O novo pacote automóvel apresentado pela Comissão Europeia (CE) não se limitou a rever objetivos de emissões: também prevê a modernização da Diretiva de Rotulagem de Veículos de 1999, introduzindo um conjunto alargado de dados sobre eficiência energética.
Na prática, os automóveis passarão a apresentar etiquetas de eficiência energética com informação normalizada, incluindo, por exemplo, as emissões de dióxido de carbono (CO₂). No caso dos veículos elétricos, estes rótulos irão igualmente indicar o consumo de energia e a autonomia.
As etiquetas estarão acessíveis nos concessionários e também em linha, com um formato harmonizado a nível europeu, alinhado com o modelo das já conhecidas etiquetas energéticas da UE. A aplicação abrangerá automóveis de passageiros e veículos comerciais, tanto novos como usados.
O objetivo passa por assegurar que os consumidores recebem informação clara e comparável sobre a eficiência energética dos automóveis, apoiando decisões de compra mais informadas. Em paralelo, a CE entende que a medida funciona como um incentivo adicional para os construtores cumprirem as metas de emissões.
A proposta completa seguirá para apreciação no Parlamento Europeu e no Conselho Europeu ao longo do próximo ano, pelo que ainda poderão surgir ajustes e alterações ao texto atualmente avançado pela Comissão Europeia.
Um aspeto relevante desta harmonização é a comparabilidade entre marcas e modelos em diferentes países da UE: ao reduzir diferenças de apresentação e critérios, torna-se mais simples confrontar alternativas no momento de escolher um automóvel, sobretudo quando se pondera entre motorizações distintas (combustão, híbrido ou elétrico).
Também no mercado de usados, a presença destas etiquetas pode ganhar peso na valorização do veículo, ao tornar mais visível o seu perfil de eficiência energética e o impacto associado - um fator que pode influenciar tanto o preço como a rapidez de venda, especialmente em segmentos onde os custos de utilização são determinantes.
Transparência, Diretiva de Rotulagem de Veículos de 1999 e passaporte ambiental para automóveis
A Comissão Europeia (CE) tem vindo a reforçar medidas de transparência no setor. No início do ano passado, o Parlamento Europeu (PE) aprovou a criação de um passaporte ambiental para automóveis.
Esse passaporte detalha a eficiência energética no momento da matrícula e reúne informação como emissões poluentes de CO₂, consumo de combustível e de eletricidade, autonomia elétrica, potência do motor e durabilidade das baterias.
Além disso, os utilizadores passarão a poder consultar dados atualizados, incluindo consumo de combustível, estado das baterias, emissões poluentes e outros indicadores gerados pelos sistemas de bordo do próprio automóvel.
Este passaporte foi aprovado no âmbito das Normas Euro 7, que entrarão em vigor em julho de 2030 para veículos ligeiros de passageiros e comerciais. Um ano depois, a aplicação será alargada aos veículos pesados, igualmente nas categorias de passageiros e comerciais.
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