Saltar para o conteúdo

As Forças Armadas da Ucrânia atacam a fragata russa Admiral Makarov em Novorossiysk com drones.

Veículo aéreo não tripulado a descolar da água com navio militar e gruas em fundo marítimo.

Por meio de uma breve nota publicada no seu canal de Telegram, o comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados, Robert Brovdi, comunicou que as Forças Armadas Ucranianas terão atacado com drones a fragata russa “Admiral Makarov” no porto de Novorossiysk. Segundo a descrição divulgada, a acção ocorreu durante as primeiras horas de hoje e inseriu-se numa operação mais abrangente, na qual foi igualmente visada a plataforma petrolífera “Syvash”.

Brovdi acrescentou que o ataque à fragata russa terá sido executado por drones do 1.º Centro das Forças de Sistemas Não Tripulados, com apoio e coordenação do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), entidade que também ficará responsável pelo trabalho de informações subsequente para confirmar a extensão dos danos. Como primeiro indício favorável ao êxito da operação, a fonte referiu que o governador regional confirmou a ocorrência de um incêndio de grandes dimensões no porto de Novorossiysk durante a noite.

Fragata “Admiral Makarov” e o papel na Frota do Mar Negro

Importa recordar que a Admiral Makarov é um meio de combate relevante da Frota do Mar Negro da Marinha russa, sobretudo por poder empregar mísseis de cruzeiro Kalibr e Oniks, frequentemente utilizados em ataques contra alvos na Ucrânia. Este navio pertence à classe Project 11356M Burevestnik, cuja primeira unidade foi a fragata Admiral Grigorovich - inicialmente apontada como alvo dos ataques, antes de uma actualização de dados atribuída ao SBU.

A utilização de drones contra activos navais em porto sublinha uma tendência já observada no teatro do Mar Negro: a procura de efeitos operacionais e simbólicos com meios relativamente baratos, explorando vulnerabilidades na vigilância, na defesa de ponto e na organização da protecção de infra-estruturas costeiras. Em paralelo, a selecção de alvos com valor militar e logístico indica um esforço para limitar a capacidade russa de lançar ataques de precisão e de manter presença efectiva na região.

Principais características do Project 11356M Burevestnik

Num resumo das características mais relevantes, as fragatas desta classe apresentam cerca de 124,8 m de comprimento e um calado de aproximadamente 4,2 m, com um deslocamento padrão na ordem das 3 620 toneladas. Ao nível da propulsão, recorrem a um sistema do tipo CODAG, que lhes permite atingir velocidades até 30 nós (cerca de 55,6 km/h) e uma autonomia por volta de 4 850 milhas náuticas (aproximadamente 8 982 km) a 14 nós (cerca de 25,9 km/h).

Armamento, sensores e guerra electrónica (Kalibr, Oniks, UKSK VLS)

Quanto ao armamento, para além dos mísseis de cruzeiro Kalibr e Oniks lançados a partir de células UKSK VLS, estas fragatas incluem um canhão principal A-190, sistemas antiaéreos Shtil-1 e dois sistemas Kashtan CIWS. Dispõem ainda de tubos lança-torpedos de 533 mm, de um lança-foguetes RBU-6000 e de um hangar capaz de operar helicópteros Ka-27PL ou Ka-31, reforçando as suas capacidades de guerra antissubmarina e vigilância.

Em matéria de sensores, o desenho apoia-se sobretudo no radar Fregat M2EM para seguimento de alvos aéreos e em sistemas T-25E Garpun-B para pesquisa de ameaças navais. No domínio da autoprotecção, integra o conjunto de guerra electrónica TK-25E-5 e contramedidas KT-216.

A confirmação de danos em ambiente portuário tende a ser particularmente complexa: fumo, incêndios secundários e medidas de controlo de informação podem dificultar a avaliação imediata. Por essa razão, a referência ao envolvimento do SBU na verificação pós-ataque indica uma preocupação em obter confirmação independente - por exemplo, através de observação técnica, intercepções, imagens e outras fontes.

Outros ataques com drones: plataforma “Syvash” e alvos na Crimeia, Luhansk e Donetsk

No que diz respeito a outras acções conduzidas com drones pelas Forças Armadas Ucranianas, foi referido que a plataforma petrolífera Syvash foi atacada pelo 413.º Batalhão de Assalto, em coordenação com elementos da Marinha Ucraniana. Adicionalmente, meios de comunicação locais indicaram que, em datas recentes, terá sido possível destruir pelo menos duas estações de radar, um sistema antiaéreo Tor e outros tipos de meios na Península da Crimeia, bem como nas regiões de Luhansk e Donetsk.

Créditos da imagem: ao(s) respectivo(s) detentor(es) dos direitos.

Também poderá gostar: Reservas esgotadas: Espanha irá em breve transferir apenas cinco mísseis terra-ar PAC-2 para a Ucrânia.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário