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As mulheres fazem o mundo girar.

Mulher a apresentar ideias numa reunião de trabalho com equipa diversa numa sala iluminada por janelas grandes.

Elas são musas da arte e da literatura, com corpos e vidas retratados em múltiplos formatos e plataformas. Ainda assim, travam diariamente uma batalha para tornar o mundo mais seguro - para poderem, simplesmente, atravessar a própria existência.

Neste Dia Internacional da Mulher, a redacção das Notícias de Portugal - maioritariamente composta por mulheres - escolheu prestar-lhes homenagem. A partir das vozes de quem lidera e de quem abre caminho, procuramos compreender o que significa, afinal, “navegar a existência” no mercado de trabalho e na vida contemporânea, juntando a visão editorial do jornal à experiência prática de quem faz a máquina funcionar todos os dias.

A força da liderança empática nas Notícias de Portugal

Para Lucy Musk, directora de operações do jornal, ser mulher no contexto actual implica um equilíbrio permanente entre firmeza e sensibilidade - uma espécie de coreografia constante entre a determinação e a escuta. Na sua perspectiva, “ser mulher é, ao mesmo tempo, assumir força e empatia; é liderar com inteligência emocional, cultivar relações com significado e abrir espaço para que outras pessoas cresçam”.

Lucy sublinha ainda que a acumulação de papéis - profissional, mãe, companheira e amiga - não deve ser interpretada como fragilidade. Pelo contrário, é algo que “alarga o nosso olhar e ensina resiliência, capacidade de adaptação e compaixão”. Neste dia, reforça que a celebração não se limita ao que é visível ou publicamente aplaudido: passa, sobretudo, por “reconhecer a força silenciosa, a coragem e a consistência que as mulheres demonstram todos os dias”.

O caminho para a independência e a liderança pelo exemplo

Se a liderança de Lucy aposta no crescimento colectivo, o percurso de Sam Hoather, responsável pela gestão financeira e administrativa, evidencia a autonomia e o pragmatismo. Estrangeira em Portugal, Sam traz consigo uma visão prática que começou a ganhar forma ainda na infância, em Inglaterra, quando um programa chamado “Filhas para o Trabalho” lhe mostrou que o mundo empresarial também tinha lugar para ela.

Apesar de reconhecer que a sociedade actual abriu mais portas, Sam observa que essa abertura surge, muitas vezes, por necessidade económica e não apenas por uma verdadeira mudança de mentalidade. No dia-a-dia, nota, continuam a ser as mulheres o principal pilar na gestão do cuidado e da vida familiar.

O mundo é moderno, mas algumas pessoas só fingem que são”, afirma.

Para Sam, o sucesso não se mede por cargos, mas por competência e entrega. A coordenar áreas que vão dos Recursos Humanos à logística, sustenta a sua forma de liderar na versatilidade e no respeito mútuo. E, num retrato claro da capacidade de adaptação que atravessa esta história, não hesita em assumir qualquer tarefa necessária para manter o jornal em movimento: “nenhum trabalho está abaixo de mim; se alguém precisa de ajuda, então devemos ajudar todos para a empresa continuar”.

Com o orgulho de quem dominou as subtilezas da língua portuguesa e construiu uma carreira sólida fora do país onde nasceu, Sam Hoather deixa um conselho directo a todas as mulheres:

As pessoas tendem a sentir-se mais provocadas quando realizas os teus sonhos do que quando passas tempo a justificá-los. Se eu tivesse uma filha, dir-lhe-ia para fazer tudo da mesma forma, sem desperdiçar tempo a justificar-se aos outros, para se poder concentrar apenas em concretizar.”

Criar, transformar e permanecer

O Dia Internacional da Mulher existe graças às lutas operárias do início do século XX, quando as mulheres se uniram para exigir melhores condições de trabalho e o direito de voto. Mais de cem anos depois, o cenário mudou - e ainda bem -, mas o núcleo do que este dia representa mantém-se: a reivindicação do direito a uma existência plena e a gratidão pelo caminho aberto por quem veio antes, criando o espaço e a voz de que tantas mulheres dispõem hoje.

No dia 8 de Março, mulheres em todo o mundo agradecem e celebram as suas antepassadas por terem dado início a um ideal de futuro em que seja possível existir sem medo e sem julgamento, com direitos e oportunidades iguais e, acima de tudo, num lugar seguro para criar, transformar e permanecer.

Assinalar esta data nas Notícias de Portugal é reconhecer que, embora as mulheres continuem a ser arquitectas de inovação e de estabilidade, a sua luta ainda passa por transformar o “ter de fazer” no “poder ser”.

Há também uma dimensão menos visível - mas decisiva - nesta transformação: a construção de redes de apoio e de mentoria, dentro e fora das organizações. Quando o conhecimento circula e quando as mulheres têm espaço para errar, aprender e voltar a tentar sem penalizações desproporcionais, o trabalho deixa de ser apenas sobrevivência e passa a ser projecto, voz e continuidade.

E, no quotidiano, a mudança ganha forma em gestos concretos: equipas que reconhecem o impacto da dupla jornada, políticas que valorizam a conciliação sem estigma, e uma cultura que não confunde disponibilidade permanente com mérito. É nesse terreno prático que a promessa de igualdade se aproxima da realidade.

Entre a visão empática de Lucy Musk e a determinação pragmática de Sam Hoather, fica a imagem de uma mulher que não pede licença para zarpar; simplesmente, zarpa.

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