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Estes clássicos da Nissan não são bem o que parecem

Três carros Nissan apresentados em sala branca, incluindo um modelo clássico branco, um elétrico preto e um desportivo vermel

Os alunos dos colégios Nissan de Kyoto e Aichi têm estado ocupados com três projetos de grande dimensão que já garantiram presença no próximo Tokyo Auto Salon, certame centrado em preparação, personalização e acessórios, marcado para 9 a 11 de janeiro.

Estes três Nissan de inspiração clássica não nasceram como protótipos de estúdio nem como manobras de promoção. Pelo contrário, começaram com uma orientação simples e pouco habitual: liberdade criativa total.

Apesar de terem sido desenvolvidos em contexto académico, os trabalhos assentaram em bases reais e perfeitamente identificadas - sem simulações digitais nem plataformas “universais”. Cada grupo escolheu um modelo concreto do passado da Nissan e converteu-o num exercício de estilo e engenharia, sem qualquer preocupação com produção em série ou processos de homologação.

O resultado é um trio com sabor nostálgico, marcado pela cultura japonesa de preparação automóvel e por uma abordagem, em alguns casos, declaradamente extrema. Em comum, todos procuram soluções técnicas coerentes com o objetivo traçado - e nenhum deles se limita a replicar o modelo original. Aliás, o que está por baixo destes “clássicos” é, por si só, uma curiosidade: as bases escolhidas não são aquelas que a aparência sugere.

Num evento como o Tokyo Auto Salon, este tipo de exercício tem um contexto perfeito: celebra-se a identidade visual, a ousadia e a capacidade de execução. Ao mesmo tempo, é uma montra privilegiada para perceber como uma nova geração interpreta o legado da Nissan, misturando referências históricas com linguagens contemporâneas.

Colégios Nissan de Kyoto e Aichi: três clássicos reinventados para o Tokyo Auto Salon

Bluebird clássico dos anos 60

O primeiro projeto começa num Nissan March - conhecido por cá como Micra - mas o resultado final quase não deixa pistas do ponto de partida. A equipa do Nissan Kyoto Automobile College redesenhou por completo a frente e grande parte da carroçaria para recriar a atmosfera de um Nissan Bluebird do início da década de 1960.

Capô, grelha, faróis e para-choques foram feitos de novo, tal como o esquema de pintura: azul “Sky Mirage” com tejadilho branco, num contraste que reforça a leitura retro. De acordo com os alunos, a intenção foi construir um automóvel com forte impacto visual e um lado emocional muito marcado.

Um “Hakosuka” à sua maneira

No segundo trabalho - também de Kyoto - a receita muda por completo. A base escolhida foi um Datsun Sunny Coupé, reinterpretado à luz da cultura japonesa de preparação automóvel. A carroçaria ganhou cavas de roda exageradamente alargadas, jantes novas e uma pintura vermelha intensa, assumindo uma presença muito mais agressiva.

Aqui, as alterações não ficaram pela estética. O motor de origem deu lugar ao bem conhecido Nissan SR20, um quatro cilindros associado a modelos como o Nissan Silvia S15. Dentro do trio, este é o projeto onde o foco no desempenho mecânico é mais evidente.

Nissan Skyline R30 com atitude de pista

O terceiro e último projeto parte de um Nissan Skyline R30, mas com uma postura claramente inspirada na competição. Foi construído por estudantes do Nissan Aichi Automotive College, no âmbito de um curso avançado de manutenção e carroçaria. Mesmo tendo sido concluído em cerca de dois meses e meio, o nível de execução apresentado é elevado.

O Skyline exibe pintura bicolor - vermelho e preto - e um conjunto aerodinâmico deliberadamente exagerado. A inspiração aponta para o estilo Bosozoku, uma vertente de personalização extrema em que os automóveis são adornados com apêndices aerodinâmicos quase caricaturais: aqui, o objetivo é o impacto visual, não a eficácia funcional.

Destaca-se a enorme lâmina frontal (deflector inferior) e a asa traseira de grandes dimensões, elementos que lhe dão uma presença dramática. Entre os três, é o trabalho mais radical e aquele que mais se afasta da imagem original do modelo.

Vale a pena sublinhar que estes projetos não são restaurações com alterações discretas nem exercícios de preservação histórica. Tratam-se de transformações profundas em automóveis reais, pensadas para reinterpretar o ADN da Nissan através do olhar e das prioridades de uma nova geração.

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