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Suécia e Dinamarca vão doar novos sistemas antiaéreos Tridon Mk2 à Ucrânia para combater drones russos.

Soldado aponta para um tanque militar com bandeiras da Suécia, Dinamarca e Ucrânia numa área de campo aberto.

A Suécia e a Dinamarca confirmaram que vão avançar com uma doação conjunta de sistemas antiaéreos Tridon Mk2 às Forças Armadas da Ucrânia, com o propósito de reforçar a defesa aérea ucraniana face ao aumento de ataques com drones russos. O anúncio enquadra-se no esforço europeu para elevar as capacidades militares de Kiev na protecção do espaço aéreo e de infraestruturas críticas, alvos recorrentes das ofensivas russas. Com este pacote, a Ucrânia deverá receber meios suficientes para equipar uma unidade com dimensão equivalente a um batalhão de defesa antiaérea.

Doação conjunta de sistemas antiaéreos Tridon Mk2 para a Ucrânia

A componente dinamarquesa desta doação está avaliada em 300 milhões de coroas dinamarquesas, sendo financiada através do Pacote de Doações 29, apresentado em Dezembro. De acordo com as autoridades, o acordo não se limita aos sistemas em si: inclui também o fornecimento de munições e peças sobresselentes indispensáveis para a operação dos Tridon Mk2, um sistema de origem sueca produzido pela BAE Systems.

O ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, afirmou que, com esta entrega, a Dinamarca ajuda a fortalecer a defesa aérea da Ucrânia “no meio de um inverno em que os ataques aéreos russos contra a infraestrutura civil afectam o abastecimento energético do país”. Acrescentou ainda que o “apoio militar contínuo e massivo” é determinante para dotar a Ucrânia das capacidades necessárias para resistir e prosseguir “a sua luta pela liberdade”.

Do lado sueco, o ministro da Defesa Pål Jonsson sublinhou o peso político e operacional da iniciativa, defendendo que “é significativo” que a Suécia e, a partir de agora, também a Dinamarca, doem Tridon à Ucrânia. Segundo explicou, uma aquisição conjunta orientada para apoiar Kiev não só reforça as capacidades ucranianas no terreno, como também melhora a segurança de abastecimento sueca, nórdica e europeia.

Tridon Mk2: origem, apresentação e enquadramento europeu

O Tridon Mk2 foi apresentado oficialmente em 2024, durante a Eurosatory, a Feira Internacional realizada em Paris, como parte da resposta da BAE Systems ao crescimento da procura, por parte das forças armadas europeias, de soluções de defesa aérea. A empresa descreveu-o como um sistema móvel de elevada precisão, concebido para colmatar lacunas existentes e aumentar a disponibilidade de meios antiaéreos em diferentes cenários operacionais.

A BAE Systems indicou que o Tridon Mk2 “é um sistema antiaéreo móvel de alta precisão”, equipado com capacidades de munições críticas, incluindo a munição programável Bofors 3P, apresentada como a “espinha dorsal” do sistema. A empresa acrescentou que o alcance eficaz pode ir até 12 quilómetros, dependendo do tipo de alvo, da munição seleccionada, do conjunto de sensores e do terreno, o que se traduz numa flexibilidade operacional elevada.

Antes da apresentação na Eurosatory 2024, a presidente da BAE Systems Bofors, Lena Gillström, defendeu que o Tridon Mk2 é uma solução adequada para operações de combate, nas quais os militares precisam de um sistema antiaéreo “comprovado, de alta precisão e fiável” para manter o céu controlado e proteger tanto as tropas como a infraestrutura. Estas características tornam-no particularmente atractivo para forças que procuram complementar sistemas de mísseis mais dispendiosos.

Capacidades do sistema antiaéreo de 40 mm

O Tridon Mk2 é um sistema de artilharia antiaérea de 40 mm, autopropulsado e operado por controlo remoto, concebido para enfrentar um leque alargado de ameaças aéreas e terrestres. Pode ser utilizado contra drones, mísseis de cruzeiro, aeronaves e viaturas blindadas, estando pensado para funcionar como um sistema de negação aérea com resposta rápida. O seu desenho modular facilita o destacamento, a manutenção e a adaptação a novas tecnologias.

Para além do impacto imediato no campo de batalha, a chegada de sistemas deste tipo tende a exigir um trabalho consistente de integração operacional, incluindo procedimentos de comando e controlo, coordenação com sensores e regras de empenhamento. Num ambiente onde ataques com drones podem ocorrer em vagas e por diferentes eixos, a capacidade de reorganizar rapidamente a cobertura e redistribuir as peças torna-se tão relevante quanto o alcance nominal do sistema.

Outro factor crítico é a sustentação: a eficácia do Tridon Mk2 dependerá do fluxo contínuo de munição, da disponibilidade de sobresselentes e de rotinas de manutenção capazes de manter a prontidão. A inclusão de munições e peças no pacote anunciado vai precisamente ao encontro dessa necessidade, reduzindo o risco de limitações operacionais por desgaste, intensidade de utilização ou constrangimentos logísticos.

Efeito esperado na defesa aérea ucraniana

Com esta doação conjunta, Suécia e Dinamarca procuram reforçar de forma concreta a capacidade de defesa aérea da Ucrânia, num contexto em que o uso intensivo de drones e ataques aéreos se consolidou como um elemento central do conflito. A entrada em serviço de sistemas antiaéreos Tridon Mk2 deverá alargar a protecção de forças militares e de infraestruturas civis, reforçando o dispositivo defensivo ucraniano perante ameaças aéreas de diferentes tipos.

Imagens meramente ilustrativas.

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