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Esta nova plataforma pode fazê-lo esquecer o Spotify, Deezer e Apple Music.

Jovem sentado à secretária com auscultadores no pescoço, a ouvir música no telemóvel com portátil aberto.

Uma nova plataforma de streaming musical poderá estar prestes a chegar ao mercado com uma proposta pouco comum: deixar o utilizador alterar faixas com inteligência artificial.

A IA já está a mudar, de forma acelerada, a maneira como ouvimos música. Em muitas plataformas, começam a multiplicar-se conteúdos produzidos por modelos de inteligência artificial, em vez de serem criados exclusivamente por pessoas. Ao mesmo tempo, a IA generativa também abriu novos caminhos para descobrir canções, incluindo chatbots capazes de procurar sugestões e encontrar títulos para ouvirmos, de acordo com o nosso gosto e contexto.

Há, contudo, quem queira ir um passo além do que existe hoje. A ideia passa por lançar um serviço que, além de oferecer o que se espera de uma plataforma de streaming, permita ao público reinterpretar músicas recorrendo à IA generativa.

Na prática, seria uma solução com funcionalidades semelhantes às de Spotify, Deezer ou Apple Music, mas com um extra: a possibilidade de mudar o estilo de uma canção através de inteligência artificial (por exemplo, adaptar a sonoridade, a instrumentação ou a estética do tema).

Universal Music Group, Sony Music e Warner Music Group validam a ideia de plataforma de streaming com IA generativa

O plano parece estar a ser tratado com seriedade. Segundo uma notícia da Bloomberg, a empresa por detrás deste conceito será a startup Klay. Citando fontes próximas do processo, a agência norte-americana indica que a Klay já terá fechado acordos com Universal Music Group, Sony Music e Warner Music Group - os três maiores grupos editoriais da indústria musical.

Com estes entendimentos, a plataforma da Klay deverá disponibilizar um catálogo alargado de faixas que os utilizadores poderão remisturar com IA, criando versões alternativas a partir das gravações existentes. A mesma informação aponta ainda para a possibilidade de o produto ser lançado num horizonte temporal curto, o que sugere que o desenvolvimento poderá estar numa fase avançada.

Um ponto central num serviço deste tipo será a forma como se gere a autorização e a remuneração quando uma música é transformada. Se o catálogo incluir obras licenciadas pelos grandes grupos, será expectável que existam regras claras sobre direitos, atribuição e repartição de receitas, especialmente quando as versões geradas se aproximam de um “novo” resultado criativo, mesmo que baseado num original.

A IA generativa também é muito competente na música

Tudo isto ganha contexto porque, neste momento, alguns modelos já demonstram um desempenho muito elevado na criação musical. Como exemplo, um estudo divulgado pela própria Deezer concluiu que uma grande maioria de utilizadores não consegue distinguir, com facilidade, um tema gerado por IA de uma faixa criada por um ser humano.

A Deezer tem, aliás, uma abordagem particular relativamente a conteúdos produzidos por inteligência artificial: em vez de os proibir, opta por assinalá-los com um indicador visual para que o utilizador saiba que está a ouvir um tema gerado por IA.

Se uma plataforma como a da Klay avançar, a experiência poderá trazer novas possibilidades - desde remisturas personalizadas a versões “à medida” para diferentes contextos -, mas também aumentará a importância da transparência. Saber quando se está a ouvir o original, uma adaptação ou uma versão modificada por IA generativa poderá tornar-se tão essencial quanto hoje é conhecer o artista, o álbum e os créditos de produção.

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