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Caças F-16AM da Força Aérea Portuguesa destacados na Estónia intercetaram um Il-76 russo.

Dois aviões militares a voar sobre o mar, um caça furtivo ao fundo e um avião de transporte à frente.

Caças F-16AM Fighting Falcon da Força Aérea Portuguesa destacados na Estónia realizaram recentemente uma intercepção a um avião de transporte Il-76 das Forças Aeroespaciais da Rússia. Esta acção marcou o primeiro Alpha Scramble respondido pelo contingente português desde o início da sua rotação na Base Aérea de Ämari.

A Força Aérea Portuguesa (FAP) iniciou o destacamento no dia 1 de Abril, prevendo manter a presença até 31 de Julho. O dispositivo nacional é composto por quatro F-16AM e 95 militares, com aeronaves e pessoal sediados em Ämari no âmbito da missão reforçada de Vigilância Aérea 2026 (eAP26) da OTAN.

Segundo o Comando Aéreo da OTAN, o levantamento para identificação do aparelho russo correspondeu a “...o primeiro Alpha Scramble do destacamento português desde que assumiu a missão de vigilância aérea melhorada da OTAN na Base Aérea de Ämari...”. Portugal assumiu esta rotação no seguimento do ciclo operacional definido pela OTAN, sucedendo à Aeronáutica Militar Italiana.

Polícia Aérea e treino local com a Força Aérea Portuguesa

Durante a permanência na Estónia, o contingente da FAP manterá um nível de prontidão elevado para executar missões de Polícia Aérea, assegurando a integridade do espaço aéreo da Estónia, Letónia e Lituânia. Em paralelo, os F-16AM Fighting Falcon e as equipas destacadas participarão em exercícios e em treinos com forças aéreas, terrestres e navais presentes na região, com o objectivo de aumentar a interoperabilidade e reforçar a cooperação entre países aliados. A FAP assinalou que “...esta é a nona participação de Portugal neste tipo de destacamentos nos países bálticos, e a segunda vez que opera a partir da Base Aérea de Ämari...”.

A missão de Vigilância Aérea melhorada implica, na prática, uma coordenação permanente com a rede de detecção e comando da OTAN, permitindo que uma aeronave em alerta seja lançada em minutos sempre que exista tráfego aéreo que necessite de identificação, acompanhamento ou esclarecimento do seu comportamento. Este tipo de actividade, ainda que rotineiro, é essencial para manter a consciência situacional e para garantir que as regras de segurança do espaço aéreo são cumpridas.

Também importa sublinhar que uma intercepção aérea segue procedimentos padronizados para minimizar riscos: aproximação controlada, identificação visual e registo, estabelecimento (quando possível) de comunicações e acompanhamento até o contacto deixar de ser relevante para a segurança do espaço aéreo. Estes protocolos, treinados de forma repetida, ajudam a evitar incidentes e a manter a previsibilidade entre aeronaves de diferentes origens.

Composição do destacamento e integração no sistema da OTAN

O destacamento português na Estónia inclui pessoal multidisciplinar com competências específicas que vão desde a garantia da operabilidade do sistema de armas F-16M até à protecção da infra-estrutura e do pessoal projectado. Integra ainda militares destacados para os Centros de Informação e Controlo regionais, assegurando uma integração completa no sistema de vigilância aérea da OTAN.

Substituição do destacamento italiano e incidente anterior

Os F-16AM portugueses substituíram os Eurofighter Typhoon da Aeronáutica Militar Italiana, que registou uma actividade significativa durante a sua permanência em Ämari. Um dos episódios mais recentes ocorreu em meados de Março, quando um Su-30SM da Marinha Russa entrou por um curto período no espaço aéreo estónio. Durante cerca de um minuto, a aeronave sobrevoou território da Estónia sem apresentar plano de voo e sem estabelecer contacto com os serviços de controlo de tráfego aéreo, o que levou ao Alpha Scramble dos caças italianos.

Imagem de capa: Comando Aéreo da OTAN

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