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Psicólogo revela: Estes três tipos de relações tornam-nos realmente mais felizes.

Dois jovens sentados num banco de parque, a beber chá e a ler um livro, com uma bicicleta encostada.

Um psicólogo defende: andamos a procurar no sítio errado.

As tendências de wellness disparam, as prateleiras de autoajuda não param de crescer e os coachings custam uma fortuna. Ainda assim, muita gente continua a queixar-se de exaustão, falta de sentido e a sensação de estar a ficar vazia por dentro. Um psicólogo norte-americano, Mark Travers, propõe agora um contraponto radicalmente simples: em vez de correr atrás do próximo “pico” de felicidade, apostar num bem-estar calmo e sustentável, sustentado em três relações fundamentais.

Porque é que a caça à felicidade nos deixa tão cansados

Numa sociedade hiperactiva, a felicidade parece ter-se transformado quase numa obrigação. Espera-se que sejamos produtivos, em forma, positivos e - claro - sempre bem-dispostos. Quem não está a “brilhar” ouve muitas vezes, implicitamente, que ainda não fez trabalho suficiente “em si”.

É precisamente esta optimização permanente, diz Mark Travers, que acaba por desgastar muitas pessoas. Trabalha-se mais horas, mede-se cada passo, controla-se cada refeição - até que, a certa altura, se percebe que quase nada disto traz descanso real. Em vez de relaxamento, instala-se pressão: se não estás feliz, então “estás a falhar”.

A busca incessante por mais bem-estar pode transformar-se, ela própria, num peso - e afastar-nos do objectivo.

Os estudos apontam para um facto curioso: a “indústria do bem-estar” global movimenta milhares de milhões. Suplementos alimentares, aplicações de fitness, programas de coaching - o negócio da felicidade não pára. Ainda assim, a sensação interna de realização e plenitude continua, muitas vezes, surpreendentemente frágil.

Da felicidade rápida ao florescimento (Mark Travers)

Por isso, Travers e outros especialistas sugerem trocar o foco em Happiness (felicidade) por outro conceito: florescimento. O que está em causa é um estado em que a pessoa se sente viva, ligada e com um lugar com significado - mesmo quando há dias maus.

Florescer não é viver a sorrir o tempo todo. É conseguir atravessar altos e baixos sem “partir por dentro”. De acordo com um trabalho apresentado na revista científica The Humanistic Psychologist, este florescimento depende sobretudo de três tipos de relação:

  • a relação consigo próprio,
  • a relação com outras pessoas,
  • a relação com a natureza.

Parece simples - mas, no dia-a-dia, implica uma mudança a sério. Em vez de estar sempre a comprar, a planear ou a “melhorar”, trata-se de cuidar das ligações que já existem e aprofundá-las.

Um ponto útil para não transformar isto em mais uma meta de desempenho: estas relações não se “concluem”. São hábitos de atenção e manutenção - com avanços e recuos - e o progresso nota-se mais pela estabilidade emocional ao longo do tempo do que por momentos de euforia.

Outra peça que costuma ajudar a consolidar o bem-estar (sem entrar na lógica da exigência): reduzir o ruído. Menos notificações, menos comparação, menos consumo automático. Não substitui as três relações, mas cria espaço mental para que elas possam acontecer.

Primeira relação-chave: a forma como nos tratamos a nós próprios

Muitas pessoas falam consigo mesmas, por dentro, de forma mais dura do que falariam com qualquer colega. O discurso interno soa a: “não chega”, “tem de ser melhor”, “aguenta e faz-te à vida”. Com o tempo, esta voz consome qualquer leveza.

Travers sublinha: quem quer florescer por dentro precisa de uma relação sólida consigo próprio - com respeito e benevolência. Isso passa por três passos essenciais:

  • Autoaceitação: reconhecer fragilidades sem se condenar continuamente por elas.
  • Reconhecer emoções: não empurrar tudo para baixo, mas perceber: “estou zangado, triste, sobrecarregado” - e isso tem motivos.
  • Cuidar de si: fazer pausas, colocar limites, pedir ajuda, em vez de viver em modo “funcionar” a qualquer custo.

A gentileza interna para connosco não é esoterismo; é uma estratégia de sobrevivência psicológica num quotidiano exigente.

Ideias práticas para começar:

  • Ao final do dia, escrever três frases sobre o que correu bem - por mais pequeno que pareça.
  • Perante um erro, dizer de forma consciente: “Ok, isto correu mal - mas posso aprender com isto.”
  • Reservar, uma vez por semana, um compromisso no calendário só para si - sem culpa.

Segunda relação-chave: o nosso contacto com os outros

O ser humano é, por natureza, um ser social. Mesmo assim, após o trabalho, muitos acabam sozinhos no sofá, a percorrer redes sociais, com uma sensação estranha de vazio. Contactos virtuais não substituem proximidade real.

Travers lembra: quando tratamos os outros com justiça e respeito, aumentamos a probabilidade de recebermos respostas positivas. Cria-se um ciclo que pode reforçar o nosso bem-estar. Pessoas que se sentem ligadas aos outros tendem a lidar melhor com o stress.

Como as relações reforçam o bem-estar

Perguntas úteis para o dia-a-dia:

  • Com quem é que me sinto com mais energia depois de estar junto, em vez de ficar drenado?
  • Quando foi a última vez que ouvi alguém até ao fim, de verdade?
  • Em que situações eu poderia dizer com mais clareza o que preciso, em vez de esperar que os outros adivinhem?

Pequenos gestos já fazem diferença: uma mensagem honesta, um telefonema espontâneo, um café com colegas onde não se fala apenas de trabalho.

Postura nas relações Efeito no bem-estar
querer ter sempre razão mais conflitos, tensão interna
comunicar com honestidade e gentileza mais confiança, menos mal-entendidos
tentar parecer sempre forte sensação de isolamento, solidão
mostrar fragilidades de vez em quando maior proximidade, mais apoio

Terceira relação-chave: a força da natureza

O terceiro ponto parece quase óbvio - mas tem um impacto enorme: a ligação à natureza. Estudos mostram repetidamente que até estadias curtas em espaços verdes reduzem indicadores de stress e melhoram o humor.

Travers fala de florestas, montanhas e mar - mas não tem de ser uma viagem cara. Um parque na cidade, um percurso junto a um ribeiro ou até uma árvore à porta de casa podem chegar, desde que a pessoa se permita estar ali com atenção.

Quem vai regularmente “para o verde” dá ao seu sistema nervoso pausas que nenhum ecrã consegue substituir.

A natureza pode actuar em vários níveis:

  • Fisicamente:

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