A entrada de um novo citadino da Dacia no segmento A fez crescer a incerteza em torno da continuidade do Dacia Spring. Ainda assim, o anúncio de uma atualização do modelo romeno para 2026 veio esclarecer o cenário e reduzir as dúvidas sobre o seu futuro imediato.
Dacia Spring (2026): mais opções mecânicas e bateria LFP de 24,3 kWh
Na atualização do Dacia Spring prevista para este ciclo, passam a existir duas motorizações, com 70 cv e 100 cv, e estreia-se também uma nova bateria LFP com 24,3 kWh de capacidade. São alterações que reforçam a ideia de que este citadino 100% elétrico deverá continuar à venda durante mais algum tempo.
De início, parecia lógico que a chegada do novo elétrico da marca significasse o fim da produção do Spring. Porém, Patrice Lévy-Bencheton, responsável de produto da Dacia, garantiu que os dois modelos vão coexistir, sublinhando, segundo a imprensa internacional, que “são modelos bastante diferentes”.
Coexistência no mercado: um ano, com retirada gradual consoante a procura
De acordo com Lévy-Bencheton, esta convivência deverá prolongar-se por cerca de um ano, sendo que o Spring será retirado gradualmente de vários mercados “consoante a situação”. Nesta equação entram elementos como:
- incentivos à compra disponíveis em cada país;
- procura local e ritmo de encomendas;
- a forma como a rede comercial decide posicionar cada proposta.
“As duas propostas fazem sentido e permanecerão no mercado; caberá à equipa de vendas posicioná-las”, acrescentou o responsável.
Com esta abordagem, a Dacia passa a estar entre os poucos construtores que conseguem manter, ao mesmo tempo, duas propostas 100% elétricas no mesmo segmento.
Há ainda um ponto prático que pesa na decisão: em mercados onde os apoios à compra mudam com frequência, manter duas alternativas pode ajudar a marca a adaptar-se mais depressa a alterações de regras, prazos de candidaturas e limites de preço elegível, sem perder presença no segmento de entrada.
Porque atualizar um modelo perto da substituição?
Confrontado com o motivo de renovar um automóvel que, em teoria, será substituído num prazo curto, Frank Marotte, diretor de vendas e comunicação comercial da Dacia, explicou que a escolha está ligada à proteção do valor do produto. Na sua perspetiva, no universo dos elétricos, preservar o valor de revenda exige atualizações, independentemente do momento do ciclo de vida: “No mundo dos elétricos, se queremos manter o valor de revenda, precisamos de atualizar o modelo, independentemente do seu ciclo de vida. Acreditamos firmemente que isso é uma necessidade.”
Este tipo de atualização também tende a ser relevante para clientes particulares e frotas que fazem contas ao custo total de utilização, onde a previsão de desvalorização e a facilidade de revenda podem influenciar tanto quanto o preço de aquisição.
Um novo Spring a caminho, com base no Twingo
Segundo avançou a Autocar, o sucessor do Dacia Spring deverá ser desenvolvido a partir do novo Twingo, embora com uma identidade visual própria, fortemente inspirada nos SUV da marca romena.
O preço, ao que tudo indica, também irá aumentar: estima-se que fique cerca de 3500 euros acima do valor do modelo atual, aproximando-se dos 19 mil euros.
Mais dimensões e produção na Europa para evitar tarifas da União Europeia
O novo elétrico urbano deverá igualmente crescer, aproximando-se das medidas do Twingo, com cerca de:
- 3,8 metros de comprimento;
- 1,7 metros de largura.
Uma mudança decisiva estará no local de fabrico, que deverá passar para a Europa, permitindo contornar as tarifas de importação aplicadas pela União Europeia a veículos elétricos produzidos na China.
Quando chega?
A revelação do sucessor do Dacia Spring deverá acontecer nos próximos meses, com estreia pública apontada ao Salão Automóvel de Paris, em setembro. A chegada aos concessionários deverá ocorrer ainda antes do final deste ano.
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