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Para quem nasceu nas décadas de 60 e 70: uma viagem de volta ao essencial

Carro Opel Corsa GSI branco estacionado em espaço interior moderno com grandes janelas.

Se cresceram nos anos 60 e 70, isto é convosco. Começo finalmente a perceber porque é que olham para as gerações de hoje com uma certa complacência. Quem passou a infância a trepar árvores, a pedalar sem capacete e até a conduzir carros quase sem travões merece, cada vez mais, o meu respeito.

Talvez seja também porque estou prestes a entrar nos “entas” e, como acontece a tanta gente, vou ficando mais saudosista. Há experiências que aceleram esse efeito - e sentar-me ao volante de um Opel Corsa GSI de primeira geração, lançado em 1989, foi uma delas.

Vídeo da experiência (com limitações)

Felizmente, consegui registar a experiência em vídeo - embora com algumas limitações, que vão notar pela falta de imagens. Para muitos, isto não passa de um “carro velho”; para quem viveu esta época, é muito provavelmente um sonho adolescente finalmente concretizado. Espero que gostem do vídeo.

Ao volante do Opel Corsa GSI: primeira geração (1989) e o encanto simples dos anos 80

Não interpretem mal o que digo: ainda bem (!) que os automóveis de hoje são mais seguros, mais rápidos e têm travões dignos desse nome. Mas há qualquer coisa nestes modelos antigos - uma aura difícil de explicar - que nos atira imediatamente para um tempo em que a vida parecia menos complicada.

Eu cresci numa era analógica e vi a eletrónica chegar e tomar conta de tudo. Talvez por isso sinta saudades de um período que, no fundo, só tive oportunidade de “provar” por instantes.

Ficha técnica e carácter: pouco peso, motor cheio e travões… só no início

Quanto ao Opel Corsa GSI, entrega exactamente aquilo que os desportivos compactos da época prometiam: motor generoso, peso baixo e uma condução directa, sem filtros. O problema é que os travões “mordem” com vontade apenas nas primeiras duas solicitações; a partir daí, com o aquecimento, o conjunto deixa de travar como deve ser e passa a funcionar mais como uns autênticos “abrandadores”.

E basta olhar para a ficha técnica para perceber a receita: 100 cv para menos de 850 kg em ordem de marcha. Ar-condicionado, vidros eléctricos e fecho centralizado? Não me façam rir. Aqui não havia espaço para luxos - a prioridade era outra, e notava-se.

Há também um lado que hoje se perdeu: a exigência. Sem ajudas electrónicas a corrigir tudo, cada decisão ao volante tem consequências mais imediatas. A recompensa é uma ligação mais crua ao carro - e, ao mesmo tempo, um respeito maior pelos limites (do automóvel e do condutor).

O presente é mais seguro - e ainda bem

Hoje, o mundo é diferente. Definitivamente diferente - e ainda bem. O meu filho anda de bicicleta de capacete; o parque perto de nossa casa não tem pregos enferrujados à vista; em geral, está tudo mais pensado para proteger.

Ainda assim, confesso: soube mesmo bem regressar ao passado por um momento. Obrigado à organização do Classic Car Design Event por me proporcionar esta oportunidade.

E talvez seja esse o valor maior destes encontros e destes carros: não é só nostalgia. É preservar uma forma de sentir a condução e um pedaço de cultura automóvel que ajuda a explicar como chegámos aos automóveis que temos hoje.

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