As Forças Aeroespaciais Russas comunicaram, através de uma nota curta divulgada nos seus canais oficiais, que os seus bombardeiros estratégicos Tu-95MS realizaram as primeiras patrulhas de longo alcance do ano, tendo o Mar do Japão como área de operações. Com base na informação disponibilizada e no material multimédia associado, a missão prolongou-se por 11 horas, durante as quais as aeronaves foram acompanhadas por caças Su-30SM e Su-35S, com o objectivo de reforçar a segurança ao longo do trajecto em espaço aéreo internacional.
A entidade sublinhou ainda que: “Todos os voos de aeronaves das Forças Aeroespaciais Russas são realizados em estrita conformidade com as regras internacionais que regem a utilização do espaço aéreo.” Foi igualmente indicado que se tratou de um voo planeado com antecedência, à semelhança do que aconteceu no ano passado nos meses de Janeiro, Agosto e Outubro, pelo que não teria sido concebido para visar qualquer país em particular.
Apesar disso, meios de comunicação locais no Japão já avançaram com suspeitas de que esta actividade poderá transportar um sinal de dissuasão dirigido aos Estados Unidos e a aliados regionais, atendendo ao facto de se tratar de plataformas com elevada capacidade de ataque.
Tu-95MS e Mar do Japão: contexto operacional e escolta por Su-30SM e Su-35S
O Tu-95MS é um bombardeiro estratégico de longo alcance frequentemente utilizado em voos de patrulha e demonstração de presença, sobretudo em corredores aéreos internacionais onde a actividade é mais intensamente observada por países vizinhos. Nestes perfis de missão, a escolta por caças como o Su-30SM e o Su-35S funciona tanto como protecção imediata como também como elemento de coordenação táctica durante segmentos do voo mais sensíveis.
Em paralelo, este tipo de operações tende a ser acompanhado de perto por forças aéreas da região, não só por questões de soberania e vigilância, mas também para reduzir o risco de incidentes. Em áreas como o Mar do Japão, a previsibilidade do trajecto, a disciplina de comunicações e o cumprimento de procedimentos internacionais são factores determinantes para evitar escaladas involuntárias.
Menos descolagens de alerta no Japão em 2025, segundo o Estado-Maior Conjunto
Importa notar que esta missão dos Tu-95MS surge poucos dias depois de o Gabinete do Estado-Maior Conjunto do Japão ter indicado que, em 2025, se verificou uma redução de até 14% no número de deslocações de aeronaves japonesas para responder à presença de aviões russos e chineses na sua Zona de Identificação de Defesa Aérea. No total, foram registadas 448 saídas, face a 521 em 2024, esclarecendo-se que, em ambos os casos, o período analisado decorre de 1 de Abril a 31 de Dezembro.
Ao detalhar os 448 episódios contabilizados, os dados apontam para a seguinte distribuição:
- 304 ocorrências associadas ao acompanhamento de aeronaves destacadas pela China (68% do total);
- 130 ocorrências relacionadas com a Rússia (cerca de 29%);
- 3% atribuídos à categoria “Outros”, que agrega países com actividade pontual nas proximidades do Japão (sendo Taiwan referido como exemplo).
Distribuição geográfica das actividades: Hokkaido, Honshu e o sudoeste japonês
No que respeita aos voos russos considerados no relatório, destaca-se que a maioria das saídas ocorreu nas regiões norte e noroeste do país, sobretudo nas imediações das ilhas de Hokkaido e Honshu. Já no caso das patrulhas conjuntas envolvendo aeronaves russas e chinesas, o padrão apresentado indica que estas se concentraram principalmente junto ao sudoeste do Japão, com trajectos que incluíram eixos entre Okinawa, Ilha Miyako e Yonaguni.
Créditos da imagem: Ministério da Defesa da Rússia
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