Além dos três mil milhões de euros previstos até 2029 para apoiar a compra de veículos elétricos por agregados de baixos e médios rendimentos, foi entretanto divulgado que o pacote de incentivos deverá abranger também veículos elétricos usados.
Critérios do novo programa de incentivos a veículos elétricos na Alemanha
Com início marcado para 1 de janeiro do próximo ano, o novo programa deverá ter regras mais apertadas do que as anteriores. O apoio aponta para 4 000 euros na compra de veículos com preço inferior a 45 000 euros. Para comparação, o esquema anterior (que terminou em 2023) aceitava automóveis elétricos até 65 000 euros.
No caso das empresas, o teto de preço poderá ir até 100 000 euros, contemplando ainda uma depreciação de 75% (segundo o portal Carwow).
Os incentivos destinam-se exclusivamente a automóveis 100% elétricos, ficando de fora os híbridos plug-in. O pagamento só deverá ser efetuado depois do registo do veículo.
Limite de rendimentos e condições (ainda por confirmar)
Para lá do valor máximo do veículo elétrico, o novo programa deverá também impor uma restrição adicional: ser elegível apenas quem tiver rendimentos anuais brutos até 45 000 euros. Ainda assim, este ponto permanece sem confirmação oficial.
Tim Kluessendorf, secretário-geral do SPD (Partido Social Democrata), afirmou ao jornal Bild que a transição elétrica tem de ser financeiramente alcançável para todos, justificando a medida como uma forma de permitir que pessoas com rendimentos baixos e médios passem para uma mobilidade mais sustentável.
Objetivo industrial: reforçar a produção na Alemanha e na Europa
Kluessendorf acrescentou que o programa pretende igualmente dar impulso à indústria automóvel nacional e europeia, indicando que o Ministério do Ambiente será responsável por garantir esse efeito. Na sua perspetiva, o caminho é elétrico e a ambição passa por assegurar que essa produção acontece na Alemanha.
O que diz a indústria?
A VDA (Associação da Indústria Automóvel Alemã), que representa os construtores alemães, reagiu de forma prudente, salientando que ainda não é evidente de que modo estes subsídios se irão traduzir em benefícios claros para o setor. A presidente, Hildegard Müller, defendeu que o Governo deve definir rapidamente as regras para evitar incerteza no mercado, adiamentos de compra e bloqueios nas decisões dos consumidores.
Já o ADAC (clube automóvel alemão) considera importante prolongar a isenção de imposto para veículos elétricos até 2035, como forma de incentivar as vendas. Atualmente, os veículos elétricos registados até ao final de 2025 mantêm a isenção até 2030.
O que pode mudar no mercado de usados
A inclusão de veículos elétricos usados pode alargar o acesso ao incentivo a quem não consegue suportar os preços do novo, mas tende também a aumentar a procura no mercado de segunda mão. Na prática, isso pode pressionar os preços dos usados mais recentes e com melhor autonomia, tornando relevante a definição de critérios claros (por exemplo, idade do veículo, quilometragem ou requisitos mínimos de garantia).
Para quem pondera esta opção, faz sentido avaliar o estado da bateria (histórico de carregamentos, autonomia real e eventuais garantias remanescentes), já que este fator influencia diretamente o custo total de utilização e o valor de revenda.
Medidas em estudo para outras tecnologias
Paralelamente, o Governo alemão estará a analisar apoios para híbridos plug-in e para elétricos com extensor de autonomia, mas estas medidas continuam por concretizar, sem regras e montantes fechados.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário