A Argentina e os Estados Unidos estão a avançar no planeamento do exercício combinado Atlantic Dagger, uma nova etapa de cooperação militar que irá reunir, no próximo mês de abril, unidades de Forças de Operações Especiais de ambos os países. Sob coordenação do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCO) e do Comando Conjunto de Operações Especiais (CCOE), esta actividade está a desenhar-se como uma das mais relevantes dos últimos anos no que toca a projecção, treino e emprego conjunto.
Atlantic Dagger e Forças de Operações Especiais: objectivo e enquadramento
O Atlantic Dagger será um Exercício de Forças de Operações Especiais (SOF, na sigla em inglês), concebido para reforçar a interoperabilidade entre os comandos argentinos e norte-americanos. A iniciativa procura alinhar métodos de planeamento, padrões de execução e capacidades de coordenação no terreno, criando rotinas comuns para actuações combinadas.
O impulso institucional para este formato foi formalizado através de um Memorando de Entendimento, assinado em Março de 2025, entre o CCOE argentino e o Comando Sul de Operações Especiais dos EUA. O documento estabelece as bases de um programa de adestramento conjunto que prevê: - intercâmbio de especialistas; - desenvolvimento de procedimentos comuns; - realização de exercícios combinados.
Unidades previstas: participação norte-americana e expectativa argentina
Do lado norte-americano, foi confirmada a presença de unidades de referência, incluindo: - Green Berets do Exército (Boinas Verdes); - Air Force Special Operations Command; - elementos do Marine Special Operations Command (MARSOC).
No caso argentino, embora as unidades envolvidas ainda não tenham sido anunciadas oficialmente, é expectável a participação de: - companhias de comandos do Exército (601, 602 e 603); - Companhia de Forças Especiais 601; - Companhia de Apoio às Forças de Operações Especiais 601; - Grupo de Operações Especiais (GOE) da Força Aérea; - agrupamentos de Mergulhadores Tácticos e Comandos Anfíbios da Armada Argentina.
Valor operacional: retomar treino combinado e aprofundar capacidades
Este tipo de exercícios, cuja frequência diminuiu desde os anos 2000, permite recuperar a interacção operacional com uma das forças armadas mais experientes do mundo. As unidades dos EUA, consideradas parte da elite global em operações especiais e com historial alargado em missões reais, deverão contribuir com know-how em: - contraterrorismo; - resgate de reféns; - guerra não convencional.
Em paralelo, os efectivos argentinos terão oportunidade de consolidar a sua capacidade de adaptação, coordenação e resposta conjunta em cenários de elevada exigência.
Cenários e áreas de treino: componente continental e austral
Apesar de as localizações exactas permanecerem reservadas, está previsto que o Atlantic Dagger inclua cenários continentais e austrais, em linha com exercícios multidomínio conduzidos pelo EMCO na Patagónia durante 2024. O reencontro entre comandos especiais da Argentina e dos Estados Unidos reforça o papel do CCOE enquanto eixo de integração operacional e sustenta uma cooperação com ambição de alargamento e continuidade até 2027.
Integração de sistemas e procedimentos: o que costuma ser afinado neste tipo de exercício
Para além do treino táctico em si, iniciativas como o Atlantic Dagger tendem a focar-se em aspectos frequentemente decisivos para operações combinadas, como comunicações seguras, coordenação de apoio aéreo, evacuação médica e padronização de procedimentos de comando e controlo. Esse alinhamento é essencial para reduzir fricções entre forças, encurtar tempos de decisão e melhorar a eficácia quando diferentes unidades actuam sob o mesmo plano.
Treino em ambientes exigentes e sustentabilidade operacional
A inclusão de áreas austrais, associadas a condições meteorológicas mais severas e a longas distâncias logísticas, costuma funcionar como multiplicador de realismo. Nesses contextos, ganham relevância a gestão de abastecimentos, a manutenção de equipamentos, a navegação e a sobrevivência em terreno complexo - competências que reforçam a prontidão para responder a crises e missões de elevada complexidade.
Imagens utilizadas com carácter meramente ilustrativo.
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