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Operação Epic Fury: a ofensiva dos EUA contra a Marinha iraniana e os danos em Bandar Abbas

Homem da marinha consulta mapa no porto com navios e binóculos sobre mesa ao pôr do sol.

À medida que o conflito no Médio Oriente começa a ganhar uma dimensão verdadeiramente regional, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou ter conseguido destruir até 11 navios pertencentes à Marinha iraniana no âmbito da Operação Epic Fury. Entre os alvos mencionados surge o IRIS Makran, um navio originalmente concebido como petroleiro e mais tarde convertido numa base expedicionária. Em paralelo, a divulgação de novas imagens de satélite aponta para danos significativos na base naval de Bandar Abbas, um ponto central para projectar meios no Estreito de Ormuz - e, por isso, um alvo estratégico de grande valor para Washington e para a preservação das rotas marítimas de comércio na região.

CENTCOM e Operação Epic Fury: declarações e objectivos assumidos

Nas redes sociais, o CENTCOM citou a sua avaliação do impacto imediato das acções, afirmando:

“Há dois dias, o regime iraniano tinha 11 navios no Golfo de Omã; hoje não tem nenhum. Durante décadas, o regime iraniano assediou e atacou a navegação internacional no Golfo de Omã. Esses dias terminaram. A liberdade de navegação sustentou a prosperidade económica americana e global por mais de 80 anos. As forças dos EUA continuarão a defendê-la.”

No mesmo contexto, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou numa cerimónia recente de entrega de medalhas que a prioridade da Operação Epic Fury passava por “aniquilar” a força naval iraniana, estimando ainda que os ataques poderiam prolongar-se nas semanas seguintes.

O Estreito de Ormuz como ponto de pressão: porquê Bandar Abbas é decisivo

O Estreito de Ormuz tem sido, historicamente, um dos principais instrumentos de pressão económica do Irão. Trata-se de um estrangulamento geográfico com cerca de 58 quilómetros no ponto mais estreito, por onde circula mais de 20% do comércio mundial de petróleo - aproximadamente 20 milhões de barris por dia. No início do conflito, Teerão indicou rapidamente que poderia avançar para o encerramento do estreito com meios militares, procurando colocar em risco o abastecimento energético global.

Contudo, com a base naval de Bandar Abbas aparentemente atingida - segundo as imagens de satélite agora disponíveis - e com a alegada neutralização de 11 navios, a concretização de um bloqueio eficaz tornar-se-ia, pelo menos no curto prazo, substancialmente mais difícil.

Um efeito colateral imediato deste tipo de escalada costuma reflectir-se também nos custos do comércio marítimo: o aumento do risco operacional no Estreito de Ormuz tende a pressionar prémios de seguro, tarifas de frete e planeamento de rotas, mesmo quando a circulação não é formalmente interrompida.

IRIS Makran entre os alvos: a base expedicionária convertida de petroleiro

Ao analisar com mais detalhe a lista de perdas atribuídas ao Irão, o IRIS Makran surge como um dos alvos que aparenta ter sofrido danos severos entre os 11 navios referidos pelo CENTCOM. A embarcação, com cerca de 228 metros de comprimento, distingue-se por um amplo convoo que lhe permite actuar como base expedicionária.

Este navio chegou mesmo a ser empregue pela Marinha iraniana em missões no exterior como uma das suas plataformas de maior visibilidade. Um exemplo foi a visita ao Rio de Janeiro (Brasil) em 2023, navegando escoltado pela fragata IRIS Dena, antes de prosseguir em direcção ao Canal do Panamá.

Fragatas e outros navios: o que se sabe e o que permanece por confirmar

Apesar de colunas de fumo dificultarem a identificação exacta das embarcações afectadas, o CENTCOM indicou também que uma fragata ligeira da classe Jamaran teria sido destruída logo nas primeiras vagas de ataques aéreos. Esta alegação foi posteriormente reforçada por Donald Trump, que referiu que, à data do anúncio, tinham sido destruídos nove navios, bem como a sede da Marinha iraniana.

Neste enquadramento - e já no domínio da especulação - analistas ocidentais sugeriram que poderão ter sido afundados o IRIS Sahand, IRIS Sabalan, IRIS Zagros, IRIS Jamaran, IRIS Bayandor e IRIS Naghdi, admitindo ainda que outras unidades da classe Kaman poderão ter sofrido danos adicionais.

Shahid Bagheri: o porta-drones também terá sido atingido

Os Estados Unidos afirmaram igualmente que um dos navios mais recentes e distintivos da Marinha iraniana - o porta-drones Shahid Bagheri - foi também alvo. Tal como noticiado anteriormente em Fevereiro de 2025, este antigo petroleiro foi convertido para integrar um convoo com cerca de 180 metros e uma rampa tipo “ski-jump”, sendo apresentado como a única plataforma da frota iraniana com capacidade para operar sistemas não tripulados de asa fixa, entre outras valências.

A informação foi divulgada ontem nas contas do CENTCOM, numa publicação que, além disso, rejeitou as alegações do Irão de que o porta-aviões USS Abraham Lincoln teria sido severamente danificado.

Submarinos: imagens não indicam destruição equivalente

Apesar de a frota de superfície iraniana aparentar ter sido fortemente castigada, as imagens de satélite disponíveis até ao momento não mostram um nível de destruição equivalente na componente submarina. Em particular, o submarino classe Kilo de fabrico russo, recentemente modernizado, parece manter-se intacto, tal como a frota de submarinos mais pequenos da classe Ghadir.

Tal como foi referido a 24 de Fevereiro, existiam relatos de que o Irão teria concentrado até 11 destes submarinos mais pequenos em Bandar Abbas - cerca de metade do total de unidades conhecidas nessa classe.

É importante notar que a leitura de imagens de satélite em cenários activos pode ser limitada por fumo, ângulo de captação e actividade de ocultação no terreno, pelo que avaliações definitivas costumam depender de séries temporais de imagens e de confirmação por múltiplas fontes.

Créditos das imagens: respectivos detentores.

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