Durante o dia de hoje, o estaleiro Damen realizou a botadura do novo navio multimissão da Marinha Portuguesa, o NRP D. João II, com o número de série 10720. A designação do navio pretende homenagear o rei português D. João II, que reinou entre 1481 e 1495, um período inserido na Era dos Descobrimentos.
De acordo com a informação divulgada pela empresa neerlandesa, este marco permite estabelecer um calendário de trabalhos que aponta para a realização das primeiras provas de mar até ao final deste ano, passo após o qual o navio poderá ser integrado ao serviço da Marinha Portuguesa.
Botadura do NRP D. João II: cerimónia, local e autoridades presentes
A cerimónia teve lugar nas instalações da Damen na Roménia, unidades que integram o grupo desde 1999 e que se afirmam como um dos seus principais polos de construção naval.
O evento contou com a presença de altas entidades militares e diplomáticas. A Marinha Portuguesa esteve representada pelo vice-almirante Pires, enquanto a marinha romena marcou presença através do contra-almirante Neculae. Participaram ainda os embaixadores acreditados no país anfitrião, Paulo Alves Cunha (Lisboa) e Willemijn van Haaften (Países Baixos).
Damen e Marinha Portuguesa: navio multimissão para vigilância, ciência e apoio humanitário
Para além do protocolo, importa sublinhar que o NRP D. João II foi concebido desde a origem como uma plataforma multimissão. Entre as funções previstas incluem-se:
- Vigilância e apoio marítimo
- Investigação oceanográfica
- Fiscalização e controlo ambiental
- Assistência humanitária, entre outras missões
Segundo a Damen, o navio destacará ainda um nível elevado de autonomia de sistemas, pensado para reduzir o número de tripulantes necessários à operação. O casco foi igualmente preparado para operar com eficácia em ambientes tropicais e temperados.
Dimensões, capacidade científica e instalações de apoio
Em termos de características físicas, o navio apresenta:
- Deslocamento: cerca de 7 000 toneladas
- Comprimento (eslora): 107 m
- Boca (manga): 20 m
- Calado: 5,5 m
Tendo em conta o perfil versátil da plataforma, o NRP D. João II disponibilizará alojamento para até 42 cientistas, bem como infraestruturas especificamente orientadas para o seu trabalho, incluindo auditórios e laboratórios com elevado nível de equipamento.
O projeto integra também um hospital numa das cobertas, destinado a apoiar operações em cenários de catástrofe natural e, quando necessário, a prestar assistência a cidadãos portugueses evacuados de zonas de conflito.
Operações aéreas e sistemas não tripulados: convés de voo, UAV e meios anfíbios
O navio ficará dotado de um convés de voo com 96 m de comprimento, dimensionado para operar e acolher helicópteros médios até 15 toneladas, bem como sistemas não tripulados de diferentes tipologias:
- Aeronaves não tripuladas de asa rotativa
- Aeronaves não tripuladas de asa fixa
Para apoiar estas operações, o NRP D. João II incluirá uma catapulta para lançamento de UAV, instalada a estibordo, à frente da ponte de comando.
Nas zonas laterais, o navio incorpora ainda áreas aptas a desdobrar pequenas embarcações e outros veículos anfíbios, complementadas por gruas com capacidade de elevação na ordem das 30 toneladas.
Calendário do programa e financiamento europeu (RRF / PRR)
É igualmente relevante recordar que a Marinha Portuguesa e a Damen trabalham neste programa desde 2024. Nesse ano, durante o mês de abril, ocorreram tanto a cerimónia do primeiro corte de aço como a colocação da quilha.
O projeto tem beneficiado de apoio financeiro através do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (RRF) da União Europeia, com gestão ao longo destes anos por Recover Portugal (PRR).
Valor operacional e impacto na prontidão
Um navio com estas características reforça a capacidade de a Marinha Portuguesa responder, com uma única plataforma, a missões de natureza muito distinta - desde a presença e vigilância no mar até à produção de conhecimento científico e ao apoio a populações em situações de emergência. Essa flexibilidade permite ajustar a configuração do navio ao tipo de operação, reduzindo tempos de preparação e melhorando a prontidão.
Ao mesmo tempo, a aposta em autonomia de sistemas tende a traduzir-se numa operação mais eficiente, ao otimizar recursos humanos a bordo, sem comprometer a capacidade de projeção de meios, seja através de aeronaves, sistemas não tripulados ou embarcações de apoio.
Créditos das imagens: Marinha Portuguesa – Damen
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário