Durante o Singapore Airshow 2026, a italiana Leonardo anunciou a assinatura de uma Carta de Intenções (LOI) com a PT ESystem Solutions Indonesia e com o Ministério da Defesa da República da Indonésia, com vista ao fornecimento e ao apoio ao M-346 F “Bloco 20” (caça ligeiro), em resposta aos requisitos operacionais da Força Aérea Indonésia. A iniciativa enquadra-se no objectivo de Jacarta de actualizar a sua frota aérea e foi pensada, em particular, para substituir aeronaves actualmente ao serviço, como o BAE Hawk 200, combinando capacidades de treino avançado com funções de combate ligeiro.
Selecção do M-346 e modernização da frota da Indonésia
A assinatura desta LOI surge após o Ministério da Defesa indonésio ter seleccionado o M-346 como solução para cobrir, em simultâneo, necessidades de formação de pilotos e de capacidade de combate. O programa pretende contribuir para o plano de modernização da frota do país asiático, introduzindo uma plataforma que reúne tecnologia avançada e desempenho operacional, com o propósito de substituir sistemas considerados ultrapassados e aumentar a flexibilidade de emprego da Força Aérea Indonésia.
Localização de apoio, MRO e desenvolvimento de capital humano na Indonésia
O entendimento preliminar contempla igualmente a localização de capacidades de apoio, manutenção, reparação e revisão geral (MRO), bem como programas de formação e iniciativas de desenvolvimento de capital humano na Indonésia. Segundo as partes envolvidas, concluída esta fase inicial, as conversações deverão avançar para uma etapa mais aprofundada, com a intenção de chegar, a curto prazo, à assinatura de um contrato de aquisição.
Um vector adicional (e frequentemente decisivo) em programas deste tipo é a criação de uma cadeia de suporte local capaz de reduzir tempos de indisponibilidade e assegurar níveis de prontidão sustentados. A instalação de competências de MRO no país pode também facilitar a adaptação de procedimentos, a formação contínua e a consolidação de uma base técnica nacional alinhada com os padrões de operação e segurança da aviação militar moderna.
M-346 F “Bloco 20”: aviônicos, sensores e sistemas de missão para combate ligeiro
Na configuração de caça ligeiro, o M-346 F “Bloco 20” integra cabinas com Ecrã de Grande Área (LAD), radar AESA (matriz activa de varrimento electrónico), ligação de dados Link 16, sistemas de contramedidas electrónicas e novos sistemas de armamento. A plataforma inclui ainda capacidade de reabastecimento em voo e sistemas de missão avançados, permitindo executar missões ar-ar e ar-superfície dentro de um perfil de combate ligeiro.
Este conjunto de capacidades procura responder não só à necessidade de substituir aeronaves antigas, como também a exigências actuais de consciência situacional, conectividade e sobrevivência em ambientes contestados, onde a integração de sensores, comunicações e autoprotecção tem um papel central no êxito das operações.
Sistema integrado de treino avançado: GBTS e conceito LVC
A Leonardo sublinha que o M-346 faz parte de um sistema integrado de treino avançado que inclui um Sistema de Treino em Terra (GBTS) e a combinação de cenários simulados com voos reais segundo o conceito Vivo, Virtual e Construtivo (LVC). Esta arquitectura foi concebida para optimizar a transição dos pilotos para caças de elevado desempenho e para sistemas de combate aéreo de nova geração, preservando a coerência entre a instrução e as operações no mundo real.
Experiência operacional e adopção internacional do M-346
O M-346 ultrapassou 150 000 horas de voo e contabiliza perto de 160 aeronaves vendidas a nível global, sendo utilizado por forças aéreas de várias regiões, incluindo a Ásia. Presentemente, pilotos de 20 países treinam nesta plataforma ou optaram pela sua variante de combate como caça ligeiro multifunções, o que sustenta a sua adopção como uma solução já testada tanto para formação como para operações tácticas.
Contexto de aquisições da Indonésia: Rafale e o ponto de situação do F-15EX
Em paralelo, o enquadramento de aquisições da Indonésia regista evoluções relevantes noutros programas. Poucos dias após confirmar a recepção dos seus primeiros caças Rafale de fabrico francês, foi noticiado que o país terá decidido não avançar com a compra do F-15EX Eagle II da Boeing. A indicação foi referida por Bernd Peters, Vice-Presidente de Desenvolvimento de Negócio e Estratégia da Boeing, que afirmou no Singapore Airshow que a venda destas aeronaves à Indonésia já não constitui uma “campanha activa”.
Importa recordar que, desde 2022, a Força Aérea Indonésia dispunha de aprovação do Departamento de Estado dos Estados Unidos para avançar com a aquisição do F-15EX e que, em 2023, Jacarta sinalizou formalmente a intenção de comprar 24 aeronaves. Chegou mesmo a ser assinado um Memorando de Entendimento durante uma visita oficial à unidade de produção da Boeing em St. Louis, Missouri, onde se previa que os aparelhos fossem construídos.
Apesar de não existir, até ao momento, uma declaração oficial do Governo indonésio sobre o cancelamento do negócio, analistas norte-americanos sugerem que a compra recente de 42 Rafale poderá ter limitado a capacidade financeira do país para avançar, em simultâneo, com o F-15EX. A isto somam-se incertezas associadas a calendários de entrega, factores que podem ter inviabilizado a aquisição das duas plataformas, mesmo que em quantidades mais reduzidas.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
Sugestão de leitura: A Indonésia recebeu oficialmente os seus três primeiros novos caças Rafale F4 após concluírem o voo de transferência desde França.
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