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A Marinha Russa vai iniciar em breve a construção de uma nova fragata da classe Gorshkov.

Dois homens, um com uniforme militar e outro de capacete e colete, consultam plantas junto a um grande navio militar num esta

A Armada da Rússia poderá dar mais um passo no reforço da sua frota de superfície com a próxima construção de uma nova fragata do Projeto 22350, pertencente à classe “Almirante Gorshkov”, de acordo com informação divulgada em fontes de Inteligência de Fontes Abertas (OSINT). Esses dados apontam para uma cerimónia de colocação da quilha durante o mês de maio, no estaleiro Severnaya Verf, em São Petersburgo.

Apesar de, até ao momento, não existir confirmação oficial por parte das autoridades russas, a indicação surge a partir de relatos publicados em fóruns especializados, pelo que deve ser encarada como preliminar. Ainda assim, a eventual entrada de mais uma unidade enquadra-se na linha de esforços sustentados de Moscovo para ampliar e modernizar a sua frota de escoltas oceânicos, num contexto em que procura consolidar capacidades navais de projeção e dissuasão.

As fragatas do Projeto 22350 são hoje um dos pilares da renovação da Armada da Rússia. Foram concebidas como plataformas polivalentes, aptas a executar missões de defesa aérea, guerra antissubmarina e ataques contra alvos de superfície e objetivos terrestres. Destacam-se, adicionalmente, pela capacidade de empregar mísseis de elevada sofisticação tecnológica, incluindo os sistemas Kalibr e - nas unidades mais recentes - o míssil hipersónico Tsirkon, cuja integração é considerada um dos marcos centrais do programa.

O percurso desta classe ficou marcado pela entrada ao serviço, em julho de 2018, da fragata Almirante Gorshkov (417), primeira unidade do tipo. Nos últimos anos, o navio tem sido utilizado como plataforma de ensaio para novos armamentos, incluindo os mísseis hipersónicos referidos. Desde então, a Armada da Rússia manteve a cadência de construção de novas unidades, com algumas já operacionais e outras em diferentes fases de preparação e construção.

Um aspeto frequentemente associado a este tipo de navios é o impacto operacional da sua introdução: a adoção de novas fragatas implica ciclos de treino mais exigentes, integração de doutrinas de emprego de sensores e armas, e uma organização logística capaz de sustentar operações prolongadas em alto-mar - fatores determinantes para transformar capacidades técnicas em disponibilidade real.

Em paralelo, a continuidade do programa depende também de uma base industrial consistente, desde a coordenação entre estaleiros e fornecedores até ao cumprimento de prazos de integração de sistemas. Este tipo de gestão é particularmente relevante em navios multi-missão, onde a compatibilização entre radares, sistemas de combate e diferentes tipos de munições influencia diretamente a performance final.

Projeto 22350 – Classe Gorshkov (fragatas do Projeto 22350)

Concebidos para substituir as antigas fragatas soviéticas das classes Neustrashimy e Krivak, os navios desta classe apresentam um deslocamento de 4 500 toneladas e conseguem atingir uma velocidade máxima de 29 nós. O armamento inclui lançadores para mísseis Oniks e Kalibr, além de sistemas de mísseis terra-ar Poliment-Redut. As fragatas do Projeto 22350 são navios de combate multiuso, capazes de enfrentar navios de superfície, aeronaves e submarinos inimigos, bem como realizar ataques contra instalações terrestres e costeiras com um alcance superior a 1 500 km.

No que se refere ao lançamento de mísseis, as fragatas do Projeto 22350 dispõem de dois lançadores verticais universais 3S-54 para disparar mísseis antinavio 3M-43 (designação OTAN SS-N-27 Sizzler), mísseis de cruzeiro 3M-14 contra objetivos terrestres fixos e mísseis antissubmarinos 91RT2 do complexo Kalibr, bem como mísseis antinavio 3M-55 Onix (designação OTAN SS-N-26 Strobile). Já o míssil hipersónico Tsirkon é disparado pelo lançador vertical universal 3S-14, que também é capaz de lançar mísseis antinavio 3M-54 (designação OTAN SS-N-27 Sizzler), mísseis de cruzeiro embarcados 3M-14 contra alvos terrestres e mísseis Kalibr guiados para guerra antissubmarina 91RT2, além do míssil antinavio Onix 3M-55 (designação OTAN SS-N-26 Strobile).

Importa ainda referir que a mais recente botadura de uma fragata deste projeto ocorreu em meados de 2025, correspondendo à quinta plataforma desta classe, batizada como Almirante Amelko. Em simultâneo, o programa 22350 tem evoluído com melhorias graduais em sensores, sistemas de combate e capacidade de armamento. Também estão previstas variantes alargadas - como o Projeto 22350M - orientadas para aumentar o deslocamento e as capacidades destas fragatas, aproximando-as, em certos aspetos, do conceito de contratorpedeiros ligeiros.

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