A Brigada de Infantaria de Marinha Austral, unidades de superfície da Marinha e meios aeronaval realizaram um treino integrado no Canal de Beagle, com o propósito de reforçar a interoperabilidade e as capacidades conjuntas. Participaram nesta actividade meios dependentes da Divisão de Patrulhamento Austral e aeronaves da Aviação Naval, o que permitiu uniformizar rotinas e validar procedimentos operacionais num cenário marítimo conhecido por condições particularmente exigentes.
O ambiente do Canal de Beagle, marcado por ventos intensos, baixa visibilidade e temperaturas reduzidas, obriga a um planeamento rigoroso e a uma coordenação muito estreita entre plataformas. Por isso, este tipo de treino integrado é determinante para reduzir tempos de resposta, melhorar a consciência situacional e aumentar a segurança das operações em águas austrais.
Meios navais e aeronaval envolvidos no treino no Canal de Beagle
O exercício contou com a intervenção da lancha rápida ARA Indómita, da lancha patrulha ARA Barranqueras e do patrulheiro oceânico ARA Storni, actualmente destacado em Ushuaia como navio-estação. Estes meios actuaram em articulação com o Batalhão de Infantaria de Marinha n.º 4, que conduziu um treino anfíbio complementado por helitransporte de tropas através de dois helicópteros Sea King pertencentes à Segunda Esquadrilha Aeronaval de Helicópteros (EAH2). A integração entre unidades navais e aeronaval possibilitou executar manobras com elevada precisão e avaliar o desempenho conjunto em tempo real.
Requalificação de nadadores de salvamento e operações em água fria
Durante a actividade foi igualmente realizada a requalificação de nadadores de salvamento colocados em Ushuaia, um processo que incluiu o lançamento de nadadores a partir de aeronaves em voo e a recuperação de um “ferido” simulado. As acções decorreram em águas de temperatura muito baixa, factor que eleva significativamente a complexidade do treino e exige um nível elevado de preparação das tripulações e das equipas de resgate.
A par da componente táctica, estas práticas reforçam competências críticas de sobrevivência e de apoio a incidentes no mar, incluindo a gestão do risco de hipotermia e a coordenação entre a plataforma aérea e os navios de superfície. A validação destes procedimentos é especialmente relevante em áreas remotas, onde a assistência externa pode ser limitada e os prazos de resposta são decisivos.
VERTREP para sustentação logística das unidades de superfície
Na fase final do exercício, os helicópteros efectuaram reabastecimento vertical (VERTREP) para as unidades de superfície envolvidas. Este procedimento é essencial para manter operações prolongadas e viabiliza a movimentação de carga quando o estado do mar, o vento ou as limitações de aproximação não permitem métodos tradicionais de transferência entre navios.
As exercitações integradas conduzidas pela Marinha Argentina procuram garantir a interoperabilidade entre os seus diferentes componentes operacionais. Desta forma, contribuem para a prontidão permanente dos meios navais destacados no sector austral do país, uma região estratégica para o controlo marítimo e para a defesa da soberania.
Encerramento de outra grande actividade - Sea King e Campanha Antártica de Verão 2025/2026
Em paralelo com estas acções, os helicópteros Sea King da Marinha concluíram a sua participação na Campanha Antártica de Verão 2025/2026, organizada pelo Comando Conjunto Antártico (COCOANTAR). Após vários meses de operações, as aeronaves regressaram à sua base, depois de cumprirem um dos desdobramentos logísticos mais exigentes do calendário militar argentino, em apoio directo às Bases Antárcticas Conjuntas (BAC).
Os helicópteros SH-3H operaram embarcados a bordo do rompe-gelos ARA Almirante Irízar, a partir do qual executaram missões de transporte de carga, movimentação de pessoal, evacuações médicas, apoio a actividades científicas e recolha de resíduos. Durante a campanha, os Sea King actuaram nas bases San Martín, Marambio, Orcadas, Belgrano II, Petrel e Esperanza, acumulando cerca de 200 horas de voo e reafirmando a sua relevância para as operações antárcticas argentinas.
Imagem de capa: Marinha Argentina – Área Naval Austral
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