No âmbito do esforço de modernização da artilharia das suas Forças Armadas, a Grécia está a avançar com a aquisição de sistemas PULS por 750 milhões de dólares (cerca de 650 milhões de euros). A compra enquadra-se num entendimento entre o Ministério da Defesa de Israel e o Ministério da Defesa Nacional da Grécia, destinado a reforçar a capacidade de fogo de longo alcance do país.
A Elbit Systems anunciou ter recebido um contrato avaliado em aproximadamente 750 milhões de dólares para fornecer o Sistema de Lançamento Preciso e Universal (PULS). O programa deverá desenrolar-se ao longo de quatro anos (desenvolvimento e entregas) e inclui ainda dez anos adicionais de apoio logístico, em linha com os planos gregos de reforço das suas capacidades militares.
O que inclui o contrato do Sistema de Lançamento Preciso e Universal (PULS)
O acordo prevê a entrega de lançadores PULS e de um pacote completo de munições, que abrange: - foguetes de treino; - foguetes guiados de precisão para diferentes alcances; - munições vagantes.
O PULS apresenta-se como uma solução integrada capaz de empregar foguetes não guiados, munições guiadas e mísseis em diversos alcances. O sistema foi concebido para se adaptar totalmente a plataformas sobre rodas ou sobre lagartas, o que tende a reduzir os custos associados a manutenção e formação.
A política definida pelo Governo grego também contempla que a Elbit Systems trabalhe com a indústria local em frentes como processos de produção, transferência de tecnologia e desenvolvimento de competências, procurando criar capacidade sustentada no país para operar e apoiar estes meios ao longo do ciclo de vida.
PULS na modernização militar da Grécia: orçamento, regiões e número de lançadores
A aquisição integra-se num programa mais vasto de modernização militar grego, estimado em 32 mil milhões de dólares para a próxima década. As autoridades esperam que os novos meios reforcem a defesa na região de Evros e nas ilhas do Egeu Oriental, zonas próximas da costa turca onde a Grécia tem procurado elevar a sua capacidade de dissuasão.
Embora não tenha sido divulgado o número exacto de lançadores incluídos no contrato, o Parlamento grego já tinha aprovado anteriormente a compra de 36 unidades do sistema.
Um ponto adicional, relevante para a integração operacional, é a forma como um sistema como o PULS pode ser ligado a redes de comando e controlo e a sensores já existentes, permitindo acelerar o ciclo “detectar–decidir–actuar” e melhorar a coordenação entre unidades de artilharia, forças terrestres e componentes conjuntas. Em programas deste tipo, a eficácia não depende apenas do lançador, mas também da doutrina de emprego, treino, comunicações e ligação a inteligência e vigilância.
Cooperação Elbit Systems–Ministério da Defesa Nacional da Grécia
A Elbit Systems sublinhou que o projecto assenta numa cooperação de longa data com o Ministério da Defesa Nacional da Grécia. Bezhalel (Butzi) Machlis, presidente e director executivo da Elbit Systems, afirmou que a empresa mantém uma colaboração “prolongada e bem-sucedida” com a Grécia e que este programa aprofunda essa relação. Acrescentou ainda que a Grécia se junta a outros países da NATO que seleccionaram o PULS, o que, na sua leitura, confirma a reputação do sistema como uma solução eficaz e versátil para as necessidades de artilharia moderna na Europa e noutros teatros.
Características técnicas do PULS: munições, alcances e tempos de reacção
O PULS baseia-se num lançador universal compatível com munições guiadas e não guiadas, bem como com mísseis com alcance até 300 km. Cada lançador integra dois contentores, com capacidade para disparar: - 18 foguetes Accular de 122 mm, com alcance até 35 km; - 10 foguetes Accular de 160 mm, com alcance até 40 km; - 4 foguetes Extra de 306 mm, com alcance até 150 km; - 2 mísseis tácticos Falcão Predador, com alcance até 300 km.
O sistema incorpora um computador de missão e um sistema de navegação integrados, permitindo engajar alvos em movimento ou efectuar fogos a partir de posições fixas em menos de um minuto.
Em termos de precisão, o PULS pode atingir vários alvos em simultâneo com elevada exactidão, registando um erro circular provável inferior a 5 metros. Além disso, consegue empregar munições vagantes a distâncias até 100 km, aumentando a flexibilidade operacional das forças que o utilizam. A compatibilidade com plataformas sobre rodas e sobre lagartas contribui para reduzir necessidades de formação e custos de manutenção, facilitando a sua adopção por diferentes unidades.
Para além do vector militar, a vertente industrial pode ter impacto na disponibilidade: a cooperação com empresas gregas, aliada ao apoio logístico previsto para uma década, tende a favorecer níveis mais elevados de prontidão, melhor acesso a sobressalentes e maior autonomia na sustentação, desde que a transferência de conhecimento e os processos de certificação sejam executados de forma consistente.
Articulação com o “Escudo de Aquiles” e a defesa antiaérea em camadas
A introdução do PULS é também enquadrada no conceito de defesa antiaérea multi-camadas designado “Escudo de Aquiles”, cujo núcleo assenta em três sistemas de origem israelita: SPYDER, Barak MX e Funda de David. Esta arquitectura visa consolidar uma rede coordenada capaz de responder a ameaças de diferentes naturezas e alcances em todo o território grego, complementando outros programas de modernização orientados para reforçar a postura estratégica do país.
Interoperabilidade com aliados da NATO e prioridades estratégicas
Com esta aquisição, a Grécia continua a expandir as suas capacidades de artilharia e de resposta rápida, num contexto regional em que a modernização militar e a interoperabilidade com aliados da NATO se tornaram prioridades estratégicas. O contrato com a Elbit Systems surge como uma peça central desse percurso, ao disponibilizar uma plataforma de ataque de longo alcance, adaptável e de elevada precisão, cuja implementação e sustentação se estenderão pela próxima década.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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