opção pelo Mar de Bohai dificilmente será casual. Trata-se de uma das principais zonas de treino naval da China, onde o Fujian já tinha sido observado em destacamentos anteriores, incluindo exercícios realizados no início de 2026. A repetição de manobras neste espaço sugere uma fase de testes prolongada, orientada para validar diferentes componentes do porta-aviões e o desempenho dos seus sistemas.

O que torna o Fujian o porta-aviões mais avançado da China

Importa recordar que o Fujian é, até à data, o porta-aviões mais avançado construído pela China. É o primeiro a integrar um sistema de lançamento CATOBAR com catapultas electromagnéticas (EMALS), o que lhe permitirá operar uma gama mais ampla de aeronaves, incluindo caças embarcados mais pesados e aeronaves de alerta aéreo antecipado.

Face aos seus antecessores, os porta-aviões Liaoning (CV-16) e Shandong (CV-17), o Fujian representa um salto qualitativo nas capacidades de aviação naval chinesa, não apenas pela dimensão e pelo desenho, mas também pela incorporação de tecnologias mais avançadas, posicionando-se como uma plataforma central para futuras operações de projecção de força da Marinha chinesa.

Evolução das provas e aumento do ritmo de actividade

A última saída confirmada do Fujian tinha ocorrido em Janeiro de 2026, quando o navio deixou Qingdao para iniciar uma nova etapa de ensaios operacionais. Desde então, a monitorização por imagens de satélite tem permitido acompanhar a sua actividade, evidenciando um aumento gradual na intensidade e na frequência dos exercícios. Neste enquadramento, as novas manobras no Mar de Bohai reforçam a percepção de que o porta-aviões continua a atravessar etapas críticas de avaliação e treino.

A introdução de um porta-aviões com CATOBAR e EMALS implica, em regra, um percurso de testes exigente: para além da validação do próprio sistema de catapultas e dos ciclos de operações no convés, é necessário afinar procedimentos de segurança, cadências de lançamento e recuperação, e a integração da futura ala aérea. Estes aspectos tendem a requerer repetição de exercícios em áreas de treino controladas, como o Mar de Bohai, antes de se avançar para fases mais ambiciosas.

Em paralelo, a própria leitura baseada em OSINT e satélite tem limitações: a periodicidade de passagem dos satélites, as condições meteorológicas e a resolução das imagens podem ocultar detalhes relevantes (como tipos exactos de escolta ou actividades no convés). Ainda assim, a persistência de observações na mesma zona e em diferentes datas fornece indícios consistentes de continuidade nos ensaios e de uma agenda de treinos sustentada.

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