Gorden Wagener ocupa, desde 2016, o lugar de diretor de design da Mercedes-Benz - uma função oficial que até então não existia - e chegou a esse cargo com apenas 39 anos. Ainda assim, o seu percurso na marca começou bem antes, em 1997.
Depois de deixar uma impressão profunda na linguagem estética da Mercedes-Benz, Wagener prepara-se agora para abandonar o posto no final deste mês de janeiro. Porém, estas linhas não se focam no seu historial profissional: centram-se num dos últimos trabalhos que teve sob a sua supervisão - um novo “Porco Vermelho”, apresentado nas páginas do livro “Iconic Design”.
Gorden Wagener, AMG e o “Porco Vermelho” contemporâneo
O nome não é um insulto. “Porco Vermelho” foi a alcunha atribuída ao primeiro automóvel de competição da AMG, um Mercedes-Benz 300 SEL 6.8 AMG. À partida, tratava-se de uma escolha pouco evidente para a pista, sobretudo quando a concorrência apostava em máquinas bem mais compactas e leves, como os Alfa Romeo GTA.
Apesar disso, a decisão revelou-se certeira. Na prova de estreia, as 24 Horas de Spa-Francorchamps de 1971 (Bélgica), o carro venceu a sua classe e terminou em segundo lugar da geral - um resultado notável que ajudou a cimentar a lenda.
Agora, Wagener dá-nos a sua interpretação de um “Porco Vermelho” para os dias de hoje: uma proposta mais atual e, em certos pormenores, até futurista, mas com uma identidade claramente virada para o passado e para o peso simbólico do original.
Projetos deste tipo costumam funcionar como um teste de ADN: medem até que ponto uma marca consegue modernizar-se sem perder os traços que a tornaram reconhecível. No caso da AMG, revisitar um ícone tão improvável - uma grande berlina transformada em arma de resistência - é também uma forma de relembrar que a performance nem sempre nasce do óbvio.
Fica a questão: deverá a AMG «morder o isco» e transformar esta visão num modelo (ou série especial) real, capaz de ligar o imaginário das pistas de 1971 ao presente?
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