Em 2025, a Porsche foi obrigada a olhar de frente para uma realidade menos brilhante. A marca de Estugarda viu os lucros descerem 92,7%, de 5,64 mil milhões de euros em 2024 para apenas 413 milhões de euros no último ano.
Mas a resposta já está desenhada. Com apenas 70 dias no cargo, o novo diretor-executivo, Michael Leiters, assumiu que a prioridade passa a ser a exclusividade e não o volume, com foco em segmentos de maior margem.
Esta mudança de rumo abre espaço para o desenvolvimento de um novo hipercarro, sucessor do 918 Spyder. Trata-se de uma hipótese que a Porsche já tinha explorado em 2023, quando apresentou o protótipo Mission X 100% elétrico, mas que nunca chegou à fase de produção. O motivo? A procura continua limitada para este tipo de máquinas de alta performance 100% elétricas, um tema que também foi debatido no último podcast Auto Rádio da Razão Automóvel.
Segundo o responsável máximo, “estamos a considerar expandir o nosso portfólio de produtos para crescer em segmentos com maiores margens. Nesse sentido, estamos a analisar modelos e derivados posicionados acima dos nossos atuais desportivos de duas portas (911) e também acima do Cayenne”.
Em termos práticos, isto pode apontar para uma de duas hipóteses: a chegada de versões mais exclusivas, luxuosas e caras do 911 - que, em teoria, ficariam acima dos desportivos atuais da gama - ou para algo totalmente novo, abrindo caminho a um novo supercarro ou hipercarro, em confronto direto com propostas da Ferrari e da Lamborghini.
Improvável ser 100% elétrico
Se a Porsche avançar por esta segunda via, dificilmente veremos um modelo 100% elétrico, porque, tal como aconteceu com o Mission X, a procura continua a ser mínima ou praticamente inexistente.
São cada vez menos os construtores a apostar em desportivos elétricos. A Lamborghini é um exemplo disso, tendo recentemente cancelado o seu primeiro elétrico. A marca italiana vai manter a aposta nos híbridos, como já vimos nos novos Temerario e Revuelto, que continuam a contar com V8 e V12, respetivamente.
Na Porsche, a tendência é semelhante. A aposta na eletrificação não está a devolver o que era esperado e a marca acabou por recuar um pouco na sua ambição. Vai lançar um novo SUV com motor de combustão para complementar a segunda geração do Macan, que é exclusivamente elétrica.
E o SUV previsto para ficar acima do Cayenne - com três filas de bancos -, conhecido para já como K1, já não será exclusivamente elétrico, como estava inicialmente planeado, passando a ser lançado com motores de combustão associados a sistemas híbridos.
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