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O novo drone de combate colaborativo YFQ-44A concluiu testes de voo com o sistema Hivemind da Shield AI.

Drone militar descolando do deserto com painel de controlo digital em primeiro plano.

Nos últimos dias, a Shield AI anunciou nas suas redes sociais que o novo drone de combate colaborativo YFQ-44A da Força Aérea dos EUA (USAF) concluiu ensaios de voo com o sistema Hivemind, no âmbito do programa Aeronaves de Combate Colaborativo (CCA). O teste decorreu no deserto de Mojave e representa um passo relevante na integração de software de autonomia de missão na arquitectura prevista para futuros sistemas aéreos não tripulados que operarão lado a lado com aeronaves tripuladas.

A empresa indicou que o seu software Hivemind realizou com êxito o primeiro voo de prova a bordo do YFQ-44A, uma aeronave desenvolvida pela Anduril Industries. Esta validação surge após a USAF ter seleccionado a Shield AI como fornecedora de autonomia de missão para o programa CCA, na sequência de um processo competitivo destinado a apoiar as actividades de Maturidade Tecnológica e Redução de Riscos (TMRR).

Durante o voo de teste, o Hivemind cumpriu todos os pontos exigidos para demonstrar a integração completa do sistema e a sua capacidade de autonomia de missão no YFQ-44A. De acordo com a informação divulgada, o software foi capaz de gerir actualizações com a missão em curso e de executar comportamentos operacionais iniciais, abrindo caminho ao alargamento de ensaios futuros focados em tácticas autónomas no âmbito do programa CCA.

Christian Gutierrez, vice-presidente da Hivemind Solutions na Shield AI, afirmou: “Este ensaio de voo demonstra o potencial do poder aéreo assente na autonomia de missão”. Acrescentou ainda que, “em diferentes plataformas, domínios e ambientes, o Hivemind fornece autonomia de missão resiliente, demonstrando que o software é central para o futuro do poder aéreo”, e sublinhou que a colaboração com a Anduril reflecte uma nova fase na aquisição de capacidades de defesa, em que a autonomia é encarada como uma valência fundamental ao nível da própria aeronave.

Um dos aspectos salientados foi o facto de, pela primeira vez, a USAF ter seleccionado de forma independente o software de autonomia de missão e a aeronave, assinalando uma mudança em direcção a processos de aquisição mais orientados para soluções lideradas por software. Em paralelo, o programa procura estabelecer um padrão comum com a implementação da Arquitectura de Referência Governamental de Autonomia (A-GRA), uma abordagem modular e de sistemas abertos que privilegia a velocidade de desenvolvimento, a inovação e uma lógica centrada no software.

Além do desempenho em voo, a adopção de uma arquitectura aberta como a A-GRA tende a facilitar a integração de novos sensores, ligações de dados e pacotes de missão ao longo do ciclo de vida, reduzindo dependências de um único fornecedor e acelerando a incorporação de melhorias. Num programa como o CCA, esta flexibilidade é especialmente relevante para manter a compatibilidade com diferentes plataformas e para evoluir rapidamente tácticas e comportamentos autónomos à medida que os requisitos operacionais se alteram.

Outro ponto crítico, quando se introduz autonomia de missão em ambientes contestados, é a robustez do software perante interferências, degradação de comunicações e tentativas de perturbação. A progressão de ensaios, ao expandir-se para tácticas autónomas, terá inevitavelmente de endereçar a resiliência dos fluxos de decisão a bordo e a forma como os drones de combate colaborativo mantêm a segurança e a previsibilidade quando operam próximos de aeronaves tripuladas.

Antecedentes do YFQ-44A “Fury” e do programa CCA

O YFQ-44A, também conhecido como “Fury”, é uma das duas aeronaves autónomas avaliadas na Fase I (Incremento I) do programa CCA. A outra é o YFQ-42A, desenvolvido pela General Atomics, que iniciou a sua campanha de ensaios no final de Agosto de 2025, no contexto do impulso para sistemas de combate aéreo de sexta geração, que combinam plataformas tripuladas e não tripuladas em cenários operacionais disputados.

Em Fevereiro de 2026, a USAF deu igualmente início a testes de integração de armamento com o YFQ-44A, incluindo um voo com um míssil ar-ar inerte AIM-120 AMRAAM. Estes ensaios inserem-se no processo de validação do emprego conjunto com aeronaves tripuladas e no desenvolvimento de uma arquitectura de forças que prevê o destacamento coordenado de drones de combate colaborativo ao lado de caças de nova geração, consolidando a incorporação de autonomia avançada no poder aéreo dos Estados Unidos.

Imagem de capa obtida da Shield AI.

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