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Após o Domo Dourado de Trump, este gigante francês revela o seu próprio escudo antiaéreo.

Soldado numa torre de controlo militar a monitorizar um radar, com equipamento militar e cidade ao fundo.

A corrida aos escudos antimíssil já começou. Enquanto os Estados Unidos afinam o seu Golden Dome e, na Europa, o ritmo do rearmamento acelera, a Thales tira uma nova peça do seu portefólio: o SkyDefender, um dossel de defesa aérea e antimíssil completo, reforçado por inteligência artificial (IA), concebido para neutralizar praticamente qualquer tipo de ameaça.

O pano de fundo é conhecido: guerra na Ucrânia, ameaça russa, tensão com o Irão… O ambiente geopolítico internacional continua a degradar-se. Perante riscos mais numerosos e mais sofisticados, os países europeus iniciaram uma corrida ao rearmamento sem paralelo desde a Guerra Fria.

Para a indústria de defesa, trata-se de uma janela de oportunidade evidente. A Thales anunciou, na terça-feira, 11 de março, o lançamento do SkyDefender, um dôme de proteção aérea e antimíssil que integra IA. Na prática, é uma alternativa europeia ao Golden Dome norte-americano e ao Dôme de Ferro israelita, que há mais de uma década interceta foguetes e mísseis sobre o território do país.

SkyDefender: três escudos num só sistema

O SkyDefender assenta numa arquitetura em camadas, desenhada para neutralizar ameaças muito distintas, em função da distância e do tipo de alvo. Esta lógica “em anéis” permite combinar sensores e efetores diferentes, mantendo uma coordenação central e uma resposta adaptada a cada cenário.

Na curta distância, entra em ação o sistema ForceShield, pensado para enfrentar sobretudo drones. Recorre a mísseis LMM (já utilizados na Ucrânia) e a canhões de defesa antiaérea. É uma resposta direta à ameaça mais visível do conflito ucraniano: enxames de drones de baixo custo que procuram saturar e desgastar as defesas do adversário.

Na média distância, o papel principal é do SAMP-T NG. Integrado com o radar Ground Fire da Thales, consegue detetar e empenhar alvos até 150 km, com cobertura 360°. A Dinamarca, de resto, já adquiriu este sistema.

Para a longa distância, o dispositivo propõe uma combinação menos comum: satélites em órbita geostacionária equipados com sensores infravermelhos, capazes de detetar o lançamento de um míssil balístico ou a presença de uma aeronave de combate até 5 000 km. A informação é transmitida de imediato para radares terrestres UHF e SMART-L MM. Assim, em poucos segundos, o centro de comando identifica a ameaça e escolhe o meio mais adequado para a neutralizar, segundo a Thales.

A coordenação de todos estes componentes é assegurada pelo SkyView, o sistema de comando e controlo da Thales. Foi concebido para se ligar a defesas já existentes, incluindo soluções de outros fabricantes. Nas palavras de Hervé Dammann, diretor-geral adjunto dos Sistemas Terrestres e Aéreos da empresa: “Com o SkyDefender, a Thales fornece um sistema comprovado em combate, simples de integrar e disponível já hoje, confirmando a nossa posição como parceiro de confiança de longo prazo para as forças armadas.”

Além da vertente operacional, a aposta na IA visa acelerar o ciclo “detetar–decidir–agir”: priorizar alvos, reduzir falsos alarmes, distribuir recursos entre camadas e apoiar decisões sob pressão. Em ambientes de elevada saturação - como os ataques massivos com drones - esta automatização pode ser determinante para manter a eficácia do sistema.

Outra vantagem prática do conceito está na sua escalabilidade. Ao organizar a defesa em camadas, torna-se mais fácil adaptar a proteção a infraestruturas críticas (bases aéreas, portos, centrais elétricas) ou a zonas urbanas, combinando níveis de alcance conforme o perfil de risco e o orçamento disponível.

Quem é o alvo do SkyDefender?

O grupo francês dirige-se sobretudo a Estados que pretendem reforçar ou completar a sua defesa aérea sem recomeçar do zero. O sistema é modular, permitindo que cada país compre apenas os “blocos” que lhe faltam e os integre na sua arquitetura já instalada.

Embora os aliados europeus envolvidos no rearmamento estejam na linha da frente, a empresa não fecha portas. A possibilidade de integração no Golden Dome norte-americano também não é descartada.

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