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Warren Buffett afirma que os filhos estão “preparados para gerir uma grande fortuna” e que lhes doará dinheiro, mas com uma condição.

Homem idoso de fato conversa e sorri com quatro crianças sentadas à mesa num ambiente luminoso.

Warren Buffett revelou, numa carta dirigida aos accionistas da Berkshire Hathaway, como está a preparar a sua saída da histórica sociedade de investimento e de que forma pretende encaminhar a sua fortuna.

Aos 95 anos, o conhecido “oráculo de Omaha” está a afinar o plano de sucessão e a clarificar o destino de um património ainda avaliado em cerca de 150 mil milhões de dólares. A visão descrita na mensagem enviada esta segunda‑feira aos investidores passa por uma estratégia de filantropia conduzida pelos seus próprios filhos.

Segundo o texto citado pela Fortune, o empresário explica:

No início, considerei vários projectos filantrópicos ambiciosos. Apesar da minha persistência, acabaram por se revelar impraticáveis. Ao longo da minha vida, também assisti a transferências de riqueza mal concebidas, conduzidas por políticos oportunistas, por decisões de cunho dinástico e, é preciso dizê‑lo, por filantropos incompetentes ou excêntricos.

Warren Buffett: “Os meus três filhos têm a maturidade”

Face a esse histórico, Buffett tenciona doar parte do património às fundações de caridade dos seus três filhos, actualmente com idades entre 67 e 72 anos. De acordo com o que foi detalhado, cada uma dessas fundações deverá receber 250 milhões de dólares em acções.

As organizações apoiadas pelos filhos actuam, entre outros domínios, na segurança alimentar e em iniciativas destinadas a apoiar comunidades marginalizadas.

Buffett diz sentir-se seguro quanto ao rumo desta opção e remata:

“Os meus três filhos têm agora a maturidade, a inteligência, a energia e o instinto necessários para distribuir uma fortuna considerável… Governar a partir do túmulo não se provou eficaz, e nunca foi algo que eu quisesse.”

Um aspecto que ganha relevo neste tipo de transição é a governação: para além do montante, importa definir critérios claros para a distribuição dos apoios, mecanismos de transparência e a forma de avaliar resultados ao longo do tempo. Ao confiar a execução a pessoas próximas, Buffett parece privilegiar decisões com contexto, continuidade e capacidade de adaptação.

Também é inevitável que surjam dúvidas sobre como esta arquitectura filantrópica se articula com o futuro da Berkshire Hathaway. À medida que a liderança muda de mãos, o mercado tende a observar atentamente se os princípios que marcaram a empresa - disciplina, horizonte de longo prazo e prudência - se mantêm, incluindo na forma como o grupo gere participações e capital.

O que fica do Giving Pledge, de Bill Gates e Melinda French Gates?

A opção de Buffett levanta igualmente questões sobre a durabilidade do Giving Pledge, iniciativa lançada em 2010 com Bill Gates e Melinda French Gates. O compromisso convida fortunas muito elevadas a doarem pelo menos 50% do seu património a causas de beneficência; no seu caso, Warren Buffett prometeu 99%.

Com o passar dos anos, o movimento perdeu força e estima-se que, entre 256 signatários, apenas 9 tenham cumprido efectivamente o que prometeram. Ainda assim, Buffett já terá doado 60 mil milhões de dólares, incluindo uma parcela destinada à Fundação Gates, conhecida por actuar no combate à pobreza e a várias doenças.

O último grande negócio de Warren Buffett?

Entretanto, a Berkshire Hathaway anunciou recentemente a aquisição da OxyChem, a divisão química da Occidental Petroleum, por 9,7 mil milhões de dólares (8,26 mil milhões de euros). A operação foi supervisionada pelo vice‑presidente Greg Abel.

Greg Abel elogiou o negócio nos seguintes termos:

“A Berkshire está a adquirir um portefólio robusto de activos operacionais, apoiado por uma equipa experiente. Estamos ansiosos por receber a OxyChem como subsidiária operacional no seio da Berkshire.”

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