O Governo dos Estados Unidos autorizou a potencial venda de novos mísseis AGM-114R Hellfire para equipar a Força Aérea da Dinamarca. A operação, enquadrada no Programa de Vendas Militares ao Estrangeiro (FMS) e avaliada em 45 milhões de dólares norte-americanos, foi comunicada pelo Departamento de Estado ao Congresso dos EUA nos últimos dias, para efeitos de apreciação e aprovação.
Modernização das Forças Armadas dinamarquesas e reforço de capacidades
Nos últimos meses, tal como tem vindo a ser noticiado e à semelhança do que acontece noutros países europeus, a Dinamarca tem acelerado a aquisição de novos meios militares com dois objectivos centrais: renovar plataformas actualmente em serviço nas suas Forças Armadas e recuperar - ou introduzir - capacidades consideradas prioritárias.
Nesse esforço enquadra-se a entrada ao serviço dos caças F-35, destinados a substituir os F-16 que estão a ser transferidos para a Argentina e para a Ucrânia, ao mesmo tempo que a frota dinamarquesa será ampliada. Também fazem parte desse pacote de modernização as negociações em curso com os Estados Unidos para a aquisição de novos aviões de patrulha marítima e reconhecimento P-8A Poseidon, processo que recebeu, há poucos dias, autorização do Departamento de Estado.
Drones MQ-9B Sky Guardian e emprego no Atlântico Norte e no Árctico
Em paralelo, merece destaque a aposta em plataformas aéreas não tripuladas, como os novos MQ-9B Sky Guardian, cuja aquisição foi confirmada e formalizada no final de Julho de 2025. De acordo com o contrato assinado com a empresa norte-americana - tendo como enquadramento o Royal International Air Tattoo (RIAT) - a Força Aérea dinamarquesa passará a dispor de quatro novos sistemas, pensados para missões de vigilância, reconhecimento e informações (intelligence) no Atlântico Norte e, potencialmente, no Árctico, operando sob disposição do Comando Conjunto Árctico dinamarquês.
A integração de armamento guiado nestas plataformas tende a ampliar a flexibilidade operacional, sobretudo em cenários onde a persistência no teatro de operações, a recolha de informação e a capacidade de reacção rápida são determinantes. Além do vector em si, estas aquisições costumam implicar adaptações em doutrina, treino de tripulações, procedimentos de segurança e planeamento de manutenção ao longo do ciclo de vida.
Mísseis AGM-114R Hellfire para a Força Aérea da Dinamarca: pedido de 100 unidades
Com este contexto, e conforme reportado pela Agência de Cooperação em Defesa e Segurança (DSCA) a 8 de Janeiro, o governo dinamarquês solicitou igualmente a compra de um lote de cem (100) mísseis ar-superfície AGM-114R Hellfire. Embora não tenha sido explicitado, é plausível que estes mísseis se destinem ao emprego nos futuros MQ-9B Sky Guardian; como alternativa, importa referir os helicópteros MH-60R ao serviço do 723.º Esquadrão de Aviação Naval da Marinha Real Dinamarquesa, baseado na Base de Karup.
Do ponto de vista do processo FMS, este tipo de autorização representa um passo formal relevante, mas também um compromisso alargado que normalmente abrange apoio logístico, documentação técnica e itens associados à operação segura do armamento. Na prática, a capacidade final depende tanto da entrega dos mísseis como da disponibilidade de lançadores, de meios de treino e de suporte continuado.
Conteúdo do pacote e empresa fornecedora
O pacote autorizado, com o valor referido de 45 milhões de dólares norte-americanos, tem como fornecedor principal a Lockheed Martin. Para além dos mísseis, inclui igualmente:
- mísseis de treino;
- lançadores de mísseis Hellfire M299;
- contentores;
- documentação;
- apoio correspondente.
Características do AGM-114R Hellfire (variante Romeo)
Quanto às especificações da versão solicitada, a variante Romeo da família AGM-114 Hellfire está entre as mais recentes actualmente em serviço e em produção. Segundo a Lockheed Martin, esta versão reúne e consolida, numa única solução, as variantes anteriores do míssil de guiamento por laser semiactivo, recorrendo a uma ogiva multipropósito.
Esta configuração permite atacar um leque diversificado de alvos terrestres, que pode ir desde veículos blindados, sistemas de defesa antiaérea, embarcações de patrulha, até combatentes inimigos em edifícios, áreas abertas, veículos do tipo SUV ou grutas, de acordo com a empresa norte-americana. O alcance indicado situa-se entre 7,1 e 8 quilómetros, variando conforme o tipo de lançamento e o modo de aquisição/engajamento do alvo.
Fotografias utilizadas apenas a título ilustrativo.
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