O Governo do México anunciou que vai construir um supercomputador com uma capacidade de processamento sete vezes superior à do computador mais potente actualmente em operação na América Latina, segundo responsáveis pelo projecto.
Baptizado Coatlicue - em referência a uma deusa da mitologia asteca associada à origem da força e da vida -, o sistema deverá atingir 314 petaflops de capacidade de processamento.
A Presidente Claudia Sheinbaum sublinhou que a ambição é clara: “Queremos que seja um supercomputador público, um supercomputador para o povo”, afirmou aos jornalistas.
Coatlicue: supercomputador, capacidade de processamento e IA ao serviço do público
A construção do Coatlicue terá início em janeiro e prolongar-se-á por 24 meses, com um custo total estimado em seis mil milhões de pesos (cerca de 326,6 milhões de dólares), adiantou José Merino, director da Agência de Transformação Digital do México.
De acordo com Merino, a máquina será orientada sobretudo para resolver problemas públicos que exigem elevada capacidade de cálculo, incluindo: - previsão do clima; - planeamento de sementeiras e colheitas; - projectos ligados à água, ao petróleo e à energia.
Além disso, o supercomputador também deverá ser usado em investigação científica e no apoio a projectos empreendedores, entre outras finalidades.
Um equipamento com esta dimensão implica igualmente exigências relevantes em termos de infra-estrutura, como energia eléctrica, refrigeração e armazenamento de dados. Por isso, a definição de prioridades de uso, bem como regras de acesso e governação, será determinante para garantir que a capacidade de cálculo se traduz em benefícios efectivos para o país.
Outro desafio associado é a disponibilidade de talento especializado - desde engenheiros de sistemas e redes a cientistas de dados - para explorar o potencial do Coatlicue. Programas de formação, parcerias com universidades e a criação de comunidades de utilizadores podem acelerar o impacto do projecto e aumentar o retorno público do investimento.
A corrida global aos supercomputadores e aos sistemas de IA
O anúncio surge numa altura em que decorre uma corrida mundial para construir supercomputadores cada vez mais rápidos, concebidos para trabalhar em conjunto com sistemas de IA.
Os Estados Unidos lideram actualmente este sector, mas Europa e Japão também colocam equipamentos no top 10, de acordo com um ranking da indústria dedicado à computação de alto desempenho.
Para contextualizar a escala, um petaflop corresponde a 1.000 biliões de cálculos por segundo, ou seja, 10^15 operações por segundo.
Comparação na América Latina: de Pegaso ao Coatlicue
Na América Latina, o computador mais potente actualmente classificado é o Pegaso, um equipamento privado do Brasil, com 42 petaflops. Face a esse valor, o Coatlicue, com 314 petaflops, representa um salto substancial na capacidade regional.
Limites face à exascala: El Capitan e Jupiter
Apesar disso, o modelo mexicano ficará aquém dos computadores mais poderosos do mundo, conhecidos como sistemas de exascala.
O líder referido é o El Capitan, operado pelo Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, com uma capacidade de 1,809 exaflops - isto é, 10^18 (quintiliões) de cálculos por segundo.
A Europa apresentou recentemente um concorrente, o Jupiter, instalado no oeste da Alemanha, também capaz de executar pelo menos um quintilião de cálculos por segundo, um desempenho frequentemente descrito como equivalente ao de cerca de um milhão de smartphones.
© Agence France-Presse
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